– Armin, espera! – grito o moreno e vou correndo atrás dele até segurar seu braço. – Você está chateado comigo? – o olho, desde baixo, juntando as sobrancelhas. Esboço um sorrisinho amarelo e começo a corar. Ele se resiste um pouco a me olhar, mas por fim me encara, um pouco sério.

– Não é questão de estar chateado ou não. É questão de que eu atrapalhei vocês, ou sei lá. – seus olhos azuis brilham com um pouco de raiva.

– É… – seguro sua mão, me aproximando. – Ninguém disse que você tinha que ir embora… Sabe… – sorrio fraco. Ele esboça um sorriso resistente, quase achando graça. Acaba ficando corado, de um jeito que chega a ser fofo. Como vejo que está funcionando, continuo a falar. – Eu e o André estamos um pouco bad vibes, podíamos ir todos para o hotel e ficarmos juntos. É bem mais cômodo do que na caravana.

– Bom, Lynn… É que sei lá. O que nós três vamos fazer juntos no hotel? É um pouco cortar a onda, não? Eu preferiria estar sozinho contigo. O meu irmão eu vejo todos os dias. Para ser sincero.

– Ah, você sumiu por aí! Eu fiquei carente… – Mostro os dentes, sorrindo, e o cutuco um pouco.

– Nah, isso não é desculpa. – Ele segue se resistindo, quase sorrindo.

– Vai, Papai! Por favor… – sigo brincando. Ele agarra a minha cintura, me abraçando, se deixando levar.

– Você é muito idiota, Lynn. Porque você faz isso? Meu irmão é gay. – diz Armando, após me largar no chão, enquanto começa a rir. – Deve ser a primeira vez que ele beija uma menina… – ele completa.

– Pois é. Ele quer perder a virgindade comigo. – Informo, erguendo uma sobrancelha. O seguro pelo pescoço, rodeando-o e o olho nos olhos. – Você teria ciúme? – sorrio.

– Por que você tem que ser tão ninfomaníaca? Sinceramente, eu não tenho ciúme do André porque… Sei lá. Ele leva a vida inteira sendo gay. Mas nunca se sabe. – Ele olha para baixo, um pouco sério, de um jeito estranho e até nostálgico.

– Como assim?

– Tem cada coisa louca nessa vida. Vai que vocês começam a se gostar… Eu… Sei lá, não quero estar a três sempre. Com o meu irmão no quarto sempre que estejamos transando.

Olho no rosto dele analiticamente.

– Que foi? – Armando dá um risinho sacana. – Eu disse algo sobrenatural?

– Desse jeito parece até que está apaixonado por mim. – Digo, sádica.

– Não diria apaixonado. Mas eu gosto de ti. – Ele toca meu rosto. – Parece que não acontece o mesmo da sua parte. – Ele ladeia um sorrisinho também analítico, sarcástico e ressentido. – Hm?

Fico em silêncio.

– Quem cala consente… – Armando me solta e fica me olhando nos olhos.

Notamos a presença de André, que foi se aproximando de nós gradualmente.

– E aí… Vamos embora? – diz o de cabelos azuis, colocando sua regata e esfregando os braços de frio após a ação. Sua pele branca está toda arrepiada.

– Cadê esse merda do Jorge? Esse bosta seca do cacete. – pergunta Armando, sem paciência.

– Sumiu. – responde André, chateado. 

Armando apenas assente, e sem falar nada, começa a caminhar na nossa frente com as mãos nos bolsos. Eu e André nos olhamos brevemente, mas logo começamos a segui-lo, em silêncio também. Até caminharmos uns dez minutos.

– Então vocês dois querem se divertir? Diversão é tudo o que importa, afinal… – diz Armando, quebrando o silêncio.

– Onde estamos indo? – pergunto.

– Para o hotel. – Responde Armando.

André me olha brevemente, um pouco vermelho.

* * *

Malvina, eu pensei que o nosso lance era especial. Você me deixou triste. É claro que eu não vou assumir que estou por baixo. Você nem merece isso.

Como eu sou burro.

Olho o meu irmão pelo canto do olho.

Porra, André.

Por que você está fazendo isso comigo?

Me giro de supetão e o agarro pela regata, bem no centro, amassando o tecido da sua roupa e aproximando-o de mim. O olho com ódio. Me vejo em suas pupilas. O rosto do meu irmão está ébrio, assim como o meu. Eu nunca pensei que pudesse odiá-lo por uma garota. Não é racional.

— Quer saber? Vai tomar no meio do seu cu. Seu traidor do caralho. – digo violentamente.

Malvina franze as sobrancelhas e entra entre nós dois, separando-nos.

— Calma, Armando! Vocês não precisam brigar! – ela exclama, desesperada.

Vou soltando a camisa do meu irmão. Olho os dois freneticamente, de um rosto a outro. Uma e outra vez. Não acredito no que acabo de fazer. Estou ficando sem graça.

Não vale a pena brigar por isso. Ela nem gosta de mim. Não vou maltratar o meu irmão.

— Desculpa, André. – digo e o abraço, puxando-o pro meu encontro. Fecho os olhos e suspiro em seu ombro.

Ele me agarra, correspondendo.

— Não… Desculpa eu, sério. – ele se separa de mim e me olha sem graça.

— Depois nós conversamos sobre isso. – digo para ele baixo, evitando que Malvina escute. — Nossas coisas são nossas, ela não precisa saber. – sussurro.

Vejo como a garota se afasta um pouco, de braços cruzados, preocupada, mas dando-nos espaço de todos modos.

— Você gosta dela de verdade? – ele pergunta baixo.

Paramos de nos abraçar aos poucos. Passo um braço por cima do seu ombro e respondo em seu ouvido.

— Sim. Mas ela tem um problema de saúde e você não está ajudando, você é um bosta igual seu namorado.

— Poxa, mano… – ele diz tristonho. — Foi mal… E… Que problema de saúde que ela tem? – ele sussurra.

Começo a falar mais baixo, perto da orelha dele.

— Olha, vamos ver se você entende o meu raciocínio, ou se você pensa que eu sou só um otário apaixonado noutra garota que não gosta de mim.

André assente, atencioso.

— A Malvina tem muitos problemas em casa. Eu vi com os meus olhos e juntando a informação que saquei da Elisa tudo faz sentido. O padrasto dela bate na mãe dela e provavelmente ela já sofreu algum abuso sexual como mínimo leve em casa. – André abre a boca, chocado, e segue me olhando. — Não vai fofocar isso pra ninguém que eu te mato! Ela tá descontrolada, sobretudo porque o ex namorado dela, esses namoros de adolescente, de quando a mina ainda é criancinha e tal e acha que vai casar com o cara, tá ligado?

— Tô.

— Bom, esse ex namorado dela morreu.

— Ah, nossa. Que porre… – André franze as sobrancelhas.

— Sim. Mas além disso, ele a abandonou antes de morrer, porque ele foi um covarde. Ele viu o panorama na casa dela e mandou ela resolver a vida dela sozinha e logo procurar ele. Foi um veado que nem amava ela de verdade. E agora a Malvina é essa descontrolada anti-amor que tu ta vendo, que não segura a boceta e dá pra qualquer um. Eu to tentando corrigir isto. Você não tá ajudando assim e porra, você é meu irmão, espero o mínimo de ti.

— Como podemos ajudá-la?

— Eu posso seguir aguentando essa desgraça ou dar para ela algo mais intenso.

— Você ainda não sabe se ela te ama de volta, Armin.

— Verdade. – assinto um pouco descontrolado. — Por isto estou pensando em fazer algo mais intenso hoje. Algo de sado-masoquista.

— E tu acha que esse é o melhor caminho pra ajudar, é? – André ladeia um sorriso irônico.

— Acho sim. Nisto consiste a D/s, em dominar o corpo e a mente de alguém. Se ela precisa de algo tão intenso a ponto de não querer mais sexo por dias, ela vai ter. Tenho que castigá-la.

— Tu é um pouco doente, né maninho? – André ri baixo. Dou um tapa na cabeça dele.

— Você não entende a psicologia destes lances. Eu já tive mais namoradas submissas e sempre conquistei a ALMA delas assim. Agora vamos logo fazer essa suruba do cacete. – digo mais alto, pra ela ouvir.

Ouço seu risinho sapeca de inconsequente. Fucking maníaca.

Por que me considero um Daddy? Acho que é por gostar de casos impossíveis, de consertar vasos quebrados. Sobretudo me atraem garotas frágeis e desamparadas, como um dia eu mesmo e o André estivemos, sem ninguém pra cuidar de nós. Eu gosto de me sentir importante… E útil. E esta é a parte emocional do meu fetiche.

Malvina parece querer viver aventuras até chegar no fundo do poço, como se não tivesse mais nada a perder. Eu me lembro de haver me sentido assim vazio também, várias vezes. Sem nenhum amor próprio. É por isso que hoje vou puni-la. Ela tem que ser honesta com os demais. Ela tem que se amar um pouco e entender que sexo não é a única coisa que ela tem a oferecer.

Pois parece que ela usa isso como forma de se relacionar com os outros, como se não soubesse atuar em outros papeis. E isso me magoa. Isso magoa uma pessoa que… Gosta dela, e se preocupa por ela. E isso é difícil de achar.

Alguém disposto a te aceitar com seus problemas, defeitos, alguém disposto a te amar do jeito que você é. Ela precisa começar a me valorizar e a ter olhos só pra mim. Vou dar pra ela essa adrenalina que ela precisa. Essa dor que ela anda buscando, e essa segurança. Ah, um trio? Aproveita que vai ser só hoje. É parte da minha estratégia, isso não vai seguir rolando. Não mesmo. E com o bicha do meu irmão sei que é só hoje mesmo.

Muitas vezes ela me fez sentir amado, no entanto. Sem nem saber, talvez. Cada vez que ela me entendeu sem julgar. Cada vez que sorriu para mim, com esse olhar tão sincero, inocente e amoroso. Por trás dessa puta tem uma garota indefesa e triste. E eu quero cuidar desse bebê.

* * *

Os três estamos deitados na cama do hotel, vendo um filme de terror, todos de pijama, após havermos tomado banho. Os garotos estão sem camiseta, todos estamos quentinhos e aconchegados.

Estou deitada no peito do Armando enquanto acaricio sua barriga carinhosamente, deslizando a ponta das minhas unhas com suavidade pelos gomos da sua barriga, logo passando a palma da mão.

Ele está olhando o filme com uma cara séria, com o cenho franzido, concentrado e carrancudo. Essa expressão me dá tesão.

Minha bunda está colada na lateral da coxa do André e uma perna minha está enlaçada com a sua. Ele está alisando minha pantorrilha suavemente, recorrendo-a com seus dedos para cima e para baixo de um jeito lento. Estou ficando em paz e relaxada.

— Papai? – sussurro, bem baixinho.

Começo a tocá-lo por cima da cueca, sentindo seu pau amolecido.

Ele olha meu rosto, sério, seus olhos abaixam pelos meus lábios, e logo pelos meus seios.

Armando morde o lábio inferior e suspira pesado.

Sinto seu pau respondendo e subindo.

Toco suas bolas suavemente, as massageando, logo toco seu membro sobre a cueca, desde a base à cabeça. Está ficando quente.

— Hm? – ele murmura rouco. — Quer “leitinho”? Safada… – Armin sussurra o último, mais baixo.

André está olhando nós dois.

É pervertido dizer isso. Mas sim. Não, não é agradável beber porra. Mas fazer coisas desagradáveis às vezes me deixa excitada. E não sei por que, mas realmente estou lembrando agora da cara que ele põe gozando, e estou ficando a fim de sacar todo o leite deste homem.

— Papai, eu posso te chupar? – pergunto baixinho, corando. — Na frente do…

— Na frente do titio. – Armando dá um risinho sacana, após completar minha frase.

— Uhum. – assinto. Ele segura o meu rosto com uma mão e me dá um beijo de língua calmo. A sua vai percorrendo a minha lentamente, o beijo vai ficando molhado. Sinto sua mão acariciar meu seio direito, e logo o esquerdo, lentamente.

Meu corpo vai esquentando.

— Mm… – murmuro. Ele aperta o esquerdo mais forte e mordo seu lábio inferior.

— Me chupa, gostosa. – ele sussurra contra minha boca.

— Ahn… Papai. Ok… – digo, arrastadamente pela excitação.

Me arrasto pela cama até ficar entre as suas pernas. Apoiado na cabeceira, ele as abre exageradamente e ladeia um sorriso, enquanto segura o seu pau. Afasto sua mão delicadamente e o tiro para fora da cueca.

Armando não está ao cem por cento como sempre, mas acho que deve ser o cansaço.

O seguro com firmeza, perto das bolas.

— Papai… Você gosta de lambidinhas por aqui? – pergunto baixinho e com meiguice. Lambo uma de suas bolas. São inchadas e bem redondas. Vejo suas pupilas ficando foscas.

— Sim, baby. – ele responde rouco. Seu pau vai endurecendo. Lambo suavemente, ao redor, passando de uma a outra, com os meus lábios bem abertos enquanto o olho nos olhos. Sinto sua mão entrar por dentro do meu cabelo. — Boa garota. O titio pode assistir? – Armando pergunta e assinto, sentindo minha boceta se contrair uma vez por causa da proposta. — Vem, André. – ele sussurra para o irmão. Seu gêmeo se aproxima e começo a corar. Vejo os rostos deles bem próximos.

Fecho os olhos e coloco o pau do moreno até o fundo da garganta enquanto o seguro pela base. Tiro, engasgando e ficando com a boca bem molhada. Começo a masturbá-lo com a umidade que deixei nele, bem depressa, e volto a chupar uma de suas bolas.

Olho para cima, sentindo vergonha.

— Uuhhf… – Armando bufa. A cara de André também mostra excitação. Ele está mordendo a boca e seu pau está endurecendo.

Afundo minha boca pelo pau do moreno, produzindo muita saliva, babando e tossindo. Meu cuspe vai escorrendo pelo membro dele até a base. Olho para cima com os olhos cheios de lágrimas e arrasto a minha mão até a cueca do André. Começo a acariciar o pau do “titio”.

Sinto um tapa forte marcando o meu rosto.

Tiro Armando de dentro da minha boca.

— Ai! – reclamo manhosa, olhando para ele. Minha cara é uma interrogação.

— Você não pediu autorização. E eu já te disse mil vezes que você é minha, cachorra. – ele diz grave, firme e rouco.

Assinto, suspirando.

Espremo minhas coxas e, vergonhosamente, levo a mão direita entre minhas pernas e toco minha calcinha. Estou involuntariamente molhada. E grande parte da culpa recai sobre este tapa.

— Daddy, eu posso, por favor, chupá-lo também? – peço manhosamente.

— Se você por essa boca que eu amo tanto em outro cara, eu vou ter que te punir. Você tem livre arbítrio, mas suas escolhas geram consequências. – ele avisa.

— Eu quero ser punida, papai. – sussurro.

Armando ladeia um sorriso sacana.

— Adiante, baby. – ele sussurra.

Sorrio tímida e aliso André por cima de sua cueca. Olho para cima.

— Oi, titio. – sussurro, olhando o gêmeo. Aos poucos um sorriso bem safado vai nascendo no meu rosto. Armando fica censurando-o, então tento me conter. Mas um risinho sapeca acaba escapando da minha boca. André segura meu rosto, alisando-o, e alisando meu cabelo.

— Oi, lindinha. – ele diz sensualmente. Seu timbre é mais fino que o do Armando, mas não deixa de ser sarcástico e sensual. — Então você quer brincar comigo também? – ele ladeia um sorrisinho.

— Uhum! – falo com inocência. Os gêmeos riem em uníssono de um jeito sacana. Armando se aproxima para olhar.

Fico alisando André sobre a cueca bastante tempo. Seu corpo demora mais a responder que o do Armando. Arrasto minha mão entre as pernas dele, tocando sua bunda. Os pelos das suas coxas acabam de se arrepiar.

— Veado da porra… – Armando sussurra perto do rosto do André. O pau do seu gêmeo acaba de ficar mais duro na cueca. E acho que involuntariamente. O de cabelos azuis fica corado. E as bochechas de Armando se pigmentam também. Acho que ele não esperava causar esse efeito no próprio irmão. O insulto foi sincero.

Dou um risinho sapeca e o tiro da cueca. Faço nele o mesmo que fiz no Armin. O aprofundo para dentro da minha boca, chupando-o para cima e para baixo com força até deixá-lo muito molhado e masturbando-o com uma mão. Enquanto faço isso, fico mexendo minhas perninhas, que estão flexionadas, de um jeito doce, como se eu estivesse relaxada e me divertindo.

— Tá gostando da boquinha de uma garota? – Armando pergunta, sussurrando para o irmão.

— S-ssim… Não é tão ruim… – André responde, assentindo. Ele fica me olhando enquanto o chupo, e eu para ele. André acaricia meu cabelo e começo a chupar mais forte. O de cabelos azuis joga a cabeça para trás, sentindo prazer e tesão, e alisa sua própria barriga, levantando sua camiseta. Vejo seu pescoço esticado de um jeito muito sensual, sua boca entreaberta gemendo… Ele deixa seu pescoço cair para um lado e segue me olhando.

— Agora eu, baby. – Armando sussurra grave. — Me chupa até sair leite.

Paro de chupar André. Na minha boca ficou um cuspe gosmento com pré-gozo. Sinto Armando segurar meu pescoço. Ele vem para bem perto da minha orelha e sussurra como se fosse um segredo.

— Sua putinha safada e boqueteira.

— Ah, daddy… Não fala assim comigo. – digo arrastada, sentindo sua mão grande apertando meu pescoço. Ele pega seu pau com a outra e começa a batê-lo por meu rosto.

— Cala a boca. – o moreno sussurra um pouco mais alto, excitado. — Eu mando aqui. – ele completa.

— Mmm… – murmuro. — Sim. – o abocanho até a base e olho para cima, tossindo. Armando segura minha cabeça enquanto engasgo, não me deixando levantar ou respirar.

O moreno abre um sorriso sádico.

— P.. Pa.. – estou ficando vermelha. Ele me solta e enquanto vou tirando seu pau da boca, ouço como ele diz para o seu irmão:

— Por que você não chupa ela um pouco? – sua voz sai arrastada. — Gosta da ideia, bebê? – ele pergunta sarcástico.

Assinto, sorrindo.

— Vosso desejo é uma ordem. – André responde.

Eu e Armando damos uns risinhos satisfatórios.

— Só não sei fazer isso. – o de cabelos azuis completa.

— Com fome. – sugere Armando para André, com um sorriso ladeado. — Assim você me chupa gemendo. Hmm? Baby. – sua voz sai rouca e gostosa.

André se posiciona atrás de mim e fico de quatro. Olho para o papai toda corada, logo me viro um pouco para trás, observando André.

Ele me abre com as duas mãos, olhando minhas entradas. Minha boceta tá bem molhada.

— Vai encarar? – Armando pergunta ao irmão com sarcasmo. Fico ainda mais vermelha. — Ou te dá nojinho?

Vejo o mais magro revirando os olhos em resposta.

Sinto seus dedos bem perto dos meus lábios debaixo, ele a abre olhando meu interior.

— Será que eu vou gostar do gosto desse líquido transparente? – ele sussurra.

— Só vai saber se provar. – Armando responde.

— A boceta dela é linda. – diz André, me arrancando um risinho envergonhado.

— Disso não discordo. – Armando responde.

Movo minha bunda suavemente, rebolando de leve, provocando o André.

Sinto ele se ajoelhando na cama e se dobrando para que sua boca fique na altura da minha entrada. Enquanto agarra minha bunda, a mantendo aberta, ele dá uma primeira lambida lenta.

Volto a chupar o Armin para cima e para baixo, ele agarra o meu cabelo. As lambidas do André ficam mais intensas aos poucos. A medida em que elas melhoram, sinto mais tesão e chupo o Armin com mais força.

— Você vê o clítoris? Chupa ele como se o mundo fosse acabar. Faz essa putinha gemer. – ele diz grave.

André o obedece, sugando e soltando, fazendo barulho. Sua boca estrala em mim incontáveis vezes, começo a revirar os olhos.

— Gosta de como o titio te chupa, baby? – Assinto para o moreno freneticamente, soltando gemidinhos contra o pau dele. — Sim… Você desfruta muito, sua putinha. Se esfrega na cara dele e me chupa mais forte.

O obedeço e começo a chupa-lo como se o mundo fosse acabar. André está fazendo o mesmo atrás de mim. Ele captura e solta meu clítoris, babando. Estou jorrando líquido pela minha entrada. Fico alisando as bolas inchadas do moreno, subindo e descendo enquanto ele segura minha cabeça. Armin põe um dos seus braços musculosos para trás, todo a vontade, curtindo o boquete.

Começo a rebolar contra a boca do de cabelos azuis e a gemer alto, com a boca entupida por esse pau enorme.

Ele puxa minha cabeça, me agarrando pelos cabelos e me faz olhar em seus olhos.

— Fhh… Que gemidos gostosos. – o moreno comenta.

Começo a ofegar. O puxão está doendo. Ele passa a cabeça do seu pau entre meus lábios, minha boceta se contrai várias vezes. Começo a revirar os olhos.

— Deixa eu te mamar, Papai. – gemo chorosa e suplicante, contraindo o rosto pela dor.

— Sim… me mama todo, vadiazinha. – o abocanho outra vez, contente, e o chupo fortemente enquanto o masturbo com as duas mãos. Chupar já me excita em solidão, e estar sendo chupada ao mesmo tempo me aproxima do orgasmo. — Bate nela. – Armando sussurra para André. Sinto o titio dar uma palmada pesada num lado da minha bunda e gemo manhosa e fino. Imediatamente o pau do Armando fica mais duro na minha boca. O que me deixa mais excitada.

— Mmm… – o tiro da boca e o olho, masturbando-o fortemente. — Eu amo te chupar, Papai. – sussurro, franzindo as sobrancelhas.

André está me chupando muito forte, às vezes desajeitado, às vezes dói, mas isso me deixa excitada.

— Mhuhm. – Armando dá um risinho sacana. — Linda. – ele sussurra. — Deixa eu ver esses peitinhos. – sacana, o moreno abaixa minha camisolinha e os deixa ao vento.

Ele esfrega seu pau num mamilo fortemente, logo em outro, arrepiando-os, endurecendo-os e deixando-os molhados. Gemo de novo, estimulada por toques e estimulada visualmente, vendo seu pau tão gostoso me tocando. Ele faz um gesto para que eu volte a chupá-lo. O abocanho outra vez e sinto suas mãos segurando meus seios. O moreno esfrega seus dedos pelos biquinhos safadamente. Sua cara está ficando deliciosa, estou sentindo muito tesão. Essa agitação, essa cor vermelha na boca dele enquanto ele urra rouco, a saliva ao redor da sua boca inchada, tudo isso me molha muito.

— Posso te foder? – André pergunta, sussurrando.

— S.. sim… – respondo.

Sinto seu pau duro roçando pela minha entrada. Sem jeito, ele entala seu pau enorme dentro de mim até o talo. A inexperiência. Se fosse outra garota, ela reclamaria muito. Mas como gosto de sexo hard-core, solto um longo gemido, revirando os olhos com a cabeça do pau do Armin dentro da boca. A chupo mais forte neste momento e aperto a parte interna das suas coxas, quase o unhando.

Seu irmão começa a meter depressa em mim e a agarrar em meu quadril enquanto chupo seu gêmeo. Estou no céu, delirando. Começo a fazer gargantas profundas e fico bem empinada. Já não me importo, estou muito safada.

Depois de uns dez minutos assim, com Armin já beliscando meus seios com força e minha cara toda melada, André fica perto de gozar.

— Estou perto. – ele sussurra. Mete forte algumas vezes, fazendo-me tirar seu gêmeo da boca e deitar minha cabeça em sua coxa. Gemo suplicante enquanto aperto a parte interna de sua perna fortemente.

— Ah.. – fecho meus olhos com força. André está sendo super bruto. Por me ver sofrendo assim, Armin começa a alisar meu cabelo docemente. Ele fica me olhando enquanto seu pau duro está do lado do meu rosto.

— Você tá bem, bebê? Meu irmão não sabe o que tá fazendo… – ele dá uns risinhos sacanas e graves.

Assinto e entrelaço a mão com a sua, aguentando as metidas e gritando.

— G-goza… André. – suplico, fechando os olhos fortemente. Começo a apertar meu interior de propósito, para ajudá-lo.

Será que ele não sabe que o pau dele é enorme?

Ele segue me fodendo.

— Pega as mãos dela, e prende elas uma na outra. – Armando sussurra para seu gêmeo.

Apenas sinto André fazendo como ele disse. Ele segura meus pulsos e os prende um por cima do outro contra minha lombar.

Armin segura meu rosto e volto a chupá-lo. Assim presa e indefesa, me libero de qualquer tabu e me relaxo.

Chupo o moreno com muita vontade para cima e para baixo enquanto ele segura meu cabelo num rabo de cavalo e o puxa com certa pressão. Sinto as metidas fortes dentro de mim e logo o jorro de espermas do irmão dele por cima da minha bunda. André acaba, ofegando, e cai sentado na cama, respirando muito alto. Me sinto usada. Está me dando vontade de chorar.

— Continua, baby… boquinha gostosa do caralho. – ele sussurra. — Qual sua safe-word? “Red”?

Assinto, tirando-o da boca. Estou lagrimejando, e não só pelo sexo.

— Papai… – me subo sobre o tronco do Armin, com um rostinho mimoso, buscando empatia.

— Hm? – ele pregunta, ofegando um pouco. O sinto um pouco frio.

— Me ajuda. – sussurro.

Nem eu sei o que estou sentindo.

— Como você se sente? Mal? – Armando pergunta.

Fico em silêncio. Não quero que André escute e pense que é pessoal.

— É, bebê. Eu sei o motivo pelo qual você está se sentindo mal. – ele ladeia um sorriso sarcástico, mas, no entanto, fica alisando o meu cabelo lentamente, e passando os dedos na raiz da minha cabeça com suavidade. Como um gatinho, me subo nele até que as minhas mãos toquem seus ombros, largando o peso do meu corpo sobre o corpo dele, e logo olhando-o com um pouco de tristeza.

Enlaço minhas pernas ao redor da sua cintura. Sinto ele segurar a minha cabeça com a outra mão, passando então a pegar o meu rosto com as duas. Ele me dá um selinho lento e emotivo, e logo outro. Nossas respirações se invadem. Estou tentando me acalmar, para não chorar, e mostrar sentimentos que eu não quero que ele veja.

— Está tudo bem… – ele sussurra.

O abraço, sentindo o coração dele batendo no meu.

— Isso é o que eu diria. – ele completa, fazendo com que eu apoie o queixo em seu peito e que comece a expressar no seu rosto o choque que a sua mudança de timbre me causou. Sua voz agora é séria e assusta. —…Se realmente fosse verdade. – O olho nos olhos. Os seus estão foscos e marejados. — Porque não está tudo bem. — Não é mesmo?

— O que você quer dizer com isso? – Sussurro, para ter certeza. Mas estou desconfiada de que ele notou que eu tenho uma depressão mal curada e em evolução.

— Você está sendo meio excessiva… – ele sussurra, só para mim. — Um dos pilares da nossa relação é a Disciplina. Então… eu estava pensando sobre aplicar um spanking em você.

— Você vai me bater? – pergunto baixo. Minha voz sai mais fina do que o normal, apesar de que não foi de propósito.

— Leia um pouco sobre o assunto. Dizem que pode ser terapêutico apanhar um pouco. – Ele segue falando baixo.

— É sério? – murmuro.

— É muito sério.

— Com base científica? – sussurro.

— Com estudos científicos, garotinha nerd. – Ele sussurra.

— Mas também… é sexual, não? – sussurro, enrugando sua camiseta com meus pequenos dedos.

— Claro que sim. – Ele ladeia um sorriso maldoso, pouco a pouco. Deste modo, e por efeito espelho, outro vai nascendo no meu rosto. — Eu vou te dar o que você precisa, garota. – Ele começa a flertar, com uma voz sensual, aproveitando-se da minha dúvida. — Um bom spanking. – ele sussurra, logo começa a falar um pouco mais alto, porém ainda calmo. — Será que isso vai funcionar? Eu acho que tampouco. Você vai gritar e chorar. Mas nada vai preencher esse seu vazio, nem a experiência mais intensa do planeta.

— Que vazio? – sussurro.

— Sh. – Ele coloca o dedo sobre a minha boca e franze as sobrancelhas. — Fica de quatro, e espera com os olhos fechados. – Sua voz grave e arrastada dá a instrução. Curiosa, eu assinto e o obedeço, ficando de quatro na cama e apoiando o meu queixo sobre o colchão. Deixo as duas mãos apoiadas nele e agarro os lençóis. Sinto que, involuntariamente, acabo de começar a ofegar. Isso é o tipo de coisa que você fantasia, mas se caga quando a oportunidade realmente se apresenta.

— Você sabe algo sobre “safe-word”, senha? – ele pergunta, se levantando. Já não posso vê-lo nem senti-lo ao meu lado.

— Sim, senhor. – Sussurro. Eu lembro do que o Casandro me explicou sobre tudo isso. — Verde, amarelo e vermelho. – Completo a fala, baixinho. Estou nervosa, e o meu coração está se acelerando.

— Muito bem. Como você já sabe, não vou explicar tudo de novo. – Escuto seu risinho sacana, seguido de um puxão na sua calça jeans. O cinto se arrasta atritando-se no tecido grosso, produzindo o som de uma lixa. As duas fivelas gordas de metal se tocam por acidente, como se fossem o toque de um sino. Que apreensão.

Ele dá um golpe no ar com o cinto dobrado. Sinto o vento do movimento soprar violentamente do lado da minha pele. Foi um alarme falso, mas acabo de me encolher, trêmula. O lado sádico do Armin gosta de intimidar e de amedrontar.

— Baby… – sua voz sai emotiva, e baixa. — Quantas cintadas você acha que uma malcriada como você merece? – ele diz grave e levemente sarcástico. Sua voz não denota raiva, mais bem decepção e tesão.

— Eu confio em você, Daddy. O senhor sabe quantas são necessárias. – Respondo baixo, de um jeito agradável e amável.

— Você pensa mesmo que está feita para esse tipo de coisa, não é? Mhum… – ele solta um risinho curto e prepotente.

— Eu não sei, Daddy. Mas vamos saber agora. – Sussurro.

— Corajosa… – ele diz, lentamente, arrastando sua voz sensual, respirando enquanto fala. — Serão doze. – Armin se decide. — Parece ser a sua idade no Little Space. A de uma garota na puberdade… Que só fica pensando em sexo o dia todo. – Ele diz o último mais rígido, como se estivesse danando comigo.

— Mhuhm. – Mordo o lábio inferior, e dou um risinho curto e sarcástico como resposta.

— Você faz a contagem… e não erre. Se você errar, eu vou ter que começar tudo de novo! – ele exclama e dá outro risinho sacana.

— O que você está fazendo, Armin? – ouço André perguntando.

— É hora de você sair do quarto. Vai pro banheiro, se manda.

André não diz nada, decidindo permanecer. Não sei a cara que ele está colocando, e essa possível humilhação me faz corar e sentir um sentimento que não sei explicar. Não é excitação precisamente, mas é algo pervertido sem dúvidas.

Sinto uma mão inteira do Armin, aberta, alisar a minha bunda de um jeito circular e lento. Logo ele passa a cabeça dos dedos por minha bunda, demorando bastante tempo. Depois sinto a textura do couro na minha pele, o cinto dobrado em dois passando-se por uma nádega de baixo para cima, até os pelinhos fracos da minha pele se arrepiarem. Solto um gemidinho choroso.

— Tá ansiosa, hm? – ele sussurra.

— Sim, Daddy. – Respondo.

— E está com medo? – sua voz fica mais profunda e sombria.

— Um pouco. – Digo, ofegando.

O cinto para de se roçar em mim. E por uns vinte segundos, todos permanecemos calados, em silêncio. Estou aguentando a ansiedade pacientemente, sem dizer nada.

Quando a mesma está quase me vencendo, e estou a ponto de reclamar, sinto uma cintada repentina deixar uma listra ardente que começa a queimar minha pele apenas alguns segundos após, intensamente. Dói.

— Ai… – franzo as sobrancelhas, fazendo cara de dor. — Uma! – Começo a contar, como ele mandou, agarrando os lençóis. Ele acerta outra, na mesma nádega. — Duas. – Grito outra vez chorosamente, meu corpo vai para frente.

Ele acerta a terceira, e a quarta, e a quinta, muito depressa, enquanto as conto. Grito o número correspondente em cada uma. O barulho do cinto junto com o vento que este causa ao me acertar, é algo difícil de descrever. É erótico e violento ao mesmo tempo.

Armin acaba de parar e acho que foi de propósito. Estou ofegando. Me dou conta de que a dor intensa está vindo agora, e aos poucos. A ardência das cinco cintadas queima cada uma num ponto diferente da minha pele, elas vão ficando vermelhas.

— Seis! – grito, franzindo as sobrancelhas e apertando o lençol fortemente. Essa cintada foi exagerada. Encolho minha bunda e sinto duas lágrimas grossas descendo dos meus olhos. Ofego profundamente. Abro os olhos e levanto minha cabeça e logo agarro o lençol com mais força. Eu não vou reclamar. Sentindo a dor envolvendo toda a minha pele, descontraio minhas nádegas e tento respirar de um jeito mais profundo para ir me acalmando.

— Faltam seis. – Ele diz com sua voz sussurrada e sacana. Este não parece o Armin engraçado e amigável com quem estou acostumada. Mas eu estou gostando.

— Daddy… – Sussurro e, corajosamente, empino mais a minha bunda, expondo o outro lado, o que ainda não foi agredido.

— Putinha masoquista. – Armando sussurra, sarcástico, dando uns risinhos abafados. — Doente… – ele sussurra mais baixo.

Sinto uma mistura de sentimentos neste momento, pensando em se levar a sério ou não o que ele acaba de dizer. Então fico um pouco emparanoiada, momentaneamente.

— Você quer as que faltam? – ele pergunta baixo.

— Sim, por favor. – Respondo.

Eu quero que isso seja intenso e leve embora todas as minhas energias, até eu dormir profundamente. Eu nunca disse que eu era normal. Quero ser castigada. Quero que ele acabe com a minha vida. Porque eu sou um lixo.

— Isso te deixa molhada? – ele arrasta a voz, e pergunta com curiosidade. — Hm? – Armin acerta a sétima. Outro barulho violento de vento, e de golpe, toma conta do quarto. — Você está começando a sentir muito? – sinto outra cintada, a oitava. — Hm?! – ele pergunta, nervoso.

— Sim, Daddy! Eu sinto muito por ter deixado você nervoso, Papai! – Digo as duas frases mais sinceras e humilhantes da minha vida. Eu realmente sinto muito. Eu prefiro o Armin carinhoso, com quem eu tenho certa cumplicidade. — Eu sinto muito por ter traído você, Armin. Por ter ficado com o André nas suas costas. – começo a chorar baixinho.

— Não vai pedir para eu parar?! – ele pergunta autoritário e nervoso. — Como vai essa conta? – ele acerta outra, bem mais forte.

— Nove! – exclamo.

— Viu só?! O que… – “dez” —Acontece… – “onze” —…quando… – “doze” — Você… – “treze” — Me… “quatorze” — Ferra a minha paciência assim??? – “quinze”, “dezesseis”, “dezessete”, “dezoito”.

— Ai, ai, ah… Vermelho! – grito, perdendo todo meu orgulho quando ele está a ponto de dar a dezenove. Armin para em seco e larga o cinto violentamente. Este cai na cama, e suas fivelas chocam. Começo a encolher meu corpo, me transformando num ovo e puxo um lençol para cima de mim, tampando o meu corpo inteiro. Choro encolhida e desconsoladamente.

🎼 Mídia


— Sai daqui, André! Sai daqui! – Armando exclama imperativo e sério. Muito alto. Ouço André sair correndo do quarto apressado, de uma vez, sem nem pensar.

Estou tendo uma crise, meu peito sobe e desce. Todo o meu estresse está saindo por minhas ventas e por minha garganta. Meu rosto está ensopado de lágrimas. Mas eu não me sinto precisamente feliz. Eu sinto como se o mundo tivesse se desabado na minha cabeça. Estou confusa, e não entendo nada. Não consigo parar de chorar. Todos os meus sentimentos reprimidos estão saindo de mim nesse momento.

Estou chorando como um bebê.

E dói muito.

Dói muito.

Muito, muito.

Eu sou um lixo.

Sou um lixo.

Choro fortemente, sem parar. Gritando.

— Reflita. – Armin comanda, seco.

— Armando? Me abraça? – sigo, chorando. — Eu sei, eu sei que eu sou uma merda. – não paro de soluçar.

— Quando você se acalmar.

Sigo soluçando.

Ele me vira na cama e me olha nos olhos, pegando minha cabeça.

— Eu te amo. Nunca mais me despreze assim. Porque você me ama também.

Assinto freneticamente e tento abraçá-lo.

Ele me olha com dureza.

— Não vai embora. – digo, ensopada em lamúrias.

Armando segura a minha mão e se deita comigo.

— Comece a me obedecer. Eu sei o que é melhor para você. E eu vou te curar. Você NÃO é um lixo. Você apenas sofreu tanto que não se ama mais, e está disposta a tudo para que outras pessoas te validem e te amem.

— Eu sou um desastre. Eu me odeio.

— Sim. Mas você é o meu desastre. Dorme. Amanhã é um novo dia. Você é minha. Você é o meu desastre. Você é a minha garota. Descansa. Eu amo você.

***

🎼 Mídia

Accordion title 2


“Naquela noite havia vários motivos para que eu quisesse me matar. O principal era o velho de sempre. A morte do Marcos. Mas agora havia outros. Eu havia saído de casa com a finalidade de começar de zero. No entanto, de onde, com que base, eu vou começar do zero, se eu não tenho ninguém?

Você já reparou que em todo amor de verdade as 2 partes correspondem uma a outra? É por isso que eu acho que apesar de que não estávamos mais juntos, e apesar de que ele havia terminado comigo, ele ia voltar. Ele só precisava de tempo.

Nenhum amor vai ser como esse. Quando eu acho que alguém poderia chegar a igualar a cumplicidade que um dia eu tive com ele, essa pessoa comprova o que eu já sabia: é impossível. Ele morreu e nunca mais vai voltar.

Aqui no alto da cobertura deste hotel Parisino eu estou pensando em você e lembrando de você, enquanto Armando dorme dentro do quarto após haver visto tudo de mim: minha parte mais frágil, minha parte mais forte. Sem ser suficiente.

Sentada na beirada, com a terceira garrafa de vinho barato na mão, já quase pela metade, e meu inseparável porro de marihuana, eu penso sobre as nossas conversas intermináveis sobre política durante os nossos passeios noturnos, alheios à sociedade, pois em vez de estar dançando no meio de desconhecidos preferíamos estar acompanhados só um pelo o outro. Suficiente. Nos bastávamos.

Veja só eu, agora, Marcos… A sua garotinha intocável, no alto de um hotel, só de lingerie.

Nós nunca teríamos transado da forma como eu transo com seus substitutos. Eu te amava tanto, você me deixava tão tímida e insegura, que toda vez que você se aproximava para transar comigo eu começava a rir de nervosismo e ficava vermelha. E isso te causava ternura, claro. Fazia você ser gentil e carinhoso. Me submeter a você virou uma fantasia. Nosso amor era muito puro para essas perversões… Minha submissão: isso foi a única coisa que eu não te entreguei durante a nossa relação.

Você me respeitava tanto como mulher e levava tão a sério quando eu opinava sobre assuntos tabus com convicção – como se caso eu chegasse a ser Rainha você estivesse disposto a ser o guarda fiel –, que eu tinha vergonha de ser frágil contigo na cama. De deixar o seu animal selvagem roubar o controle da nossa relação. Eu sempre estive por cima, te fazendo de gato e sapato. Que humilhante seria… Que você me amarrasse, me xingasse e me possuísse. Virou fantasia. E não era seu estilo. Você também ficava nervoso quando transávamos, com medo de me machucar, de me perder, de parecer estranho. Tabus.

Mas nossa relação não era só isso. Sexo… Eram conversas intermináveis, troca de conhecimentos sobre História e cultura, alucinações com drogas, passeios noturnos com minha cadela (que em pouco tempo te amava mais do que a mim), observar o rio e os patos à noite… Transar invadindo edifícios, passar tardes inteiras agarrados e abraçados no seu quarto (que tinha cheiro de fumaça de cigarro misturado com o cheiro reconfortante do amaciante que exalava das suas hoodies, um cheiro que eu chamava de “olor a osito”).

No escuro do seu quarto… Seu coração batia no meu calmo. E eu te perguntava:

— Por que você está tão calado, ursinho? – com a minha melhor voz amável.

E você respondia convicto:

— Porque contigo eu fico calmo. Não precisamos falar muito. Eu estou exatamente bem assim, como eu estou.

Você me amava melhor em silêncio. E às vezes dizia que se expressava melhor em verso do que em prosa.

Me expreso mejor que en prosa, en verso.

Son rimas hermosas, mandándote besos.

Tarjetas sin rosas, de un sin rejas preso

sin patria ni fosa donde caer muerto.

Cada garoto que eu conheci tem algo de ti. Mas nenhum tem tudo. Introvertido, Marcos. Ao contrário do Armin. Apesar de que às vezes acho vocês dois muito parecidos. Com exceção da cor dos olhos. Os seus eram marrons, amarelados, e quanto mais de perto fossem admirados, mais bonitos eles ficavam. Os do Armin, ao contrário, saltam vivos, e de longe. E é como se ele quisesse escondê-los, como se quisesse tampar sua alma. Chamar muita atenção lhe deixa estressado e desengonçado. E ele sabe que eu noto que, na verdade, ele é tímido.

Será que você ia gostar dele para mim, Marcos? Eu sei que, onde você estiver, você ia querer me ver feliz… Ele não é você, mas há coisas novas nele, que você não tinha, que poderiam me fazer amá-lo de verdade, individualmente. Sem compará-lo com ninguém. Do jeito que ele merece.

Quando você morreu eu tinha mania de ligar para o seu celular. Dava 3 toques e 1/2 e caía na sua caixa postal. Você nunca gostou da ideia de gravar uma mensagem com a sua voz nela. Então eu tinha que entrar no seu myspace e escutar a única música que você tinha gravado sua cantando. E eu ficava escutando ela por horas e horas até dormir.

Eu também jogava o tarot e ficava perguntando: O Marcos está aqui? Eu ia contra as regras do jogo e fazia a mesma pregunta várias vezes no mesmo dia, dentro do espaço de uma hora, para ser sincera. Às vezes na resposta saía que sim, às vezes saía que não. Era contraditório. Você sabe, “superstição”.

Só que havia uma carta que sempre aparecia mais do que as outras, “A Força”. Representada por uma mulher que domina um leão, animal que simboliza as forças da natureza, que nós homens não somos capazes de controlar.

Talvez era você dizendo: força. Eu quero te ver forte. E então eu acreditava nisso e a minha vida pós-você se agarrava na crença de que você me queria viva. E forte. Que eu ainda precisava fazer algo importante neste mundo, alguma missão. Ou que todos os meus sonhos ainda se realizariam.

Mas até agora eu não vi o rumo certo, a luz, o lugar onde eu vou me sentir bem. Nem encontro ninguém como você.

Eu lembro que quando começamos a sair eu sempre usava saia com meias finas num frio de cinco graus. Aí você me perguntou certa vez se eu não estava congelando. Era para ser sexy para você. Mas ok. Eu até fiquei ofendida, mas depois me dei conta de que para você era mais importante que eu estivesse à vontade, quentinha para não adoecer, do que sexy para você. E eu te achei especial. Um cara que coloca o amor por cima do sexo.

É por isso que nosso romance era puro, docemente infantil. Mas apesar disso, sincero e verdadeiro.

Sexo é secundário e tem conserto. Mas abandono não. Nós poderíamos ter fugido de Barcelona e ido para Torrevieja, quem sabe. Uma cidade mais barata, mais pequena. Trabalharíamos, estudaríamos, compraríamos a nossa casa. E o mais importante de tudo: eu estaria livre dos meus “pais”.

Mas você foi egoísta e virou a cara para a minha depressão. Pensou que não era nada demais, que eu aguentava, que não era caso urgente. Se viver debaixo do teto de um assassino não era alarme vermelho demais para você, então o que poderia ser?

Você me decepcionou e quebrou. E aí eu fiquei viciada em adrenalina.”

Salvo na nuvem o escrito no meu notebook. O fecho e o empurro pelo cimento da cobertura. Apoio as duas mãos na beirada, também de cimento. Minhas pernas estão para fora e estou sorrindo. Que cidade linda agora a noite. Estou tão bêbada que sinto os dedos dos meus pés de uma forma doce, e especial, enquanto roço uns pelos outros, descalça, mas com os pés vestidos com duas meias delicadas de renda branca.

Eu vesti um vestido preto que tem uns véus que parecem umas asas de fada quando eu levanto os braços. Eu queria colocar um branco para que os outros me enxergassem como alguém inocente, mas a minha alma estava pedindo preto. Eu fiz umas tranças finas no meu cabelo e me inspirei em guerreiras ancestrais para prendê-las e distribui-las por minha cabeça. Mesmo sendo brasileira. Porque a música celta sempre me deixou emocionada, mas também a lírica medieval galego-portuguesa…

🎼 Mídia


Quantas sabedes amar amigo

treides comig’ a lo mar de Vigo.

E bannar nos emos nas ondas!

Então eu sou lusitana por dentro do vestido, celta por gosto, e vestida de preto por honestidade. E na minha origem, na verdade, várias etnias. Eu sendo tudo, e não sendo nada.

Eu me deitei na beirada da cobertura apoiando minhas costas e a minha cabeça completamente nesta pedra desconfortável. E tirei da minha bolsinha de lantejolas prateada uma cartela de adesivos de borboletas coloridas. Preguei uma na testa, outra na ponta do meu nariz, algumas por minhas bochechas, outras pelos braços, e inclusive uma mais ousada na lateral da minha coxa.

Peguei dentro de um bloquinho de notas uma rosa branca que eu roubei do bouquet que o Armin me deu. Quando? No momento em que ele me entregou, eu já sabia que a minha mãe ia sentir inveja das flores e estragá-las ou jogar elas fora.

Então sem que ninguém percebesse, eu arranquei a cabeça de uma das rosas e a escondi no bolso da calça. E logo coloquei ela dentro desse caderninho. Que tem uma capinha de abacaxi que eu odeio… As pessoas sempre me dão coisas fofas de presente, nunca acertam o meu gosto.

A flor está oxidada. Tem um tom de branco leitoso com manchas marrons em cada pétala, concentradas mais nas bordas, e espirradas pelos centros como se houvessem sido pintadas com aquarela. Mas eu prefiro descrever as manchas como douradas. A rosa ainda desprende um aroma fraco e tem um cabinho verde escuro, curto e maltratado, mas eu consigo usá-lo para pegar a flor, aproximá-la do meu nariz, e rodá-la de um jeito feminino e apaixonado enquanto a cheiro, absorvendo toda a sua sedução e delicadeza pelo olfato.

Acabo de perder o beck que eu estava fumando. Sem dar o último trago. Ele caiu de uma altura de quinze andares e se perdeu num pedaço de calçada de Paris, solitário. Meu braço também caiu, e ficou pendurado, sem forças, com os dedos das mãos ainda posicionados como se ainda houvesse um cigarro entre eles.

Estou cansada e vou dormir aqui, na beirada. Se eu rolar para a esquerda, é Armin. Se eu rolar para a direita, é Marcos!

Hahaha.

Viciada em adrenalina, viciada…

O meu corpo apaga. Covarde, eu… Bebi o suficiente para não sentir nada. Me droguei o bastante para ficar anestesiada, por horas. E não me despedi de nada. Porque eu não tenho nada.

O que eu escrevi no notebook não era uma carta de suicídio. Era só vontade de registrar. Algo em algum lugar.

Brancas, azuis

Amarelas e pretas

Brincam na luz

As belas borboletas.

🎼 Mídia


* * *

O dia em Paris amanheceu cinza quando eu caí no chão. Anteriormente, eu dormia num sono profundo com bilhete de viagem direta para um lugar imprevisível. Quando os meus ossos se quebraram em mil pedaços e a minha cabeça explodiu jorrando sangue na calçada cinza, o impacto me acordou. Eu abri os olhos e senti toda a dor. Avassaladora e incomparável com qualquer outra, por ser a pior de todas.

No escasso minuto que durou os últimos suspiros da minha consciência, eu ainda vi um círculo composto por sapatos sociais, botas, sapatilhas, tênis e sandálias ao redor do meu corpo. Eu ainda escutei os gritos desesperados. Eu ainda abri um sorriso ladeado vendo os pés pequenos de uma criança de uns sete anos. Sinto muito, Marcelo. Sinto muito, irmão.

Não sou capaz de mover mais nenhum membro. Eu quis isso. Mas será que eu quis mesmo? O meu destino é o produto do sistema. Eu não fui forte o bastante para lutar por mim mesma. Para passar fome, para aguentar mais humilhações, dessa vez de pessoas da rua, que eu nem conheço. Eu já estava fragilizada demais.

Minha vida vai se esvaindo e tudo está vai ficando completamente escuro. Abro um sorriso pequeno antes de morrer. E fecho os olhos. Os murmúrios externos das pessoas que estão preocupadas comigo agora se misturam com sussurros internos assustadores, incompreensíveis e demoníacos. Eu estou entrando no submundo, parece ser. E há consciência após morrer.

* * *

Não sei quanto tempo passou. Mas sei que estou morta. De pé, e vestida da forma como eu morri, eu vejo o meu corpo espatifado no chão. Todo fodido. Armando e André estão checando-o. Eu já não sei o que é realidade ou ilusão. Eu não sei se isso é verdade ou não.

Não sei se a nossa consciência segue funcionando quando o nosso corpo morre. Não sei se estou sonhando. Mas o moreno está agachado sobre mim, agarrando a minha cabeça com as duas mãos como se eu fosse o seu bebê, gritando o meu nome com os olhos cheios de lágrimas, com as veias do pescoço quase saltando da pele, com o borde dos olhos vermelhos.

— Eu não sabia que você me amava tanto. – Sussurro, envergonhada e toco o seu ombro, agachando-me do seu lado. Ele está desconsolado e não para de fungar enquanto observa o meu rosto todo com pena, como se algo lindo e precioso houvesse se quebrado. Aliso seu cabelo negro e fino. Ele não me sente. — Eu vou cuidar de ti, Armin… Daqui… Se eu puder. Meu menino, meu lindo menino… – começo a ver toda a história dele desde que ele era pequeno, como um filme. Uma história triste de abusos, brigas, solidão e sobrevivência. – o aliso com mais carinho, e pena.

André está ligando para uma ambulância, conversando em inglês no celular. Ele está nervoso, tremendo, desesperado. Vejo como ele desliga o celular e olha o seu irmão com ódio no rosto.

— Você viu?! – André grita. — Seu marginal filho de uma puta! Você sempre fode com tudo! Seu louco da porra! Tu não devia ter feito isto com ela ontem! – ele exclama desesperado. Sinto uma dor irremediável.

Eu provavelmente acabo de estragar a vida deste garoto. Ele será investigado.

“Agora a garota se suicidou por sua culpa!” André houvera pronunciado, se eu não houvesse jogado toda a minha energia para impedir que essa frase saísse de sua boca e gerasse um Rei de cristal quebrado para sempre, como eu.

Não foi culpa dele, André. Foi culpa minha. Só minha. Você não vai dizer isso ao Armando, André. Cala a porra da sua boca, pra ele poder sobreviver. Ele ainda tem coisas à fazer vivo.

Armando, de joelhos no chão, com as pernas afastadas, tampa o próprio rosto e chora alto e desesperado. Agoniado. Polícia e ambulância estão chegando. As autoridades não demoraram em mandar ele deixar o meu corpo sozinho.

É triste tudo isso. Eu diria, Armando, que eu também te amo, e que agora me sinto arrependida, mas é tarde demais. Por tanto, mesmo que eu me sinta uma merda agora, eu vou ter a cara de pau de fazer isto. Aproximo o meu rosto da sua pele macia e o beijo enquanto o seguro.

Obrigada por tudo.

Obrigada por me amar de verdade, neste pouco tempo em que estivemos juntos.

Papai.

* * *

🎼 Mídia

Accordion title 2


Eu não sei quanto tempo eu levo vagando, e já não importa. Não há nenhuma pressa, verdade? Eu consegui achar o cemitério de Barcelona sozinha. Estou passeando por um jardim verde, cheio de flores rosa fúcsia. Seguro um ursinho de pelúcia marrom pequeno, o primeiro que ganhei de um garoto, aos dezessete anos.

Vou me aproximando até a tumba do Marcos e me sento na beirada dela, apoiando as minhas costas na escritura.

“Marcos Aragón 1992-2013”.

— Eu lembro que quando eu tentei te ver no hospital eu não dava a mínima. Se eu me contagiasse com a sua meningite e ficasse doente que nem você, e morresse, não me importava. Tudo o que eu queria era te ver, mas o seu pai não deixou porque o Matias te ameaçou de morte. Eu até pedia a Deus para ele te curar e passar a doença para mim.

Fungo um pouco, chorando lágrimas grossas, enquanto sussurro tudo isso baixinho. Aperto o ursinho com um pouco mais de força.

— Mesmo assim… – Choro um pouco mais, sem me controlar, me lembrando de certas coisas. — Três dias antes de você morrer eu invadi o hospital e entrei no seu quarto. Você não estava consciente, mas eu peguei na sua mão e beijei a sua testa. – Suspiro profundamente.

— Depois eu saí do edifício, tentando não ser pega. E é claro que eu não me arrependo de ter feito isso. – Limpo o meu rosto e coloco o ursinho de pelúcia sobre a tumba. — Eu fui proibida de assistir o seu enterro e tive que vê-lo de longe. Todos os seus amigos e toda a sua família estava ali. Menos eu. A pessoa que mais te amava. – Lágrimas grossas descem pelo meu rosto, já não sou capaz de controlar as minhas emoções.

Este lugar é cheio de vultos e de pessoas que não sei se estão vivas ou mortas. Mas todas essas consciências parecem respeitar o meu luto e a minha dor.

Começo a escutar uma gaita suave. Não sei de onde vem, mas a melodia é tão bonita e tocante que as minhas lágrimas estão secando e a minha respiração está se acalmando. Fecho os meus olhos e fico escutando as notas, às vezes desafinadas, por mais de dez minutos, até que a melodia para em seco. Os abro para entender o porquê do fim e olho para a esquerda.

Marcos está sentado num banco de pedra cinza enfeitado com a escultura de um anjo de cada lado. Meu corpo todo se acelera. Ele está usando uma camisa listrada, a mesma com a que o enterraram, um paletó preto, uma calça social escura e sapatos formais. Segura a gaita com as duas mãos, com os braços repousados sobre suas pernas. Sua expressão é tranquila e pacífica como sempre. No seu rosto há um sorriso ladeado.

Seus olhos amarelos me fitam profundamente, brilhantes, com um tom dourado surreal. Abro o sorriso mais enorme da minha vida.

— Você não vai dizer nada? – dano, sorrindo, ofegando.

— Sim. Primeiro… Perdão. E segundo, eu te amo, Malvina. Nós estamos juntos agora. – Ele murmura. Seus olhos começam a brilhar como duas pedras de ouro, e a expulsar lágrimas tímidas e contidas. Mas são de alegria.

Quando nós dois nos abraçamos, foi como se as nossas almas houvessem se fundido.

E subimos direção ao céu, transformando-nos em duas luzes de energia branca, e logo em apenas uma, confirmando que o Marcos sempre foi parte de mim, e eu parte dele.

Não sei porque Deus nos perdoou.

Talvez porque morremos ambos inocentes e imaduros.

“A próxima vez que nos dividirnos para nos encontrarmos, Malvina…” sua voz conversa dentro de mim “Eu não vou abandonar você”.

Choro.

Dentro de nossa energia. 

“Eu tenho que cuidar do Armando, Marcos.”

“Não se preocupe, Malvina. Ele sou eu, em uma realidade alternativa. E você ainda segue viva em outra pessoa, e em outra realidade alternativa. Nós vamos nos encontrar, quando o Armando achar você de novo, em outra garota. Na realidade dele. E naquela vida.”

“Como assim, Marcos?”

“Vem… Nós vamos ir à um lugar lindo juntos. E estudar um pouco sobre tudo isso, ok? E logo podemos nos divertir juntos, passeando por outros mundos. E logo, quem sabe, voltar à Terra, ou seguir por aí. Por enquanto você só tem que entender que esta consciência, a de Marcos e Malvina, não é a única consciência que nós temos. Somos mais grandes do que isto, e a nossa essência está dispersa em vários corpos terrenais diferentes.”

Sorrio.

“É verdade isto?”

“Sim. É verdade!”

Gargalho.

“Então você é assim dominante também, que nem o Armando?”

“Mhm… Sempre fui. Não tanto como Marcos, já que essa minha consciência é mais curiosa. Guiada por Sagitário. Eu reencarnei para aprender e incidir. E quando me deu preguiça de cavar, morri por estar indo contra o meu propósito. E morri por não cumprir com o meu karma, que era salvar você, como você me salvou em outra vida.”

Esfregamos o nariz um no outro.

“Não pense em coisas sexuais aqui, se não a nossa vibração vai abaixar e seremos súcubos e íncubus. Preciso te mostrar coisas antes, amor.”

“Ok, Papai.”

Rimos juntos.

Nossas luzes começam a se separar e uns chifres de diabo vão saindo no Marcos, seus olhos dourados reluzem de maneira surreal.

“Viu? Você também está ficando diferente.”

Toco minha cabeça e confirmo.

Dou risinhos e limpamos nossas mentes.

Estou curiosa por saber como são as coisas aqui. Então decidimos limpar nossas mentes para elevar-nos, por enquanto. De acordo um com o outro.

“Marcos, somos a mesma pessoa? Eu e você?”

“Não exatamente… Mas nós… Sempre, sempre estivemos juntos. Quer assistir?”

“Sim!”

“Então vamos. Temos todo o tempo do mundo!”

E viajamos à velocidade da luz.

E descubri que realmente, desde quando não éramos nem sequer consciencias desenvolvidas, estivemos juntos.

Que lindo.

Nós morremos juntos na África, perseguidos por traficantes de pessoas. Marcos correu com os nossos bebês pelo mar, e eu fiquei um pouco mais atrás. Um tiro acertou minha perna e eu me afoguei.

Porque essa temática se repete nas minhas encarnações?

“Marcos, eu te salvei?”

Nós morremos juntos enforcados, na França, perseguidos pela santa inquisição. Porque eu era “uma bruxa”, e Marcos por me defender, já que eu o havia curado de uma deficiência física nas pernas, com os meus feitiços.

E antes disso fomos animais, de diferentes espécies.

E também fomos peixes.

E formas vivas parasitárias.

E níveis cada vez menores de consciência.

Nós estamos evoluindo, no entanto.

Deus nos dá… Esta oportunidade.

De parecer com ele, cada vez mais.

Quanto mais aprendamos.

Suspiro profundamente.

Feliz.

Esperançosa.

Parece que já passaram alguns anos.

Aqui passa mais devagar que na Terra, além disso.

E Armando já tem um novo amor.

“Aí estamos, lá embaixo. Malvi. Evoluindo.” Marcos dá risinhos.

Observo Armando sendo feliz, e sorrio.

Meu menino.

“Acho bom ele pagar a minha dívida contigo, Malvina. E cuidar direitinho dela dessa vez.”

Sorrio.

“Você é linda. Maravilhosa. Morreu por mim várias vezes. Da próxima eu vou morrer por você.”

Rio baixinho.

“Não precisa. Só fica do meu lado.”

E agora entendo as ânsias do Armando.

As ânsias mágicas, inexplicáveis, desesperadas e irracionais por cuidar de mim.

🎼 Mídia


FIM

VOCÊ MATOU A PROTAGONISTA!

Bad, bad girl.

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