🎼 Mídia

https://soundcloud.com/user-32412281-399659762/lollipop?utm_source=clipboard&utm_medium=text&utm_campaign=social_sharing

Armando Locke

Hoje já é quinta feira e as provas acabaram. Eu combinei de ver com a Nicole para irmos juntas para o colégio, e nos encontramos no parque que tem perto da minha casa.

Ela é uma garota ucraniana está estudando conosco temporalmente. A pele dela tem uma cor de baunilha acamaremada, possui uns olhos cor de esmeralda vivos e saltões, e um cabelo longo e loiro. Seus lábios são muito bonitos, carnudos e grandes. E ela tem um sorriso de deixar encantada.

─ Oi, linda! – ela exclama ao me ver, e nos abraçamos.

─ Oi, Pa! – lhe dou um beijo no rosto e nos separamos, caminhando próximas até a escola. ─ Tudo bem, amiga?

─ Tudo. – Ela abre um sorriso simpático e encantador. ─ Lynn… Será que você pode me explicar o que é isso da “Noite Branca” do que todo mundo está falando…

─ Ah… Claro! – lhe abro outro sorriso terno. ─ Bom… É uma atividade extraescolar que se chama assim “Noite Branca” Acontece todos os anos antes do Halloween – Como Armando e Arantcha já tinham me explicado, agora era minha vez de passar os conhecimentos para a linda da Nicole, que também é novata.

─ Sim, parece interessante. – Ela sorri simpática.

Nicole é inteligente, melhor vou direto ao assunto.

─ Então, hoje a Escola vai ficar aberta até as dez da noite, e há jornadas de portas abertas e algumas atividades especiais.

─ Ah, é? Quais? – Ela ergue uma sobrancelha.

─ Os estudantes de Iluminação e Som vão vir fazer um espetáculo de fogos de artifícios e jogos de luzes no nosso colégio. E os estudantes da Escola de Artes Cênicas também vão vir nos visitar. O legal é que eles se vestem de personagens aterradores, como Fred Krueger, Noiva Cadáver, Slenderman… E se espalham pelo colégio em zonas escuras e tentam nos assustar. – Rio, vendo como Nicole se diverte.

─ Que legal. Fico feliz de ter vindo estudar aqui! – Ela sorri.

─ Sim… É porque estamos numa rama artística. Então a direção quer que entremos em contato com os alunos universitários para que pensemos no nosso futuro.

─ Ahh… Entendi. Então teoricamente é educativo.

─ Teoricamente! – solto um risinho malicioso. ─ Você trouxe roupa além do uniforme? Eu trouxe um vestido dentro da mochila, olha… – Abro minha mochila e mostro para Nicole.

─ Mm… – Ela murmura, com os olhos brilhando. ─ É bem lindo, vai te valorizar muito esse vestido xadrez com sainha preta.

Coro, olhando o rosto da garota mais linda do colégio inteiro.

─ É permitido beber? – ela abre um sorriso malicioso.

─ A Elisa me disse que há um vazio legal enquanto a isso. – Também rio maliciosamente. ─ Há uma “lei não escrita” de que não devemos beber, nem trazer drogas, nem fumar. Mas ninguém está nem aí para isso.

Nicole gargalha.

─ Interessante. – Ela sussurra, sensualmente.

Acabamos de caminhar, até o bar que tem na frente do colégio. Nicole segura meu braço e me olha. ─ Lynn, eu vou ir conversar um pouco com outra amiga que está ali na porta. Ela está com uns problemas em casa e queria falar comigo. Tudo bem? – Ela pisca um olho.

Assinto.

─ Lynn!!! – ouço três vozes me gritando desde o bar. Quando me giro André, Elisa e Armando estão numa mesa no terraço.

─ Que sol do caralho que está fazendo hoje. – Diz Armando, seguindo a conversa banal dos três. Ele está sem o paletó do uniforme e com vários botões da camisa desabotoados.

─ Ah, temos que aproveitar. Não é todo dia que temos um pouco de sol, né. – André responde.

Beijo os três no rosto antes de me sentar.

─ O que você vai tomar, senhorita? – Me pergunta a garçonete.

─ Um café com leite e adoçante. – Respondo, com um sorriso.

Ela volta em poucos minutos e me traz o café.

─ Como foi nas provas, amiga? – Pergunta Elisa, acercando o rosto para perto do meu e se apoiando na mesa.

─ Acho que bem! – exclamo. ─ Não tiro nove ou dez, mas acho que um seis ou um sete pode sair. – Eu sorrio. ─ Já era hora, eu estava muito estressada. E você?

─ Eu também, cara! – Elisa assente concordando. ─ Acho que devo ter ido bem, sei lá. – Ela suspira.

Escuto um arroto enorme.

Olho para o lado e foi o Armando.

Ele havia acabado de beber um copão de cerveja logo de manhã, e falta meia hora para entrarmos.

Ele sempre faz essas coisas quando não está nem aí para nossos assuntos.

Besta.

─ Seu porco! – diz André. É engraçado como ele sempre tenta educar o Armando.

O moreno gargalha.

Ele levanta o copo, olhando a garçonete e lhe diz: ─ Quando puder, traz outra cervejinha. Hm? – Ele diz com um tom mimoso, bem fofo. A garota fica até descolocada.

─ Chega! – Elisa assente negativamente. ─ Você já bebeu uma, Armando! Vai ficar bêbado e tonto na aula. Coitada da Malvina, que vai se sentar perto de você hoje!

─ Por quê? – Armando franze as sobrancelhas, falsamente chateado.

─ Porque ou você não vai calar a boca a aula inteira ou ela vai ficar escutando o barulho da musiquinha do Mario Bross da sua PSP. É o que dizem sobre você, e sobre como aproveita as aulas. – Ela acusa, seca e mandona como sempre.

─ É mentira isso… Sabe, eu… Eu ponho fone. – Armando junta os olhinhos. Acabo gargalhando.

─ Por que você está bebendo, Armando? A Elisa tem razão… – Rio, recriminando-o por diversão também.

─ Bando de chato. – Ele me olha, e sinto que quando eu o recrimino, ele fica bem mais sem graça do que quando André ou Elisa fazem isso. ─ O álcool estimula a criatividade, Lynn. – Ele ergue uma sobrancelha, e sorri debochado, me fazendo rir. ─ Eu estou desenvolvendo um jogo, tem enredo e é interativo. Eu fico bêbado para me inspirar, assim os diálogos são mais engraçados!

Gargalho.

─ Cara… Já vejo que você vai ficar fazendo as suas coisas na aula hoje de novo, em vez de prestar atenção.

Ele pisca um olho, sorrindo com seus lindos dentes branquinhos.

─ Como você faz para aprovar? – Pergunto.

─ Eu anoto os títulos dos capítulos, e os subtítulos, e depois olho na Wikipedia. Muitas vezes está melhor explicado lá do que com os professores. – Ele se despreguiça. ─ Ai, ai…! Olha isso, André… Quem vai morrer em GOT? – Ele começa a mostrar uns memes para o André e os dois riem juntos, bem pertinho um do outro. Fico olhando como eles se parecem até que Elisa me chama.

─ Pss, bitch. Você ainda não me deu detalhes sobre o Luíz. – Ela move seus ombros empolgadamente, rindo.

Gargalho e seguro a mão da Elisa.

─ Foi maravilhoso, amiga!

Os gêmeos se giram e me olham.

─ Quê? – Diz André. ─ Luíz?

─ Vocês se pegaram, é? – Armando ergue uma sobrancelha, com um sorriso divertido. No entanto, sua voz é lenta e mais baixa do que o habitual. Parece até que ele está me analisando.

─ O quê?! – André repete, todo empolgado. ─ Quero cem por cento de detalhes, agora.

─ Aff. – Armando cruza os braços e se encosta na cadeira. ─ Eu não quero saber essas fofoquinhas de cunhadas.

─ Ah, então sai daqui. – André responde.

Todos rimos do Armando.

─ Vai, conta logo! – Diz o de cabelo azul, girando-se para mim.

Armando aperta mais os seus braços cruzados e nos olha, revirando os olhos.

─ Fim de semana passado eu conheci melhor o Luíz…

─ “Melhor”, ─ interrompe André. ─ Ou seja, vocês chegaram lá?!

─ Sim! – exclamo. ─ Você não me deixa contar. – Cruzo os braços.

Armando toma outra golada de cerveja e começa a olhar o celular.

─ E como foi? Um pouco mais de detalhes, né, mulher! – exclama André.

Começo a rir envergonhada, tampando a boca.

─ André, cara… Foda-se como foi. – Armando retruca com o irmão, fazendo eu e Elisa sorrirmos. ─ Como você é fofoqueiro, André… – Nós seguíamos rindo do Armando.

André o olha e logo se gira de novo, não lhe dando importância.

─ Vai, conta logo! – Insiste André.

─ Bom… Nós nos beijamos na varanda… quando Luigi e Elisa nos deixaram sozinhos.

─ Muito oportuno. – diz Armando.

Elisa começa a rir e André olha Armando maliciosamente.

─ Ué? Você disse que não queria saber. – Sacaneia o de cabelos azuis.

─ E depois nós demos um passeio a cavalo…

─ Nossa! – André exclama.

Armando começa a rir zombeteiro, sem parar.

─ Passeio “a cavalo”. Hahahaha.

─ Tss… – O ignoro. ─ E fizemos amor no rio. Logo tomamos banho juntos, e dormimos vendo um filme agarradinhos.

─ Own! – diz André.

Elisa bebia seu suco, mordendo o canudinho com um sorriso muito feliz no rosto.

─ Ele é muito fofo, né? – minha amiga pergunta.

─ Sim! – respondo.

─ Pff… Não sabia que você era romântica, Lynn. “Country girl”, princesa da Disney… Essas coisas… Hahahaha. – Armando me olha rindo, mas sinto que é um olhar profundo.

Minhas bochechas coram um pouco.

─ Não, na verdade eu não sou romântica. Mas o Luíz me surpreendeu.

─ Mm… Entendi. Eu achava isso de você mesmo… Pelo que eu te conheço. – Ele abre um sorriso ladeado.

─ É bom variar às vezes, não é? – lhe pergunto.

─ Não sei… Eu não tenho paciência para meninas fofas demais.

─ Ué… Mas você pega alguém?

Armando gargalha, seguido de André. Os dois me olham com sorrisos muito pícaros.

─ Toda quinta, sexta e sábado tem uma menina diferente gritando no quarto do Armando. Eu quero ser readotado, amiga. Me leva para sua casa? – André diz, juntando os olhinhos.

Readotado?

─ Quê?! – Rio. ─ Jamais imaginaria isso de você, Armando.

Decido não perguntar nada impertinente, por enquanto.

O moreno ri sarcástico e pisca um olho, mordendo os lábios em seguida com sensualidade. ─ Hm… Há muitas coisas sobre mim que você não sabe. – Ele diz com um timbre arrastado.

─ Ah, é? – ergo uma sobrancelha.

─ E pelo visto… Há muitas coisas sobre você que eu não sei. – Ele começa a flertar comigo, como se Elisa e André não estivessem. Me olha diretamente os olhos. ─ Por exemplo… Você tem o rosto delicado e parece tímida à primeira vista, mas sua mente é bem perversa, não é? – Armando ri.

─ Estou de acordo. – Elisa afirma. Os quatro rimos na mesa.

─ Não!! Eu não sou tão pervertida assim. – cruzo os braços, me fazendo de ofendida, eles gargalham.

Quando vou saindo da suposta ofensa na que estou, me dou conta de que enquanto Elisa e André estão distraídos, com os olhos quase fechados, contraídos pelas gargalhadas, Armando está com um sorriso ladeado enquanto me fita, sarcástico e divertido.

Quando nossos olhares se encontraram, ele pisca um olho lentamente.

Acho que eu nunca reparei de verdade, como agora, no quanto os olhos dele são bonitos. Eles ficam mais claros contra a luz do sol, são profundos, intensos, brilhantes. Suas sobrancelhas têm um negro intenso, sempre estão despenteadas e são um pouco arqueadas, o que lhe dá um olhar maligno. André depila as dele, e por isso talvez não sejam iguais.

Armando não é excessivamente forte, está definido e tem um corpo que muitas mulheres adoram. Nem inchado demais, nem magro demais.

Além de tudo… Sua risada é extremamente contagiante, assim como o senso de humor. Para mim, isso é realmente atrativo.

Mas claro… Eu nunca quis, realmente, estragar a nossa amizade.

Sinto minhas bochechas queimando, e paro de olhá-lo.

─ Mhuhm… – ele dá uma leve risadinha rouca, sarcástica. Isso me surpreende, pois nunca havia ouvido esse timbre na voz dele.

─ O que vocês acham de vir na minha casa quando A Noite Branca acabar? – sugere André.

Armando fecha o seu sorriso e apoia um cotovelo na mesa, e com o outro sustenta seu rosto. Ele volta a olhar para mim com um sorriso ladeado, me analisando.

Parece que ele quer saber a minha resposta.

─ Acho que por mim tudo bem… Ainda não fiz planos. – Respondo.

André abre um sorriso.

─ Pode ser super divertido! Só estamos eu e o Armando hoje, não é Armando? – Ele olha o moreno.

─ Hmm… Sim… – Ele abre um sorriso malicioso, e segue me olhando. Ele faz isso de um jeito que só eu consigo entender a malícia da sua expressão. Por isso libero um risinho pícaro e baixinho.

─ Acho que eu não posso. – Elisa faz cara de pena para os meninos. E antes que André comece a insistir, ela olha seu relógio. ─ Temos que ir para a aula, pentelhos. – Ela sorri e se levanta, pegando a sua mochila. ─ Já são nove da manhã.

─ Malditas “nove da manhã”. Armando rezinga e André abre um sorriso.

O de cabelos azuis se levanta e vai para o lado de Elisa, e começam a caminhar juntos enquanto eu e Armando estamos nos levantando também.

─ Vamos! – Exclamo.

Nesse momento, Armando passa o braço por cima do meu ombro e começa a caminhar comigo, com um sorriso no rosto, me puxando contra ele. ─ Hm… Quer saber? – Ele murmura, perto do meu ouvido. Fico um pouco chocada, sentindo o sopro quente por ali.

─ Quê? – Solto um risinho suave, e o olho corada.

─ Depois você podia me contar mais detalhes, se você quiser. – Ele sussurra.

Dou uma risada.

Armando começa a mostrar um sorriso amplo, bem gozado.

─ Você ficou curioso mesmo, não é? Fofoqueiro! – Zombo. ─ Só não quer que o André veja que esses “papos de mulherzinha” também te deixam agradam. – Sigo rindo dele.

─ Hm… – Ele me olha e murmura. ─ Sim. Mas eu estou curioso porque é sobre você.

Curioso por que é sobre mim?

Ele gosta de mim?

Meu sorriso se fecha um pouco.

O agarro pela cintura com meu braço, sentindo suas costas quentes, seu corpo alto pregado lateralmente no meu. Fico corada, sem saber o que dizer. Estamos flertando? Não deveríamos, porque isso estragaria nossa amizade. Outra vez, eu repito isso. Ou será que deveríamos flertar?

Sei lá.

─ Você sabe, eu pensava que você era virgem. – Ele confessa com um tom super cômico, me zoando.

Gargalho suavemente.

─ Quê? Por quê? – Sigo sorrindo.

─ Porque você nunca me contou nada disso. Você só conta para a Elisa e para o André… E por que não conta para mim? Eu também sou seu amigo, não? Além disso… Nós podemos compartilhar nossos conhecimentos e truques sobre o assunto. – Ele pisca um olho de um jeito malicioso e rio da proposta.

Ele quer conversar sobre sexo.

E ele quer que eu conte para ele coisas que eu gosto que façam comigo.

E ele me contará coisas que ele gosta que façam com ele.

É isso?

─ Certo, Armando. Vou te contar coisas super perturbadoras sobre mim! – faço um gesto fantasmagórico, zombeteiro, tentando escapar da situação, que me causa uma timidez desconfortável. ─ Não é o mesmo contar para a Elisa e para o André, no entanto… – Sorrio labialmente.

─ Ah, é? Por quê? – Ele solta um leve risinho.

─ Ué… Você é hétero.

─ E daí? Você não acredita em amizade entre homem e mulher?

─ Depende. – Sorrio. ─ Eu acredito se você disser para mim que você não gosta de mim! Só assim te contarei tudo. – Rio e pisco um dos meus olhos.

Armando sorri com diversão.

─ Eu não gosto de você, bobona. Feiosa. Nós somos só amigos. – Ele abre um sorrisinho divertido e sensual. Não sei se acredito nisso.

─ Mm… Você tem certeza de que não me acha sexy? – Pergunto de novo e ele belisca a minha nuca para que eu me cale. Os dois sorrimos e nos empurramos um pouco, como duas criançonas.

Quando entramos na Escola assim agarrados, Casandro nos vê de longe, ele está no seu lugar habitual, no banco, tomando sol no rosto, usando uns óculos escuros e finos, com fones de ouvido preto.

Ele nos vê, entreabre os lábios, surpreendido, e logo gira a cara para o outro lado.

Meu sorriso se fecha um pouco.

Gosto do Casandro e não quero que ele sinta ciúme de mim.

Por outro lado…

Quem é ele para ficar nervoso porque estou abraçando meu amigo?

Aperto o braço do Armando que me rodeia com mais força, e sigo caminhando com ele.

Foda-se.

─ E então… De que tipo de menina você gosta?

Por que estou perguntando isso?

─ Mm… Eu gosto de meninas assim, de cabelo cumprido, lisinho, rosto delicado… E eu gosto especialmente disso, de rostinhos bem fofos e bonitinhos. Boquinhas suaves, olhos redondinhos. Hm… – ele me olha, dizendo tudo com empolgue, como se estivesse imaginando.

─ Rostinhos? – Ergo uma sobrancelha, desconfiada. ─ Por quê?

Estou um pouco vermelha. Eu tenho os lábios fartos, e a pele bem delicada. Muitas vezes dizem que sou “fofa”. Meus cabelos também são cumpridos.

Armando dá uma gargalhada por causa da minha pergunta.

─ Um rostinho bonito pode ser bem mais sexy do que bunda ou peito, se é que me entende. – Ele toca o seu pacote sobre a calça e solta um gemido zoado. ─ Ahmm…

─ Armando! – Gargalho e bato nele.

Aff. Ele deve ser desses caras que só gostam de ser chupados e não fazem nada na cama. Olho para o lado, desconfiada.

─ Você gosta de mim, sim. Eu sou linda e fofa. – Digo orgulhosa, e cruzo os braços infantilmente.

─ Você é uma neném, Lynn. – Sua voz fica mais grave, rouca, e até me assusto. Quando olho para o rosto dele, ele está com um sorriso ladeado e sarcástico. ─ E nāo… ─ ele ergue uma sobrancelha, presuntuoso. – Eu só começo a gostar de alguém quando recebo o estímulo mental certo. – Ele pisca um olho. ─ E você não parece muito boa em Dirty Talk.

Quê?

Fico digerindo suas frases e, como me sinto um pouco ofendida, decido provoca-lo:

─ Você é desses caras chatos que ficam conversando no sexo, é? – Rio.

Começamos a entrar na sala de aula, e nos sentados um do lado do outro até o professor chegar. Armando está sentado do lado da parede.

─ Mm… Vai me dizer que você não curte Dirty Talk? Tipo… “Sim, chupa esse pau, sua putinha tarada.” E sexo com história, com role-play? – Armando prende uma risada, enquanto se mete comigo com suas frases propositalmente escrotas.

Vi seus dentes aparecendo, ele não está aguentando não rir.

Coro levemente.

Ele não estava tentando ser sexy, mas quando ele disse “pau”, “putinha” e “tarada” fiquei um pouco atiçada, mesmo não sendo a intenção dele.

─ Ou sei lá… Talvez você não goste de ouvir palavras vulgares; mas quem sabe… Umas sugestõezinhas, umas provocações, uns lugares proibidos… – O timbre dele abaixa, enquanto ele olha para mim. ─ Hmm? – Ele murmura, flertando. — Hahaha.

─ Mmm… – Fico um pouco envergonhada. ─ Acho que sim… Quero dizer, na verdade, eu não sei falar sujo, acho.

─ Não? – ele ri. — Que fofa… – Armando abre um sorriso lateral e minhas bochechas coram mais. ─ Hm… Já eu… Costumo falar frases bem vulgares quando estou com tesão.

─ É? Mas pode ser ofensivo, não é?

─ Mm… Não se são ditas com o timbre certo, as pausas corretas, a modulação da voz, entre sussurros, murmúrios… – Ele pisca um olho para mim.

Começo a ficar curiosa.

Abro um sorriso divertido e bagunço sua cabeleira com uma mão, logo mordo seu ombro. Armando dá um peteleco na minha testa.

─ Por que você está me mordendo, em? Você é um bicho? – ele pergunta, rindo e toca seu braço por cima de onde eu mordi. Logo ele me olha, exagerando a dor. ─ Sua filha da puta… Deixa só eu morder você. – Ele sussurra a última frase.

De um jeito delicioso…

─ Porque você é fofo. – Dou uma risada, escondendo meu rosto em seu ombro.

─ Fofo… – Ele ladeia um sorriso, aparentemente ofendido com o meu qualificativo. ─ Esse assunto te deixa nervosa, ou o quê? Bebezinha, quase virgem. Você é só uma menininha tímida, hm? – Ele ri sarcástico e segura meu rosto, o girando, brincando comigo. ─ Olha como você foge.

Sutilmente, e apesar da aura de amizade, sinto certo sentimento na forma como ele toca o meu rosto.

Ele o alisa com cuidado uma vez enquanto lambe seus lábios.

Logo o solta e olha para frente, entre risinhos.

Ficamos em silêncio alguns segundos, mas decido retomar o assunto. A curiosidade mata.

─ Que coisas “vulgares” você diz quando está com tesão, Armando? – pronuncio a palavra com graça, e ele se gira de novo.

─ Hm… O que me der vontade no momento. Depende da pessoa. – Ele me olha com um sorriso ladeado e os olhos relaxados.

─ Depende da pessoa? Se você estivesse comigo… – Abro um sorriso tímido. ─ O que diria para mim?

Ele solta um suspiro leve.

─ Você quer mesmo que sigamos por este rumo? – Ele me olha lateralmente, com malícia.

Pisco um olho, prendendo um sorriso ladeado.

─ Eu não vou te responder isso aqui! – Libero um risinho. ─ Você falou alto e todo mundo escutou. – Murmuro perto do seu ouvido.

Antónia, uma garota loira de olhos verdes que estuda conosco, parece ser uma das meninas com quem o Armando costuma sair. Ela não gosta nada de mim. Sempre me trata mal e tenta me humilhar de todas formas possíveis. Ela tem ciúme da forma como ele me trata.

─ Mmm…. – Ele dá um gemidinho baixo e ergue uma sobrancelha. ─ E em outro lugar? – Ele pergunta, arrastando a voz.

Seguro o seu braço, como se o estivesse calmando e escondo a cabeça em cima do mesmo, contendo minha ansiedade.

─ Mm… Se você não responder, vou tomar como um sim. – Ele murmura.

O professor entra na sala de aula nesse momento, e pouco a pouco todos íamos calando.

─ Por que você não tenta que eu siga “por esse rumo” que você disse? – Murmuro desafiante. ─ Seja qual for… – Rio, zombando.

─ Sou eu quem tenho que te guiar, hm? – Ele sorri, ladeado, enquanto olha para frente. ─ Pode deixar, bebezinha. Mhuhm.

Nicole e Arantcha se giram.

─ Aff, vão para um quarto se comer. – diz a ruiva. Nicole gargalha.

Assinto negativamente, e vejo Armando corando de leve.

Todos os que estamos presentes na sala íamos ficando em silêncio pouco a pouco.

Depois de um tempo, olho para o lado e vejo que Armando tem uma revista escondida no seu livro, que ele finge que acompanha o texto.

Rio dele levemente.

Armando me devolve o olhar, com um sorriso ladeado. Sinto a ponta de seus dedos cutucando de forma divertida a minha cintura, e contenho uma risada para não chamar a atenção do professor.

* * *

No final da aula, eu e Elisa fugimos para o vestiário para trocar de roupa. Quando saímos, nos sentamos com algumas garotas na quadra de basquete.

Fico logo abstraída, pois Armando Casandro e Luíz estão jogando, sem uniforme também, com roupas casuais. Eles passam a bola uns aos outros, entre sorrisos divertidos, compenetrados.

Quando olho para o lado, vejo que a Antónia e suas amigas também estavam olhando os meninos, entre risadinhas. Armando marca mais oito pontos.

─ Muito bem, Armando! – Antónia bate palmas.

─ Como ela é óbvia e ridícula, não? – Digo para Elisa. ─ Ela e Armando nem são namorados.

André solta uma leve risada, como se soubesse mais coisas do que eu.

Eles são namorados?

O moreno se gira e faz um coração para ela. Luíz e Casandro riem levemente.

Passaram a bola para Lui e nossos olhares se encontraram. Ele abre um sorriso ladeado para mim, arremessa e marca mais pontos para ele. Logo Casandro, depois Armando.

É difícil saber quem está ganhando. Eles marcam frequentemente.

Como estou um pouco no vácuo, decido sair para fumar um cigarro e pensar em alguns problemas que estou tendo em casa.

Pela metade, ouço um timbre de voz melódico e suave, já conhecido por mim, que fez o meu rosto corar imediatamente.

─ Ei… – ele diz, me observando com um pequeno sorriso. Fito seus olhos heterogêneos, enquanto provavelmente os meus começaram a brilhar. ─ Vim ver onde você foi, princesa. – Assinto levemente, me encostando no muro.

─ Só saí um pouquinho. – Abro um sorriso suave, olhando seu rosto.

─ Quer vir jogar com a gente? – ele oferece, simpático. Sinto como segura minha cintura enquanto me olha, e a alisa com carinho.

Toco sua camiseta com a ponta do indicador.

─ Estou bem aqui… obrigada por se preocupar. – Sorrio. ─ Você não é tão distraído assim, não é mesmo? – abro um sorriso mais ladeado.

─ Não sei… Talvez eu não seja o mais alerta. – Ele dá um risinho suave, logo fica mais sério, com uma expressão mais sedutora. ─ Mas sempre estou atento em você.

Sorrio e lhe beijo suavemente passando os lábios por sua boca, dando um selinho.

Luíz segura minha cintura com firmeza e corresponde o beijo, o aprofundando. De olhos fechados, sinto a umidade de seus lábios e sua língua passando pela minha, me causando calafrios.

Ele se separa de mim e sussurra perto da minha boca:

─ Não consigo te esquecer… – Ele olha meus olhos, e morde seu lábio inferior suavemente. ─ Não consigo parar de pensar em você. – Fico corada, me sentindo literalmente cortejada. Ele sobe suas mãos até deixá-las por baixo dos meus seios, e passa a olhá-los enquanto seus dedos iam se aproximando cautelosamente da curva. ─ Posso beijá-los? – ele pergunta baixinho.

─ Estamos aqui no meio, Lui… Não tem ninguém, mas pode vir alguém.

Ele toca os meus seios com as duas mãos, olhando o meu decote e os apertando. Entreabro os lábios e solto um suspiro de prazer com a massagem, revirando um pouco os meus olhos. Seguro seus ombros enquanto ele se inclina e dá um beijo molhado na curva do meu pescoço, quase chegando a eles. Eu estou amolecida com as carícias que ele dá, que tem o ponto certo de força, pois são muito prazerosas.

─ Luíz… – Murmuro.

─ Agora não tem ninguém. – Ele olha para trás, rapidamente, checando. ─ Só uns beijinhos? Eu te tampo. – Ele segue sussurrando, com seu timbre tão sedutor, me olhando nos olhos. Eu sigo resistente, mas estou ficando com vontade de correr o risco. ─ Você, rainha, segue fumando seu cigarrinho enquanto eu te chupo. – Ele diz com malícia, e pisco um olho. ─ O que você acha?

Rio suavemente. E afasto os meus braços, erguendo uma sobrancelha.

Sinto ele abaixar um pouco o pano do meu vestido. Segurando meus seios pelas laterais, ele chupa um deles com força, molhando a parte sensível e lambendo rapidamente, o sugando e o deixando bem úmido. ─ Mmm… – ouço seu timbre melódico e gemo baixo também, entortando os olhos.

Ele o tampa e vai para o outro, o suga algumas vezes seguidamente, de forma selvagem, fazendo barulho e o deixando molhado. Logo brinca com a ponta endurecida com sua língua, fazendo meu interior se contrair.

─ Pronto, princesa. Pronto. Ninguém viu. – Ele o tampa e os massageia com força, deixando meu corpo entre ele e a parede, e me olhando com tesão.

Começamos a nos beijar de forma mais efusiva. Nossas línguas invadiam a boca um do outro com vontade enquanto gememos baixinho.

─ Cof, cof. – Tosse um dos professores, com uma expressão de puro choque, mostrando que possivelmente já está de saída.

Quando nós nos giramos, eu estou com os lábios inchados e respirando com dificuldade. Luíz o olha pacífico, como se fosse um anjo. Nem parece que estava fazendo aquilo agora a pouco. Ele segue com o corpo na frente do meu, me protegendo do olhar dele.

─ Se vocês quiserem namorar, façam isto fora daqui. – Adverte o professor, e coloca as mãos na cintura. ─ Aqui não é lugar. – Ele nos manda um olhar gelado e repreensivo. ─ Entendido?

Luíz entrelaça seus dedos na minha mão, me segurando. ─ Ok… – ele assente. Me puxando levemente, Lui começa a caminhar. ─ Até segunda, professor. – Ele se despede, educadamente.

Nós voltamos para a quadra. Lui tinha um sorrisinho preso nos lábios, apesar de não ser muito evidente.

─ Quase que ele vê você lambendo meu peito. – Dou uma risada leve, que causa outra nele. Para conter seu riso, ele morde sua boca. Ali, na frente de todo mundo, ele beija minha testa inocentemente.

─ Princesinha. – Ele murmura, com certa diversão, desviando o foco do assunto. ─ Vou comprar algo para comer. O que você quer que eu traga para você?

─ Hm… – olho para cima, envergonhada. ─ Nada, Lui, não precisa. Não quero te incomodar.

─ Precisa… – Ele sussurra. ─ Me diga, hm? Eu gosto de fazer favores para você.

Começo a sorrir, entendendo tudo. Isso é perversão, não amabilidade. Dou um risinho.

─ Você gosta… – eu sussurro. ─ De ficar me agradando mesmo, em?

─ Hmm… – Luíz afirma com o murmuro, e pisca um olho suavemente, para que apenas eu pudesse ver. ─ O que eu te trago, então? – ele volta ao assunto. Apoio minhas mãos no banco, vermelha, olhando para baixo.

─ Um suco de pêssego, água, uma Coca─Cola light e chocolates.

─ Isso, princesa. Quanto mais exigente, mais você me excita. – Ele ri com suavidade, acaba arrancando outro risinho de mim. Faz um gesto de “sentido” sobre sua cabeça, com um olhar profundo, e vai embora, para comprar as coisas que eu lhe pedi.

Em pouco tempo Luíz volta, me entregando uma sacolinha de plástico.

─ Bom… Obrigada, Lui. – Suspiro, e dou um sorriso. ─ Suponho.

─ De nada. – Ele pisca um olho. ─ Pode me usar para qualquer favor, hm? Como o seu escravo. – Ele diz baixinho, para que só eu ouvisse. ─ Que nem nós havíamos combinado.

Lui pisca o olho de novo e volta a jogar com os meninos.

Há um cara loiro com eles também agora. Um rapaz muito bonito. Ele tem os cabelos curtos na parte de trás, e desfiados na da frente, com uma franja levemente cumprida. Seus olhos são verdes e ele tem uma tatuagem no pescoço, além de um jeito sério e masculino. Eu não converso muito com ele, pois Antónia é sua irmã mais nova. Ele deve ser tão idiota, riquinho e racista quanto ela.

Enquanto os quatro gostosos da Escola de Arte ficavam jogando, eu passei um bom tempo conversando e bebendo com as garotas. Tomávamos uma vinhoca clandestina – uma bebida típica da Espanha que foi criada pelos jovens do País Vasco, composta de, simplesmente, vinho com coca cola – e falávamos de coisas banais.

Num determinado momento, sinto como André se aproxima de mim e me dá um beijo molhado e carinhoso no rosto, seguido de um abraço.

─ Te amo! – ele diz, suspirando, de olhos fechados enquanto me aperta no seu corpo.

Êxtase?

Ele está usando uma presilha amarela no cabelo e uma camiseta fina com listras brancas e azuis. Seus olhos com lentes violetas lhe deixam adorável e feminino. Mais ainda, se possível.

─ Uau… O que é que deram para você tomar? – rio baixinho. ─ E nem me chamou?! – dou uma gargalhada gostosa e esfrego o meu rosto no do André. Logo o beijo várias vezes na bochecha, rindo entre cada um.

─ Me deram a droga do amor. – Ele responde, entre risinhos. Eu sabia… ─ Vamos ver o que há por aí? – me pergunta, animadamente.

─ Vamos! – me levanto agarrando André pelo braço. Caminhamos agarradinhos, vendo como começava a escurecer com a caída da tarde, e ficando animados, pois tudo estava iluminado por focos de luzes brancos, fracos e foscos.

Não sei como e nem porque, mas de repente eu estava subida nas costas do André e estávamos praticamente correndo pelos corredores da Escola, onde havia mais alunos que eu não conhecia bem.

─ Aii, amiga… Linda… Como você é safada com todos os gatos do colégio, mmmm…? Hahaha… – André me acusa de uma forma divertida, com sua voz meio bêbada, me arrancando gargalhadas. ─ Será que tem uma múmia aqui? – ele se gira na direção de uma porta. ─ Ou aqui?! – e na de outra.

─ Pára, veado! – digo, tendo uma crise de riso, e pouquíssima vontade de ser assustada de repente.

─ Me-dro-sa! – André ri e segue caminhando comigo. De repente, aparece uma noiva zumbi e nos assusta.

O meu amigo dá um salto e o agarro pelos ombros com força, mas logo já estamos rindo do susto.

─ Filhos de uma bezerra! A fúria de satanás cairá sobre vocês! ─ A mulher vai embora depois de nos xingar.

─ Que isso, porra? Filhos “de uma bezerra?” – Diz meu amigo. Eu e André gargalhamos.

─ Achei que não era sério isso dos monstros. Que zoado.

─ Pois é. Tem monstros mesmo. – Ele sorri simpático. ─ E sabe aonde eu estou te levando, Lynn? – sua voz fica propositalmente fantasmagórica.

─ Onde? – libero um risinho brincalhão.

─ No porão. – Ele solta uma risada perversa.

─ Filho da puta, não me leva lá. Deve ter um Slenderman! – Estapeio seu ombro e ele cai na gargalhada de novo; mas segue caminhando comigo, em direção ao fundo do corredor. Eu estava apreensiva, vai que me assustavam de novo. Eu odeio sustos.

Antes de chegarmos ao porão, sai de uma das portas uma pessoa alta, com um suéter vermelho e preto listrado, e a máscara do Freddye Krueger, assim como a mão de garra do personagem.

O cara pula na nossa frente e começa a se mexer de um jeito muito engraçado, pois flexiona os joelhos, se agacha, se levanta, mexe a garra, e gira a cabeça para a direita e para a esquerda.

─ Que cara doido! – digo, agarrando o pescoço de André e rindo.

Meu amigo gargalha, exageradamente e não entendo o porquê.

O Freddye retira a máscara e a segura com uma mão. Ah, então é por isso. André já sabia quem era.

Maldito Armando!

Sempre descumprindo as normas…

─ Armando… Você não deveria estar fazendo cosplay junto com os alunos universitários! – gargalho e ele me mostra um sorriso ladeado.

Coro terrivelmente, pois apesar de repreendê-lo, tenho que dizer que adoro o seu jeito rebelde. Ele e eu nos parecemos bastante.

Então me perco por um tempo fitando seus olhos azuis profundos e escuros, seus cabelos pretos e desfiados, e seu sorriso branco imaculado que expressa uma felicidade contagiante, encantadora.

─ E aí, panacas… – ele caçoa. ─ Eu faço o que eu quiser, Lynn. – Ele ri. ─ Senão não seria tão divertido! – O seu timbre abaixa um pouco, ficando malicioso nas próximas frases. ─ Bem-vindos à minha festinha privada, V─AI─PI. (VIP). – Ele dá uma risada sensual e pisca um olho lentamente.

Armando abre a porta que há atrás dele. Dentro é uma sala de História que já não se usa, está inteira escura com luzes de discoteca, forrada com espuma antirruído. As pessoas estão dançando Dubstep e dentro há uns vinte alunos.

Outra coisa que eu amo daqui, apesar dos meus problemas, é a oportunidade de seguir sendo adolescente, mesmo já tendo passado dos dezoito. Na Europa as pessoas amadurecem mais tarde, e às vezes saem da casa dos pais mais tarde também. Isso cria em mim um tipo de esperança reconfortante, onde ninguém acha feio se eu fingir que sou o Peter Pan. E menos esses dois.

Me desço das costas do André.

─ Armando! Um dia vão te expulsar daqui! – digo, rindo.

─ Ah… Ahm… Sério? Se perguntarem quem foi, temos ao menos quinze suspeitos! Hahaha. – Quando acabamos de entrar, ele tranca a porta.

André sai correndo na direção de um garoto mais alto que ele assim que o vê, super empolgado. O menino é moreno, muito bonito, e recebe o pulo do meu amigo em seu colo, dando-lhe um enorme abraço. Hm, possivelmente é o seu bofinho.

Enquanto estou parada olhando, Armando vem para perto da minha orelha e sussurra:

─ E aí, vamos dançar? – Noto sua voz um pouco diferente à habitual, bem mais… Sensual. Como aquela de hoje cedo, como os risinhos roucos que ele dá às vezes e que eu nunca sei se são de propósito ou não.

─ Dançar? – rio, tocando seu braço. ─ Eu não sei dançar.

Eu até sei. Mas você me deixa nervosa.

Um risinho sarcástico escapa da boca dele.

─ Nem eu. Veja só o meu estilo. ─ Ele começa a se mexer estranhamente, e fica assim alguns minutos, me arrancando gargalhadas, fazendo caretas para que eu me divertisse e dançando de um jeito muito brega enquanto me olha.

─ Como você é idiota! – Eu rio, assistindo sua palhaçada.

─ O importante é se divertir!

Sua frase passa por meu cérebro mais segundos que o normal, fico ponderando.

─ Ah, é? Beleza!

Acabo me animando, e danço também, pois ele havia feito com que eu me sentisse a vontade. Nada que eu fizesse podia ser pior do que o jeito que ele estava dançando…

Fecho os olhos e me deixo levar, meu quadril se move com a batida, meus braços, todo o meu corpo se sincroniza com a música. Quando os abro após um minuto, fico realmente “assustada”:

O moreno está na minha frente, me olhando com os olhos brilhantes e a boca úmida insalivada. Ele está acompanhando o movimento do meu quadril sobre o ar, com as mãos próximas uma de cada lado dele, de um jeito preciso e sensual. Armando carrega um sorriso ladeado no rosto bem maldoso.

Coro, pois ele está gostando de me ver dançar. É evidente. Me dou conta de que ele só estava fingindo ser arrítmico. O movimento dos seus braços e pernas, que caem exatamente quando a batida da música ecoa, é bem masculino e excitante.

Nossos olhares se compenetram, e parece que estamos nos desafiando.

Não dá para negar que estamos sentindo desejo pelo rosto um do outro.

Ele ergue uma sobrancelha, lambe o lábio e vejo como morde o inferior olhando minha bunda, minha cintura, meus seios.

Ai, meu Deus.

Calma, Lynn.

Armando não é veado, Armando não é o André. Onde você está com a cabeça?

Sinto suas duas mãos pousando sobre o meu quadril e suspiro. Estou hipnotizada pelos olhos dele e não consigo afastá-lo de mim. Nossas coxas vão se encaixando gradualmente, no ritmo da música, até os nossos corpos ficarem pregados, até começarmos a reproduzir todos esses movimentos sensuais, um contra o outro.

─ Mhmmm… – ouço ele murmurar e suspirar contra meu ouvido, fico levemente amolecida.

Armando enfia a mão em sua camiseta e tira de dentro do seu colar uma pastilha amarela com forma de emoticon “feliz”. Isso… Só pode ser o êxtases que ele e o André devem estar tomando.

Eu nunca tomei isso.

Dizem que é viciante e perigoso. Dizem que cura a depressão, que pode deixar alguém extremamente contente, mesmo sem razões reais para isso. E também dizem que, quando o efeito acaba, a queda emocional, a depressão fica ainda maior. E isso faz o corpo querer mais, buscar mais. Isso causa um vício, uma dependência.

E eu… Sou uma garota evasiva, viciosa… Cigarro, bebida, maconha, sexo, escrever, música… Tudo em mim é evasão.

Será mesmo que eu quero provar?

Vejo o moreno colocando-a em sua língua enquanto nos balançamos lentamente. Ele está segurando minha cintura, eu estou segurando seu pescoço. E parece até que a música mudou de propósito. Agora soa um hip-hop lento, emotivo e sensual.

🎼 Mídia


Vejo ele erguendo uma das suas sobrancelhas maléficas, seu sorriso sacana, sua língua para fora. Seu convite é tão politicamente incorreto, hedonista e rebelde em todos os sentidos que estou ficando excitada.

Vou aproximando o meu rosto alguns centímetros e de imediato sinto a mão dele no meu queixo, puxando minha boca contra a dele.

Me deixo levar.

Nossas línguas se tocam, uma contra a outra, num beijo delicioso, profundo, molhado e cheio de luxúria. A pastilha começa a se dissolver. Tem um gosto ácido e horrível, mas vamos nos beijado até ela acabar, enquanto sinto os dedos dele acariciando minha cabeça gostosamente, por dentro do meu cabelo. Tanto a minha respiração como a dele começa a falhar de tesão. Ele beija tão bem, dominando minha boca, minha cabeça, tão bem que a minha calcinha está molhando.

Me afasto, zonza.

Muito corada.

Armando…

Você achou a desculpa perfeita para me beijar?

Você e seus truques.

─ Tem um gosto amargo e horrível. – Reclamo, como se quisesse esconder o quanto fiquei afetada com seu beijo.

─ Mm… Eu sei. Mas o gosto é assim mesmo, Lynn… É a primeira vez que você toma, não? – Ele pergunta no meu ouvido.

Assinto tímida.

Por aqui é tão normal que todo mundo se drogue…

─ Hm… Entendi, neném. – Ele sussurra. ─ Não se preocupa. É fraco, e como nós dividimos você vai aguentar bem.

─ Eu não estou sentindo nada.

Armando dá um risinho gostoso.

─ Calma. Daqui a pouco vem a recompensa, hm?

─ Mm… Ok, se você diz… – Abro um sorriso ladeado.

─ Garanto. Mas demora um pouco. – Ele pisca um olho.

─ Tá certo… – seguimos dançando colados essa sequência de hip-hops lentos com batidas pesadas.

Estou escondendo a cabeça no ombro dele agora, não o encarando por timidez. Por sermos amigos, talvez. Ou porque me assuste sentir algo forte por ele, e logo perder a ajuda que ele me dá durante as aulas. Ele sempre me empresta as coisas que os meus pais não compram.

Há outros colegas que não fazem isso. Eles pensam que eu esqueço por desleixo, porque eu me acho a bonitona do pedaço e não gosto de estudar. A razão real de que me faltem pincéis, papéis, tintas e outras coisas é simplesmente porque eu não tenho o meu próprio dinheiro para comprar.

Minha mãe e meu padrasto têm condições, mas eles não ligam, eles gastam com outras coisas. Lógico que me dá muita vergonha contar para os outros.

Mas, bom… O Armando sempre me empresta tudo, sem nem perguntar por que estou precisando. Sem danar comigo. É como se ele me entendesse. Como se ele soubesse que há algo de errado comigo, sem que eu precise lhe dizer.

“Adotado?” ouço a voz do André hoje cedo, mencionando o fato. Fico alguns segundos divagando na hipótese.

Não quero perder a amizade do Armando.

Também acho ele muito pra mim, assim como Casandro e Lui são. Talvez por essa autoestima de merda que eu tenho. Ou sei lá.

O abraço forte, coisa que eu não faria se estivesse lúcida. Um abraço muito emotivo. Como se eu quisesse que ele me protegesse dos meus sentimentos ruins.

O corpo dele é cálido, e é agradável abraçá-lo.

─ Tudo bem, neném? – ele sussurra.

Assinto, mas é mentira.

─ Calma, certo? Nós vamos nos divertir já, já. E para de pensar em coisas ruins, senão você vai ter uma bad trip. Só dança e voa, como se não houvesse amanhã. A vida passa… E hoje nós temos que aproveitar. Hoje e agora.

Como ele sabe que estou pensando coisas ruins? Sorrio, corada. E assinto.

Sinto o ambiente ficando psicodélico dentro da minha cabeça. As batidas são mais fortes, mais intensas, e todas as sensações se amplificam.

“Você não vai ter vinte anos para sempre” diz a minha consciência.

Realmente, estou começando a sentir uma espécie de furacão dentro de mim. Um tornado de euforia envolvendo todo o meu corpo.

E não é só isso. Enquanto dançamos, as coxas dele contra as minhas começam a me deixar com um tesão incontrolável. Tudo está mais intenso.

Meus seios estão se esfregando no peito dele, nossas intimidades também. Eu consigo sentir a forma do pau dele. Em outra ocasião, eu ficaria constrangida. Mas estou ficando excitada, bem excitada.

Parece grande e incluso parece estar um pouco aceso, mesmo não estando no seu máximo.

─ Armi… – Sussurro, e me coloco na ponta dos pés.

─ Hmm?

─ Nada… Deixa eu… – me seguro nele e dou uma chupada molhada no seu pescoço, ouço um suspiro pesado da parte dele.

─ Você está carinhosa, é? O efeito já começou a subir em você?

Assinto.

Vejo como ele bebe uma grande golada de Cuba Libre, limpando o paladar, e logo me olha, pousando o copo de novo.

─ Que bom. – Ele diz, grave e firme. ─ Em mim também. – Sua voz se arrasta, cheia de tesão enquanto ele vai fechando os olhos gradualmente.

Sem pensar, nem perguntar, ele cola minha boca com a dele e me dá um beijo profundo e violento, que mela nossas bocas de saliva, agora sem nada que justifique o ato além da pura vontade de explorar-nos mais.

Fico assustada no começo, mas correspondo muito excitada. Ele está me pegando com tanta força, com uma mão apertando o meu quadril e a outra segurando a minha cabeça, que mal posso me mover para dançar, apenas tenho um espaço pequeno para isso, e quando requebro lentamente de um lado a outro sinto o volume do pau dele crescendo mais, pulsando por dentro da saia do meu vestido, pregado na minha calcinha.

─ Uhhh… – ouço várias vozes vaiando nós dois, com empolgue. Parece que para os que estão nos olhando desde fora, estamos sendo sensuais demais.

Armando para o beijo e desliza a mão por meu rosto, fazendo carinho.

─ Hmm… Que boca gostosa, Lynn… Que beijo maravilhoso… Uh… Quem diria isso da minha amiguinha virgem? – Ele murmura, sensualmente, perto da minha boca, me provocando.

─ Eu não sou virgem, otário! – Gargalho levemente e ele me olha com malícia, logo ri também.

─ Eu adoro você, sabia? – ele abre um sorriso amplo, após dizer isso com a voz carregada de sinceridade.

Dentro da minha cabeça sonhadora os dentes dele estão até brilhando nessa escuridão, com uns pós de fada.

─ Eu também te adoro muito. Você é como um melhor amigo para mim… – o abraço, enquanto ambos sorrimos. Enquanto sentimos uma aura poderosa de amor, amizade e tesão.

─ Psiu. Você quer vir na minha casa? Na casa do seu amigo? – ele ri baixinho, corando, após perguntar no meu ouvido.

Fico calada, dando risinhos envergonhados.

─ Nós podemos jogar GTA. Só isso. – Ele pisca um olho e rio dele, pois não acredito. Conta outra, né? Chato, ele sempre fica pensando que me faz de boba. ─ Você pega no meu Joystick…

─ Sei! – Exclamo, gargalhando.

─ Mm… O que foi? Hm… Certo… Você não gosta de GTA, é isso com certeza. Podemos tomar um chá de camomila com minhas Barbies e o Senhor Urso. E aí? – Ele abre um sorrisinho meigo.

Fico um tempo ponderando.

Se eu for na casa dele, vamos acabar sem roupa com certeza.

─ Mm… Mais tarde eu te falo… Quando isso acabar… Tá bom? – sorrio, corada.

Ele pisca um olho.

─ Linda. – Armando ri suavemente, todo encantado. ─ Eu não vou insistir, neném. É você quem sabe, hm? Me avisa.

Ele segura as minhas mãos, com cada mão sua. Seguimos dançando lentamente. Ele está me olhando como se gostasse muito de mim.

Sou pega de surpresa. Segurando a minha mão, ele faz um gesto e me gira, fazendo o meu corpo dar uma volta completa, todo galanteador.

Ele me deseja muito.

─ Linda. – Armando repete na minha orelha, sussurrando.

Depois se afasta, me soltando lentamente, esticando o meu braço até nossas mãos se separarem, enquanto ele ergue o queixo levemente, e seus olhos brilham.

Me deixando “pensar”, “decidir”, como ele mesmo disse. Me dando espaço.

Estou gelada.

É a primeira vez que ele diz que gosta de mim.

Que me acha… “linda”.

Estou toda corada.

“Linda”.

Eu realmente não esperava isso dele.

Ele nunca, nunca me disse isso, em todo esse tempo.

🎼 Mídia

0 0 votos
Classificação do artigo
Inscrever-se
Notificar de
guest
0 Comentários
mais antigos
mais recentes Mais votado
Feedbacks embutidos
Ver todos os comentários
    0
    Seu carrinho
    Seu carrinho está vazioVoltar à loja
    0
    Adoraria saber sua opinião, comente.x