🎼 Mídia


Entro em casa encolhida, triste e com medo.

─ Cheguei. Você está bem? – digo, quase gaguejando, indo até o quarto da minha mãe.

─ Você demorou muito! – ela exclama, nervosa, me olhando com raiva. Minha mãe está arrumada da cabeça aos pés. Uma mulher linda e exuberante.

Apenas assinto.

─ Onde você vai? – sussurro, quase gaguejando. Olho o meu irmão no berço, ainda sem dormir.

─ Vou atrás do Matias. Ele não está atendendo o telefone. Fica com seu irmão. – Ela sai de casa como um furacão, batendo a porta, sem nem me olhar.

Me sento na cama dela, paralisada, com vontade de chorar.

Meu celular se acende.

Armando: “Ei… Não quero ser muito meloso e tal… Mas fiquei preocupado. Tá tudo bem, anjinho? :)”

Malvina: “Tudo bem sim.”

Armando: “Não era nada grave então? Quero dizer, que bom! Mas… Fiquei assustado pelo jeito que a sua mãe falou contigo, achando que tinha acontecido algo. Eu até fui embora para casa. Não tava conseguindo festejar nada. É… Não sei, Lynn. Você inventou uma desculpa para ir embora porque não gosta o bastante de mim? Pode me dizer eu… Eu não vou ficar chateado.”

Malvina: “Me desculpa, sério. Minha mãe me disse que era algo grave, mas ela foi é atrás do meu padrasto. Ela é muito ciumenta. Eu também pensei que era urgente. Você me perdoa, Armando?”

Armando: “Ah… Nossa. Despreocupa, então. Escuta, eu já peguei sua mala. Que hora posso passar aí para te dar ela?”

Suspiro profundamente. Eu não quero desfazer essa mala. Eu quero sumir em algum lugar do planeta com ela, para sempre. Algum lugar onde eu possa sorrir, por meus cabelos para voar num carro conversível, viajar e me esquecer de tudo.

Armando: “Malvi?”

Olho a mensagem. Passaram sete minutos e eu não respondi, apesar de ter seguido online. Merda. Fiquei divagando.

Malvina: “Tem alguma coisa que eu possa fazer para me desculpar do porre de noite que eu fiz você passar?”

Armando: “Posso te ligar?”

Malvina: “Sim.” Sorrio.

Começo a discar e somos tão desastrados que ligamos ao mesmo tempo. Desligo, dando um risinho. A chamada dele entra e o atendo.

─ Primeiro… – Escuto sua voz doce. ─ Você não fez eu ter um porre de noite, deixa de complexo – Ele ri gostoso, me contagiando. ─ Foi uma ótima noite, valeu a pena… E… Uau… Uau, uau…

─ Que foi? – Fico coradíssima.

─ Valeu a pena. – Ele repete, e ri malicioso.

Eu quase tinha me esquecido do que rolou no provador.

─ Hihi. – Sorrio.

─ Eu tava pensando… Assim…

─ Hm? – digo, maliciosa. ─ Hahahaha…. Que foi? Você tá com voz de quem tá aprontando algo.

Armando ri gostosamente.

─ Na semana que vem eu tenho uma viagem para Paris. É um evento de rap internacional, dessas coisas que eu curto e tal… – ele limpa a garganta e dou um risinho.

─ Que legal. – Respondo.

─ Eu ia ir com o André. Mas eu sei que ele prefere ir em um show foda de música eletrônica com o namorado dele. Porque só acontece uma vez no ano e blá blá blá e também é em Paris, e na mesma data. – Continua Armando. ─ A passagem de avião, de ida e volta, e o hotel, já está tudo pagado. Você vem comigo? Vai haver um concurso e o melhor tema ganha 6.000€. Também tem segundo e terceiro lugar. Eu passei o ano inteiro me preparando. Quero ganhar essa grana para dar uma arrancada no jogo que eu estou programando e também para comprar um Sound System.

─ Eu… Eu não sei. Min… Não posso fazer compromisso. Sabe o que acontece, eu tenho um irmão pequeno! – exclamo, angustiada.

─ Ué? Mas você não vive com seus pais? É num fim de semana. Seus dois pais trabalham nos fins de semana, ou como é o lance?

Sua voz acaba de ficar séria.

Estou a ponto de desligar na cara dele.

─ Eles são imprevisíveis! E vivem brigando! Entende, agora? Sempre que eu quero marcar algo com alguém dá errado! Que nem no Halloween E tenho que voltar para casa!

Armando fica em silêncio alguns segundos. Ouço ele respirando. Estou pronta para ouvir ele dizendo “que pena”, e desligando, e nunca mais falando comigo. Como todos acabam fazendo… Me sinto triste.

─ Tchau, Armando. – Sussurro.

─ Não tem jeito de você vir mesmo? – Ele quase murmura. ─ Queria muito ir contigo.

─ Acho que não.

─ E se eu pedir para os seus pais?

Fico alguns segundos pensativa.

─ Bom… – Abro um pequeno sorriso malicioso… ─ Nesse caso talvez eles deixem. – Mas aperto o lençol nervosamente.

─ Eu vou na sua casa amanhã. Entrego sua mala, e digo para eles que sou seu namorado. – Ele dá alguns risinhos maliciosos.

─ Meu namorado?

─ De mentirinha.

─ Mhuhm. – Sorrio.

─ Vai dar certo, não vai? – Ele pergunta todo empolgado e positivo.

Mordo meu lábio inferior.

─ Eu acho que sim. Eles não vão fazer feio na sua frente, provavelmente.

─ Até amanhã, namoradinha. – Ele desliga na minha cara, após dizer isso, com uma alegria contagiante e engraçada na voz, capaz de tirar um elefante do coma.

Armando: “Você vai ver só! Vai ser muito bom! Nós vamos nos divertir muito, muito. Demais. Eu juro. <3”

Malvina: “Eu simplesmente… Adoro você! <3”

Armando: “Eu também, baby. ;)”.

Baby… Esse garoto é engraçado. Me pego rindo na cama, deitada de costas no colchão enquanto olho o celular. Sempre achei essa palavra brega e cômica. Que nem o nome dele. Haha. No entanto, ele faz com que eu goste de ambos.

Estou com vontade de mandar um monte de coisas fofas para ele, mas não quero exagerar, nem que ele saia correndo. A verdade é que estou tão carente que se deixo todos os sentimentos saírem de mim vai ser uma tempestade tão intensa que acabarei espantando-o.

Olho o teto, franzindo as sobrancelhas.

Malvina: “Sabia que eu estava querendo viajar? Você é um super-herói.”

Armando: “Sou o Super Telepático. Aquele que lê pensamentos.”

Malvina: “Hahaha.”

Abro um grande sorriso, realmente rindo.

O choro do meu irmãozinho invade minha cabeça, mas… Já nada parece tão desolador assim. Estou feliz. E é culpa dele, do tal do Armando.

Me aproximo do berço e beijo a testa do bebê mais lindo do mundo. Ele abre um grande sorriso para mim. Faço com que ele adormeça e logo vou para o meu quarto, caindo no sono também.

* * *

Daniel

Comer merda, a isso se resume a vida. A ser um grande chupa-rola de todo mundo.

Estou sentado no escritório clandestino do Matias. O mesmo consiste em um trastero ubicado na garagem de um dos prédios que lhe pertencem. Está pintado de marrom escuro, há uma grande mesa de madeira de castanheiro e um robusto sofá chester de couro vermelho.

É ali onde ele se senta com o seu irmão enquanto bebem cerveja. Nós, os convidados, nos sentamos numa cadeira feita de ferro, que parece retirada de uma cantina escolar. É por aí mesmo onde ele começa a te humilhar. A partir do momento em que você se senta para fazer negócios com ele. Mais bem dito, sejamos realistas, eu não faço negócios com ele. Eu faço o que ele manda. Ele é o meu patrão.

— 50…100…150…200…250…300…350 – ele conta o meu “salário” detidamente, como se estivesse decidindo se vai mesmo me pagar. Vai passando as notas dos dedos esquerdos para os direitos com maestria, mas lentidão proposital. É um bilheteiro, o filho da puta. (…) — 2000, 2050, 2100. – ele para, ajunta todas as notas e dá um golpe forte com elas sobre a mesa, endireitando-as. E olha para mim com os olhos arregalados.

— Havíamos ficado em 2300. – Pego um cigarro no meu maço e o acendo com um isqueiro. Fumo profundamente e solto a fumaça sem pressa. Nada de mostrar nervosismo. A mesma embaça nossas visões, mas seguimos fitando um ao outro por trás dela.

— 2300? São duzentos menos pela sua última cagada. – Ele diz irônico. Eleva seus ombros para trás e coloca uma expressão cinicamente ofendida, como se estivesse a ponto de mudar de ideia e não me pagar nada. Mas o olhar cortante, firme e em estado de alerta que lhe lanço, faz inclusive um cara como ele ter cuidado comigo. Ele sabe do que eu sou capaz, mais do que ninguém.

O silêncio entre nós dois agora é cortante e incômodo.

— Escuta… – ele reconsidera. Tira duas notas de 20 euros do bolso da calça de mal jeito e as atira sobre a mesa como se eu fosse um lixo. — Eu só tenho mais 40 pavos. Se na próxima missão você não borrar as calças, acertamos a diferença.

E eu sei que é mentira. Ele sempre faz isso. Eu acho que a sua intenção é, na última vez que ele precisar de mim, no último serviço, não me pagar. Ele só me paga porque ainda precisa de mim. E talvez, no último serviço, ele me descarte, como o que eu sempre fui e signifiquei para ele: um rato. E com descartar, me refiro a execução. É a forma mais fácil de se livrar de um inimigo.

Pouso o meu braço direito esticado sobre a mesa que nos separa e com a ajuda da minha mão formo uma curva. Arrasto toda a grana que está sobre a superfície e faço com que ela caia toda na minha mochila já aberta.

Me levanto sem dizer nada e a penduro nas minhas costas após fechá-la.

“Você sabe que você é um porco nojento. Não é mesmo? Seu filho de uma puta.” Essas frases são eu sonhando. É claro que eu não disse isso.

Por enquanto.

— Claro. – Digo com tranquilidade e um cinismo oculto em minha aura de falsidade. — Você é sempre um bom patrão, Matias. Um homem sério e de confiança.

Ele ri satisfatoriamente.

Imbecil. Quando você puxa o saco dele, o cara é tão narcisista que cai no seu fingimento. Deixa de ser esperto e vira um apaixonado de si mesmo. Veja só, acabo de fazê-lo feliz.

— Você sabe, Dan. Eu só machuco quem não se comporta bem comigo. – ele repete o seu mantra de sempre.

Meu sangue está borbulhando e fulminando.

Eu, mais do que ninguém, sei que isto é mentira. Uma puta duma fodida mentira.

***

— Alô? – murmuro no celular, com as costas pesadas, assim como o meu corpo inteiro.

— Oi, maninho. – Antónia responde, com sua voz afável e preocupada.

— O que foi? Algum problema? – Respondo. E vou andando por este bairro de Barcelona, ignorando todas as cenas horríveis que ele contém a cada passo, para me auto-proteger psicologicamente.

É um dos mais perigosos. Às 3am há pessoas alcoolizadas, baixo os efeitos de heroína, cocaína e êxtases. Todos são pobres e desgraçados, e preparados para te assaltar caso eles notem que nos seus olhos não existe melancolia do mesmo tipo da que existe nos olhos deles.

— Só liguei para saber como você está… – ela diz, hesitante.

Faz dias que eu não ligo para minha irmã. Da última vez lhe disse que andava muito ocupado. Eu sempre a evito na Escola e me escondo dela quando é necessário.

— Toninha, eu tô ótimo. – Forço uma voz meiga e sorrio no telefone, mesmo que ela não possa me ver. — Logo, logo você vai me rever. E eu prometo que eu vou estar bem.

Numa posição de vencedor, numa que eu sinta orgulho de mostrar para você.

Merda, acabo de notar que usar uma palavra como “rever” é estranho para quem está tentando aparentar que está bem. Eu me emocionei um pouco.

— Ai, Dan… – ela suspira e dá um risinho meigo. — Você conversa que nem um velho.

Dessa vez rimos juntos. Cada um por seus próprios motivos. Ela por me achar exageradamente emotivo como uma avó de cinquenta anos. Eu por saber que a coisa está mesmo preta.

* * *

Eu sinto uma mistura de ódio com amor pelo Armando.

Quandoeu era pequeno a minha mãe costumava fazer marmeladas caseiras de uva ou de morango. Apesar de que ela não colocava açúcar, elas ficavam deliciosamente doces e eu amava comê-las por cima de bolachas orgânicas enquanto eu tomava chá verde gelado perto da piscina.

Ah, a piscina! Como a nossa casa era enorme, na primavera e no verão sempre dava para aproveitá-la. Eu colocava uma toalha sobre a grama e ficava sentado de sunga e boné, fazendo meu piquenique solitário.

Mamãe e Antónia amavam conversar lado a lado sobre roupas, sapatos, sobre a tonalidade alaranjada – bonita e saudável – que a pele adquiria graças aos raios ultravioletas, sobre hidratação capilar, cirurgias plásticas, novelas, famosos, relações amorosas, marcas de grife, maquiagem, dieta, normas de etiqueta, etc…

Eu odiava esses assuntos, então normalmente elas me ignoravam. Não tentavam achar um ponto comum onde os três pudéssemos confraternizar, onde todos estivéssemos à vontade. O meu pai sempre estava na rua trabalhando e só voltava para casa às dez da noite para jantar e logo dormir.

E qual é a necessidade de mencionar o meu pai? Talvez porque eu tenha chegado a pensar que a falta de interesses comuns entre nós três fosse devido ao nosso gênero. Mas hoje, reflexionando, eu entendo que eu não me sentia sozinho pelo fato delas estarem falando de “assuntos femininos”. Tudo o que citei acima, que só tem a ver com a aparência, com o exterior, com o físico, não tem por que ser algo ligado somente às mulheres. Eu me sentia sozinho porque eu mesmo me excluía. Eu nasci diferente.

Eu era a ovelha negra da família.

Por algum motivo, nesse passado, eu costumava olhar a minha irmã do lado da mamãe e ser embrulhado por um sentimento estranho. Era como se o meu coração estivesse sendo esmagado. A pequena Antónia com seus cachinhos dourados envolvendo todo o seu rosto que um dia fora pálido, sorrindo para a mamãe como se ela fosse uma Deusa, ou o ídolo mais digno de respeito, tinha agora a pele em um tom caramelado, assim como ela.

Parecia uma mini cópia sua, e estava um pouco sexualizada para a idade que tinha, com os lábios brilhando, tingidos com um batom rosa claro cintilante, as unhas pintadas da mesma cor – a dos pés também – com seus chinelinhos de pelo verdadeiro de raposa fúcsia, com seu bikini vermelho minúsculo…

Esse sentimento que me consumia dolorosamente era pena. Ela só queria agradar a mamãe. Ser amada por ela, e aprovada. E eu sentia a carência presente no coração da minha irmã, mesmo que nesta época eu não pudesse entender por que este tipo de cena me deixava triste.

Eu não estava vendo uma mãe e uma filha juntas, compartilhando experiências. Eu não estava vendo uma mulher nutrindo sua criança. Eu estava vendo uma pessoa pervertendo um anjo. Ensinando-lhe que a vida é dura e exigente. Que sentimentos não importam. Que tudo o que era valioso estava por fora. Nessa nossa pele excessivamente laranja. Humor a parte, nossa pele… A de todos… É tão delicada e vulnerável. Se alguém jogar um ácido por cima, como fazem na Arábia Saudi… Adeus. Você se converte num monstro, e tudo o que sobra é o seu interior.

O meu pai também era distante comigo. Sim, entendemos que ele não tinha tempo suficiente para lidar com seu garoto. Mas um dos motivos pelos quais ele pagava a empregada – ele mesmo havia dito – era para que ela se assegurasse de que eu fazia tudo nos horários corretos e com perfeição. Todas as minhas falhas eram castigadas com punições físicas severas. Ele me levava no despacho dele, mandava eu tirar a roupa, e me batia até eu dizer que estava arrependido.

A minha vida era um inferno e eu não tinha escapatória nem saída, a não ser começar a ser realmente perfeito em tudo. A não ser trabalhar em mim mesmo, “ficar preso em Matrix”, não ter pensamentos próprios, apenas ser um animal selvagem cujo objetivo é capturar a presa. A presa eram medalhas, notas excelentes, aparência perfeita, alimentação exemplar.

No começo eu costumava chorar, até uns quatorze anos. Era como se eu acreditasse que o choro lhe causaria alguma empatia, mas não causava. Então eu fiquei frio e seco. Parei de chorar. Aprendi que não adianta nada. E que eu só tenho a mim mesmo.

“Um garoto como você não pode ser um frouxo na vida. Se um dia você quiser ser como eu, terá que trabalhar duro para isso. Ou você acha que só porque eu sou rico eu vou te dar tudo de graça? Você aprenderá as coisas e será um homem de verdade. Tudo o que você tiver será por seus próprios méritos e eu te educarei para conseguir as coisas por ti mesmo.”

Soa bonito, verdade…

Devido a que a minha vida era uma pressão constante, eu amava devorar os potes de marmelada. Soa engraçado, eu sei. Mas havia um motivo oculto por trás. Quando eles terminavam, eu os reciclava. Mamãe nunca faria isso, ela estava pouco se fodendo pro meio ambiente. Ela jogava todos fora no lixo da cozinha, misturados com resíduos orgânicos. E quando não tinha ninguém em casa eu ia lá e os pegava, em silêncio.

Os lavava no banheiro do meu quarto e os escondia dentro do sommier da cama, que eu trancava com um cadeado para que ninguém o abrisse. Eu dizia à empregada que lá dentro tinha revistas pornôs, mas na verdade lá dentro estava a minha coleção de potes de vidro, de pincéis e de pigmentos aquareláveis.

Eu pintava à noite, uma hora por dia, subido no telhado. Normalmente de doze a uma, quando meu pai já havia ido dormir pesada e profundamente. Ele teria me batido até me prostrar numa cama se soubesse que eu estava fazendo isso em vez de ler algo no jornal.

Que irônico, verdade? Porque eu culpo a ele por ter feito este gosto pela arte nascer em mim. Os artistas dissociam da realidade sufocante. Ele criou um ambiente hostil, e então eu me relaxava desenhando a lua cheia, alternando tons e sub-tons de azul para formar uma complexa noite sem estrelas num pedaço de papel de grama alta. O mesmo papel que eu usava nas aulas de reforço de geometria.

Por algum tempo eu guardei esses desenhos. Que mais do que isso, eram a minha terapia psicológica secreta, o meu vômito de emoções negativas que se convertiam em algo belo quando eu os traspassava para o papel… Até me dar conta de que, se alguém os descobrisse, eu ganharia mais cicatrizes pelas costas.

E então, certa noite, eu fiz um ritual de despedida. Reuni todos e os queimei, para o meu próprio bem. Sim, eu sacrifiquei o que eu mais amava para sobreviver. E essa foi a lição mais dolorosa da minha vida:

Às vezes você tem que matar algo belo. Às vezes este algo é o que te conforta, te arroupa e faz com que você se sinta bem. E é triste. Mas primeiro é sobreviver, e logo amar.

Amar como sinônimo de criar.

Não é mesmo?

Eu vi as chamas consumindo a minha alegria.

Alegria, com A de Armando, Alegria que define o meu melhor amigo. Sempre foi um fodido, mas sempre está sorrindo.

Eu sinto uma mistura de ódio com amor por ele. Repito. Se fosse tinta, seria preto diluído com fúcsia num pote de marmelada caseira. Um roxo sujo como a inveja. Não entendo como ele pode ser tão alegre e otimista quando ele mesmo já passou por coisas piores que eu. Ele é forte, não é um nostálgico todo enrustido como eu. Mas pelo menos eu tenho determinação e foco, coisas que lhe faltam…

Merda. Como eu posso pensar esse tipo de coisa da única pessoa que me ajudou no pior momento da minha vida? Quando eu não tinha teto, nem comida. Quando meu pai morreu.

— Vamos, porra. É isso aí. Só faltam mais quinze. – Ele grita com energia enquanto agarra a barra de ferro e se puxa para cima, até sua cabeça ficar acima da barra, com os braços flexionados e tensos por estar fazendo força. Até sofrendo ele não tira o sorriso do rosto.

Estamos num parque verde num dos bairros de Barcelona. Aqui na cidade há várias academias de rua. Eu já fiz meus exercícios numa normal de sempre. O Armando prefere se exibir no meio dum parque. Haha. Hoje eu vim com ele porque ele disse que o exercício físico ao ar livre é melhor que o fechado.

“Trabalha corpo e mente, as endorfinas chegam em maior quantidade.” Um bom vendedor, o cara. Ele nem sabe do que está falando, mas fala de todos modos. E fala de um jeito tão engraçado que você acredita. Mas só venho assistir, fazer companhia.

Ele cai suado no chão, com duas pisadas fortes, flexionando um pouco os joelhos e ofegando. E agora o seu sorrisão se expande como se ele houvesse acabado de ter um orgasmo. Todo satisfeito.

— Fuhh. Sua vez, irmão. – Ele dá uma palmada no meu peito com as costas da sua mão. Bebe metade da sua garrafa de água e joga o resto por cima do seu cabelo.

— Eu já malhei hoje. – Sorrio, com cara de incrédulo. Armando dá uns risinhos.

— Sobe aí, vamos ver se você faz mais push-ups do que eu. – Ele me desafia, com cara de malandro. Sabe que é o meu ponto fraco e que vai me convencer.

— Convencido… Eu estudo para bombeiro. É óbvio que eu faço mais, mesmo você sendo mais jovem, molecão. Mas escuta, o que você prefere… Competir, ou dar um pouco de atenção para essas meninas que vem aqui especialmente ver a gente sem camiseta? – abro um sorriso malicioso, e olho algumas adolescentes de uns treze a dezesseis anos que estão sentadas na elevação de concreto circular do parque, que simula um banco.

Elas estão vermelhas. Literalmente, não param de rir, seus rostos brancos e rechonchudos exalam juventude, seus olhos brilham espremidos. Umas tocando as outras enquanto conversam sobre nós. Excitadinhas. Eu adoro meninas mais novas, de 17 a 21 anos. Na flor da idade.

— Eu não gosto de menor, patrão. – Ele abre um sorriso malicioso e bem safado.

— Ah, conta outra né. – Cruzo os braços e ergo uma sobrancelha, não acreditando.

— Tira aí a camiseta para elas darem uns gritos. – Armando dá uns risinhos divertidos e me olha de lado.

Guiado por um impulso de diversão, sorrio e vou tirando a camiseta. Quando acabo, vejo que o cara está tocando seu pau por cima da calça, rindo para as meninas com cara de safado, se sacudindo. Elas estão ficando horrorizadas e indo embora.

Começo a gargalhar bem alto.

— Sedução 10/10, em parceiro?

— Hahaha. Eu te disse que eu não gostava de menor, arrombado. – Armando segue rindo. — Pelo menos assim eu não só as expulso como também dou umas boas gargalhadas. Haha. Agora sobe aí, garoto tímido. Não tem mais ninguém olhando.

— Tá me tirando? Mas você é chato, em? Se não fôssemos amigos já íamos ter problemas. Tá ligado? – bufo e me subo na barra, fazendo algumas flexões também. Só umas dez. Hoje já estou com preguiça e não tenho mais meu pai na minha cola me obrigando a dar meu máximo todos os dias. Logo desço pro chão. — Satisfeito? – pergunto carrancudo.

— Nada mal. Mhuhm. – Armando dá uns risinhos, bebendo mais água. — Já vou ir pra casa, e você? – ele diz, sorrindo.

— Eu também. Te levo? – coloco minha camiseta de volta, enfio o celular na mochila e confiro as chaves do carro.

— Pode ser. – ele segue sorrindo.

Os dois vamos indo até meu carro. Entramos e ele coloca o cinto, já mexendo no som e pondo um hip-hop. Ele abaixa para que conversemos. Arranco o carro e começo a ir para a casa dele.

— Que bom que você não gosta de mais nenhuma menina que não seja a minha irmã. Eu acho que ela gosta um bocado de você. – Comento assim por cima.

Bom, a Antónia ama o Armin. Mas ela pensa que gosta do Casandro. Na verdade, ela só gosta do Casandro por ele ser “o mais popular do colégio”. Bléé. Ela acha que ama esse moleque, mas de quem ela gosta de verdade é desse filho da puta que tá aqui do meu lado. Então, por que não tentar ajudá-la?

Tenho que me assegurar de que ele não fica de brincadeira com minha querida Antónia.

O sorriso dele se fecha.

Putz… Isso é preocupante.

— Daniel, você não está entendendo. Eu e a Antónia só ficamos. Sempre foi assim e ela nunca reclamou. – Ele diz um pouco mais sério e meio apenado.

— Puxa… Não é o que ela me conta por telefone. – Começo a morder o pingente do meu colar enquanto dirijo.

— O que ela te diz? – ele ergue uma sobrancelha.

— Que você é engraçado, carinhoso, que fode bem… Buah, detalhes de merda. – Os dois damos uns risinhos, mas logo recuperamos a compostura. — Enfim… Ela gosta de estar contigo. Você faz bem para ela.

— Não é o que ela me diz. Ela sempre me critica e diz que só estamos juntos até que o Casandro repare nela. Ela me diz que se ele pedisse para ficar com ela, ela me largaria sem nem cogitar. E que eu sou um bosta também. Muitas vezes ela fala isso. – Armando abre um sorriso irônico.

Tenso…

— A Antónia não é assim, Armin… Ela só é um pouco mimada e não sabe expressar o que sente. Ela gosta bastante de você. – A defendo, meio envergonhado.

— Sinto muito te dizer, mas a sua irmã é uma tóxica. E graças a Deus que eu não estou apaixonado por ela, senão eu seria o seu cão sarnento. Eu estou te contando só uma parte de como ela me trata. Pois já foi bem pior, quando eu era mais otário e tinha corpo de nerd. E além disso, eu estou gostando de outra mina.

A esfaqueadora sinceridade do Armin. Apenas engulo em seco. Não tenho argumentos contra isso. Eu sei que a Antónia é tóxica… Sei que ela o trata mal. Não posso pedir para ele dar uma chance para ela se ela segue com essa atitude, com esse orgulho.

— E quem é a sortuda? – pergunto, como se eu estivesse no piloto automático.

Ao começar a pensar nessa garota, meu amigo se encosta no banco do carro, relaxando a cabeça na cabeceira. Ele abre um sorriso abobalhado, gigantesco, seus olhos começam a brilhar como se ele estivesse sonhando.

— Lynn. – Ele responde, com a voz carregada de carinho.

Do seu timbre exala amor e dor, misturados e agarrados de um jeito que chega a emocionar. Olho para o lado, parado no semáforo. Meu coração começa a doer, vendo o que ela causa no Armin.

Mas tem muito tempo que eu já não ligo para o que os outros sentem. E igualmente, e só pra foder e ficar por cima, eu pegaria ela pra mim sem cogitar. Sim, pensar nela faz com que ele se sinta feliz. Ele está apaixonado. Mas eu mostraria quem manda aqui de todos modos.

Além disso, eu a convidei para jantar. E a verdade é que eu não vou cancelar. Ela é submissa, bobona, maria-vai-com-as outras. Ela parece esperança para minhas dores mais profundas. Como se eu pudesse despejar minhas merdas nela e ser profundamente amado sem precisar corresponder.

Eu deveria dizer algo, ou eu fico calado?

Eu não vou conseguir dizer nada.

— Malvina Lynn… Conheço ela de vista. – Sussurro. Paro na frente da casa do Armin.

— Ela é linda, verdade? – ele segue com essa cara de tonto abobalhado.

— Muito. – Murmuro.

Meu amigo desce e se despede de mim, dando uns tapas na janela do carro.

— Falou. – Vejo seu sorriso, suas costas indo embora.

Eu mudo. Com algo entalado na garganta. Algo que nunca foi dito.

Dirijo de volta para minha casa, sem pensar em nada. Antes de entrar no parking, estaciono na rua e decido não ser um cagão, pelo menos não pelo telefone.

Abro o whatsapp:

Dan: “Eu acho que você não deveria sair com ela. Ela aceitou jantar comigo essa semana ou na próxima.”

Armin: “Porra, entao você também andou sondando essa garota? Impressionante como todo mundo quer ela. Puta que me pariu!”

Dan: “Pois é… A garota se chama problemas. Além disso a família dela é bem complicada.”

Armin: “Você conhece a família dela?”

Dan: “Mais do que eu poderia te contar.”

Armin: “Mmm…”

Armin: “Então vocês vão jantar? Por que você não cancela, e inventa uma desculpa?”

Porque eu a conheço bem antes do que você, companheiro.

Armin: “De todos modos, não sei quando. Porque eu marquei de viajar com ela e eu vou engolir essa menina. Ela não vai querer saber de ti depois que eu comer ela dos pés a cabeça. Boa noite, amigo da onça.”

Dan: “O ego do tamanho do mundo, né? Boa sorte com essa puta. Capaz dela te dar e vir me fazer um boquete no dia seguinte.”

Armin: “Vai se FODER, seu merda.”

Não respondo mais nada.

Apenas suspiro, rindo sarcástico e satisfeito por haver causado este ódio nesse bundão emocionado.

Este é o panorama, de novo. Na minha vida, como se fosse um karma. As pessoas que eu deveria amar, eu odeio. As pessoas que deveriam me amar, acabam me odiando.

Sinceramente, você não lhe convém. Eu a conheço muito mais do que você poderia chegar a conhecer. Eu não vou sair do seu caminho dessa vez. E menos com este desafio.

***

Uma semana depois.

Acordo com o meu celular tocando e o atendo.

— Sim? – digo, me levantando e esfregando o meu rosto.

— Sou eu, Lynn. Armando, Armin, Arma. O que você preferir.

— Armin? – dou um leve risinho, acabo me lembrando de que o André alguma vez o chamou dessa forma. — De onde vem esse nome?

— É só um apelidinho de malandro. Eu sou o Armin, meu amigo Pedro é o Peter, o Juan é o Johnny… Temos mania de nos chamarmos em inglês para zoar. – Ele explica. Deve estar se referindo a seus parceiros grafiteiros.

Abro um sorriso. Afasto o celular para olhar a hora nele, vendo que já é de tarde. No entanto, todo mundo segue dormindo aqui em casa já que não há barulho. Já falei que o Matias vive de noite? A noite é uma criança. Sobretudo para quem mexe com prostituição e drogas como ele.

— Estou no seu térreo, bebê linda. Qual é seu andar e porta? – Armando pergunta.

Como assim no térreo? Louco varrido!

— Putz! – esfrego meu rosto, me levantando, porque de todos modos se ele veio até aqui não vou deixá-lo esperando ou fazer ele voltar. Essa minha mala já deu trabalho demais para ele! — Me dá medo de você entrar aqui. – Digo, penteando meu cabelo com uma escova que peguei no criado-mudo rapidamente.

— Por quê? – Ele pergunta, despreocupado. Ouço Armando suspirar. — Ei, relaxa. Beleza? Eu sou mestre em famílias disfuncionais. – Ele diz, com um timbre relaxante.

— Espera só um momentinho, tá? Eu vou por uma roupa. Espera só um pouquinho. – Mando alguns beijos no telefone.

— Hm… Sim, beijinhos. Quero todos eles. Mua. Mua. Mua. – ele beija o celular. — Espero, mas não demora muito, tá? O nosso vôo para Paris é hoje.

— Como assim?! – Exclamo, baralhando um monte de possibilidades. É verdade que ele me falou da viagem, mas ele nem avisou que era hoje! — Ai, é o 4º A meu andar e porta! – quase grito, toda tensa.

— Estou subindo. – Ele diz, como se nada estivesse acontecendo, com uma tranquilidade sacana.

Cabrón.

— Armin! Armando, espera. Pelo amor de Deus, não toca a campainha! – falo desesperada.

— Te vejo agora. – ele desliga, despedindo-se com sua voz grave, gostosa e irresponsável.

Calma!

Tenho uma viagem agora, para hoje! Tenho que armar um jeito de sair de casa. De que não percebam ele chegando, de esconder coisas do Armando, de ficar pronta antes de que ninguém acorde… Meu Deus do céu.

Certo. Sete minutos, Lynn! Fique pronta em sete minutos! Essa é a solução. Vamos, rápido!

Olho o relógio e começo a me vestir com uma camiseta branca que tem umas listras pretas bem fininhas e uma palavra em inglês bordada de vermelho. Uma saia de couro preta, meias, umas botas e uma jaqueta de couro. Uma roupa assim nunca falharia.

Nos últimos minutos arrumei minha franja, me maquiei à velocidade da luz com corretor, lápis, rímel e o mesmo batom rosa para o blush. Coloquei na minha necessaire escova de dentes, pasta dental, um perfume, algumas maquiagens e a prancha.

Logo arrumei uma mochilinha com meu portátil, carregadores, fones, passaporte, cartão do banco e outros documentos. Confiando nele coloco a mochila nas costas. Ouço algumas batidas leves na porta bem quando o meu celular vibra.

Armando: “Estou esperando.”

Lynn: “Shh! Já vou. Não faz barulho senão meu irmão acorda”

Armando: “Você vai vir escondida, é safada? Fugindo? Hahaha. Hmm, adoro. 😉 Levada do caralho.”

Grr. Ele consegue me irritar e me fazer sorrir ao mesmo tempo. Decido não pensar no que responder e procuro a minha chave toda atrapalhada. Distraída como sempre, não sabia onde ela estava e procurá-la me deixou muito acelerada. Vou até a porta e começo a girá-la silenciosamente.

A abro ofegante e Armando vê a minha cara de susto. Meu peito sobe e desce e estou muito apurada.

Ele, por sua vez, está segurando o marco da porta com uma mão, vestido inteiro formal. Nunca vi ele desse jeito. O Armin está usando uma camiseta azul marinho, uma calça jeans escura e está segurando um buquê de rosas brancas na outra mão, com um boné preto preso na alcinha do cinto – que ele deve ter preferido não colocar.

Fico vermelha e aperto os dentes, olhando as flores.

— São para mim? – Pergunto baixinho. Meu deus do céu, eu sou muito dona Florinda. Quero rir à toa.

Ele ladeia um sorriso, solta um risinho sacana e pisca um olho.

Pare.

— Bom, é… Mhuhm. Venho fingir que namoramos. Tenho que ser cavalheiroso, sabe? – ele expande o sorriso mostrando os dentes.

Canalha, safado.

Gostoso…

Solto um risinho.

Pego o buquê, secretamente toda sensível.

— Sabia que eu nunca ganhei um buquê de flores? – Sorrio de um jeito terno e grato.

Armando dá um risinho.

— Você gosta de branco? – Ele murmura.

Assinto, boba.

Que se foda a cor. O detalhe é o que foi bonito.

— Será que esse seu namorado encamisado merece um beijinho por elas, então? – ele começa a perguntar sacana. — Esse seu noivo que só te come no papai e mamãe, que faz amor em vez de sexo…. – O moreno sussurra, quase me fazendo gargalhar alto.

Contenho o riso e o puxo pela nuca, roubando-lhe um beijo contente.

— Quem está aí? – ouço a voz debochada do meu padrasto enquanto ele dá passos pesados pelo chão de madeira da casa e começa a caminhar. Ele está usando uma cueca branca. No fundo do quarto dele, que fede a cachaça, começo a ouvir alguns gemidos do meu irmão que está acabando de acordar.

Merda. Franzo as sobrancelhas para o Armin.

— Meu namorado. – Respondo, me girando para olhar o meu padrasto e tentando fechar um pouco a porta por reflexo. Para tentar protegê-lo da vista do Matias, tentar fazer com que o homem não memorize o rosto do Armando em excesso e se possível que nem o reconheça pela rua. Mas acho que meu ato é em vão. Os dois estão se vendo mesmo assim.

O Matias começa a colocar a calça jeans que estava jogada lá na sala desde ontem quando ele chegou de madrugada e deixou sua roupa esparramada, e a apertar o seu cinto. Ele coloca um polo da Lacoste cor de rosa, que gosto horrível, e o seu Rolex de quinze mil euros. Escroto. Fico olhando apreensiva. Ele se levanta, adotando uma postura superior.

— Vai sair? – murmuro para ele.

— Sim… – ele ergue uma sobrancelha, com desprezo. — Vou tomar um café com meu amigo. – “Café”. Meu estômago de embrulha. Tomar um café é um código que ele usa para fazer referência às suas entregas de cocaína, MDMA, e maconha.

Tomara que o Armando não se dê conta de quem ele é. Digamos que meu padrasto é um tanto famoso em Barcelona. Ele já foi preso por crimes pesados no passado, e não são poucas as pessoas que sabem com o que ele mexe.

E agora você deve estar se perguntando… Por que a polícia não faz nada? Por quê ele não vai preso de novo? Hm. Isso eu também não sei, meu amor.

— Entra aí, molequinho. Fica à vontade. – Matias dá um risinho sacana, pondo um tom mais grave de propósito. Como eu odeio esse cara. Seu sarcasmo não me dá nenhuma boa vibração. Ele está sendo simpático com o Armin apenas para bisbilhotá-lo e para ver se ele, meu novo “namorado” não supõe nenhum perigo para seus planos. Ou seja, se o garoto não sabe o que ele faz da vida, e se não pretende atrapalhar o meu emprego de babá e Cinderela. — Como é seu nome? – Meu padrasto se adianta. Vejo a sombra da minha mãe no corredor, ela estava pelada, mas voltou para por uma roupa, parece. — Coloca essas florezinhas do 1,99 numa água. – Diz Matias, ladeando um sorriso. Ele se aproxima de Armando e toca-lhe o ombro. — Como é seu nome?

— Armando. – Responde o moreno, entrando.

— Sente. Fique à vontade! – Matias dá outra gargalhada sombria, tentando ganhar a confiança do Armin para arrancar a informação que quer dele. — Vocês iam sair também?

— Sim. – Digo, assentindo. — S-só um pouco… – Minha mãe chega neste momento, vestida sexy até demais, com um grande decote que faz os seus seios XXXL ficarem evidentes. Que vergonha. Armando a olha e arregala um pouco os olhos. Deve estar achando a minha mãe muito bonita, claro. Alguns acham ela até mais bonita que eu.

— Olá! – ela diz, sorrindo. E o cumprimenta com dois beijos. — Fica à vontade. – Que tensão. — Você não disse nada que ele viria, Malvina! – ela zanga comigo, franzindo as sobrancelhas. — Se soubéssemos teríamos preparado algo. – Minha mãe se justifica.

— Poderíamos jantar todos na Chalana um dia desses e nos conhecermos melhor. – diz Matias. Chalana é um restaurante de frutos do mar, um dos mais caros da cidade.

— Hm, claro! – Armando abre um sorriso falso. — Foi culpa minha. Eu não avisei. – Ele responde para minha mãe. — Temos autorização para dar uma saída, dona Fonseca? Ir um pouco no cinema, e essas coisas.

— Ah, claro que sim… – diz minha mãe. — Mas que hora você vem, Lynn?

Armando me olha.

— Blé. Deixa os garotos se divertirem um pouco, megera. – Interrompe meu padrasto, olhando minha mãe com o seu tom de voz sempre zombado e desleixado.

— Você viu como esse daí me trata, Armando?! – minha mãe franze as sobrancelhas.

Só quero que isso acabe logo e bem.

Armando solta um risinho sem graça, já que a Eduarda acaba de colocá-lo numa situação complicada, fazendo-lhe se posicionar do lado dela ou do meu padrasto.

— E o senhorito vem que horas? E vai onde? Com quem? – ela pergunta para meu padrasto, adotando o mesmo tom zombeteiro que ele usa para conversar com ela.

— Negócios. – Ele responde, seco e sacana. Não se despede, como sempre, apenas nos joga um olhar prepotente e bate a porta, com o corpo muito erguido e sem olhar para trás.

Não sei se você quer saber como esse nojento é, mas farei uma descrição breve. Ele tem a pele morena queimada de sol, cabelos castanhos bem escuros, como seus olhos, e anda sempre com um rabo de cavalo prendendo seus fios longos. É forte, corpulento, pesa quase noventa quilos de puro músculo, mas não passa de 1,70cm.

— E quanto à você, Armando. Vê se anda na linha, que aqui em casa amamos muito a Malvinazinha. – ele diz sério, sombrio e secante.

— Sem problema. – responde Armando. — Sou de confiança.

— Bom mesmo. – diz Matias, antes de sair.

Sei bem ao que ele se refere… Ele não quer que Armando fique ligado em suas coisas, está evitando uma denúncia enquanto se faz de protetor. Ele não dá a mínima pra mim na realidade.

— Então, mãe… – murmuro. — Eu já estou indo. – Me aproximo dela para me despedir, tentando aparentar para o Armando que somos normais. Vejo sua expressão séria e seca e me afasto um pouco ficando descolocada. Mudo de estratégia e seguro o braço do Armando, indo em direção à porta aos poucos.

— Será que você pode esperar eu ir ver o que ele foi fazer? – diz Eduarda, cruzando os braços e pondo uma expressão chorosa.

— É… Mãe! Nós marcamos com mais pessoas! – franzo as sobrancelhas e entrelaço a mão com a dele, a apertando.

O ato involuntário que eu fiz de forma inconsciente, para conseguir proteção, acaba atraindo a vista dela.

A casa está tão bagunçada que quero sumir. Não é um ambiente acolhedor e a energia da casa não convida a ficar à vontade. A xícara de café? O bule de chá com bolachas? Um mísero copo de água? Nada disso foi oferecido até agora, e não me surpreende.

Ela fica pensativa algum tempo, guardando rancor dentro de si. Logo nos olha, ladeando um sorriso, cheia de veneno.

— Vocês namoram há quanto tempo? – ela pergunta. — Hmmm…. Você é lindo, em? De onde você tirou esse deus grego, Lynn? – ela diz, paquerando-o, me deixando vermelha, roxa e azul. Armando abre um sorriso tímido.

— Obrigado. Hm… – ele coça um pouco o rosto, descolocado. — Já tem um tempinho. Estudo Desenho Gráfico com a Lynn. – Armando sorri e mostra os dentes lindos dele, deixando a minha mãe, que é obcecada com dentes perfeitos – e qualquer outra coisa superficial – encabulada. — A senhora vai ir trabalhar hoje? – ele pergunta, ardilosamente.

Merda.

Agora ele pegou no ponto fraco da “dona Fonseca”. Ela não trabalha e é uma desocupada, mas ninguém precisa saber disso.

— Não. – Ela responde, descolocada, levando a pergunta para o lado pessoal.

— Que bom! Nós estamos saindo, pois hoje é nosso aniversário de namoro. E tenho reservas para um resort esse fim de semana. Domingo a Lynn está aqui sã e salva. Não se preocupe. – Ele pisca um olho. Dessa vez é ele quem aperta a minha mão mais forte.

— Mas por que você escondeu esse namoro de mim?! – ela me olha, fazendo drama, tentando meter merda, pensando que o Armando vai ficar ofendido por eu tê-lo escondido dela, manipulando a situação, tentando estragar meu rolo.

Fico em silêncio.

— Em? – Eduarda pergunta mais alto e junto as sobrancelhas. Ela está caçando um motivo para me castigar.

— Ela tinha medo de vocês não deixarem ela namorar. – Armando responde firme e rápido, captando as energias do ambiente.

— Em?! – Minha mãe exclama, falsamente chocada. — Mas a Malvina Lynn tem liberdade para tudo! Que garota louca! – a mulher, nervosa, começa a arrumar a sala, catando os lixos que estão espalhados por ela, agachando com a bunda para cima, me deixando corada enquanto abaixo os olhos, com vergonha do Armando.

— Por certo… Você já trabalha? – ela pergunta para o moreno.

— Mãe! – chamo sua atenção, tentando fazer com que ela não me humilhe mais ainda. Não quero que ela fale de dinheiro com ele.

Acredito que hoje em dia os homens não estão obrigados a sustentar uma mulher. Nós podemos nos valer por nós mesmas e estar com quem nos faz feliz, em vez de namorarmos ou casarmos por interesse. E é assim que a maioria dos jovens da minha idade pensam.

Pois os tempos mudaram!

— Não. “Mãe”, não! – Ela grita. — Eu tenho que saber com que tipo de rapaz você está, filha! Você sabia que a Malvina tem que ajudar em casa? – ela diz, atacando. — Se você for um pé rapado maconheiro desses, eu não quero você com minha filha! – ela se ergue, apontando o indicador para cima, se fazendo de protetora.

Quero morrer.

Armando fica descolocado.

— No momen… – aperto o braço do Armin, quase unhando ele.

— Deixa, vamos embora! – exclamo, aflita, puxando-o pelo braço, com raiva corroendo meu corpo.

Nem falando para essa mulher que temos uma reserva e que é nosso aniversário de namoro ela deixa o egoísmo de lado.

O Armando é estudante como eu. Não um velho rico, gordo e nojento. Nem um mafioso que maltrata a mulher, como certa pessoa. Como ela pode ser tão hipócrita e cabeça de bagre?

Ela vai até a cozinha com o lixo que recolheu e com o meu buquê, sem nem pedir com licença.

— Tchau, Duda! Até domingo. – Exclamo, abrindo a porta e enfiando a chave do lado de fora desajeitadamente.

— Até domingo?! – A escuto desde a cozinha. — Vai, vai! Saiam logo! Vê se vocês não morrem de overdose! Seus irresponsáveis! – ela grita e escuto como o buquê cai na pia, balançando uma montanha de pratos sujos.

Do lado de fora do apartamento ainda dá para escutar ela me xingando, apesar de ser impossível entender do quê. Meu irmão acaba de começar a chorar. Ela vai ter que ir atendê-lo. Mas eu tenho certeza de que ela ainda pode vir atrás de nós e tentar estragar o nosso programa.

— Vamos logo! – exclamo, aflita para o Armando, com isso em mente. Puxo a porta das escadas para não pegar o elevador e começo a descer com tudo. Ele faz o mesmo atrás de mim, com uma cara chocada.

— Ei! – Escuto a voz dela desde o 4° andar, quando estamos quase no último, chegando no térreo. Foi como eu previa. Ela não se deu por vencida. Começo a ligar para um táxi no meu celular. Ouço como ela chama o elevador.

— Um táxi na Plaza de Toros, rápido. – Peço aflita, no telefone.

— Número?! – pergunta a atendente.

— Na frente do banco La Caixa, por favor! – Informo este endereço, pois é preciso atravessar a rua. Assim o táxi não para na frente de casa, e não corro o risco dela me arrancar de dentro dele pelos cabelos.

— Já está a caminho. – Informa a mulher.

Abro o portal rapidamente e saio desvairada para o passeio.

— Espera, Lynn! A mala! – diz Armando. Olho para trás e vejo ele conversando com Iván, o porteiro, com quem o moreno havia deixado os meus pertences, dando-me conta desta informação nesse lapso de segundo.

Atravesso a rua e vou para frente do banco. Ainda bem que os táxis são muito rápidos. Vejo o carro branco aproximando-se e aceno desesperadamente para o motorista. Ele me nota e vem freando até parar na minha frente. Entro no banco de trás, enquanto vejo Armando atravessando a rua no meio dos carros, todo louco, carregando a mala pela alça.

O moreno vai no porta-malas, o abre, enfia a bagagem lá dentro e entra do meu lado no carro, quase pulando pra dentro, fechando a porta com uma batida violenta pelo nervosismo.

— Para o aeroporto de Barcelona. – Digo ao taxista, franzindo minhas sobrancelhas. Giro a cabeça para olhar para a rua do meu prédio, e encontro o que eu já previa.

— Seus filhos de uma puta!

Leio o grito agressivo da minha mãe, que está encolhida e com os braços para trás, descarregando toda a má vibração da sua raiva, denotada pelas veias do seu pescoço que chegam a saltar, e pela careta de ódio que deformou todo o seu rosto bonito.

Horripilante.

***

Quando olho para o lado, Armin está em silêncio fitando a janela correspondente ao seu lado. Estou com vergonha. Franzo as sobrancelhas e aperto seu braço.

— Armando… – sussurro, aflita. Ele se gira e me olha.

— Não diga nada. Eu já entendi quase tudo. Vamos viajar e deixar esse povo no mundo dele. E quando voltarmos eu vou dar um jeito na sua vida. Mas… Esse momento foi tenso. Se você não puder, tudo bem. Não quero forçar a barra, sabe. Desculpas por essa situação. – Seus olhos estão vidrosos, ele realmente se sente culpado.

— Não! – exclamo, quase em desespero, num lapso emotivo. — Eu não aguento mais essa vida, você viu? – choramingo, com medo. Ele pode ser mais um que vai sair do meu caminho, por conta dos meus problemas. As memórias da minha ruptura com o Marcos, o falecido, começam a me assombrar. Não quero que a história se repita.

— Eu vi… – Ele segura os meus dois braços e me olha. — Calma, ok. – Sua voz está assustadoramente aflita.

— Olha… – meus olhos começam a brilhar de tristeza. Suspiro profundamente. — É por isso que eu tenho medo de trazer pessoas em casa.

Armando segue em silêncio. Sua falta de reação dura mais alguns segundos, até que sinto um dedo seu no meu rosto, se deslizando por ele lentamente. Ele olha meus olhos vidrosos, com o seu olhar preocupado.

— Eu não disse para você que eu tenho um Pós-Grado em famílias desestruturadas? – Sinto uma lágrima descendo pelo meu olho quando ele acaba de falar. Acho que a emoção por ele não fazer uma tempestade num copo d’água pelo que acaba de acontecer, por ele não ser tão fútil como aparenta. — Eu só estava perguntando se você prefere voltar para casa. A decisão é sua.

— Eu posso confiar em você? – pergunto baixo, envergonhada. Ele assente. — Eu não quero voltar. – Lhe digo, me fazendo de dura, mas meu nariz está tremendo para chorar.

Lendo minhas expressões, Armando me envolve em seus braços nesse carro, me apertando. Começo a molhar a manga da sua camisa e a fungar forte, agarrando um dos seus braços e ficando com a cabeça colada contra o seu peito.

— Ei… – Ele sussurra no meu ouvido, sem nenhuma malícia. — Calma, ok? – ele beija um lado do seu rosto.

— Desculpa. – Sussurro. — Como você pode ver, eu não sou tão interessante assim. O único que eu tenho de bom… É um rosto bonito. – Aperto o choro. Sinto ele acariciar o topo da minha cabeça.

— Isso é mentira. – Ele sussurra.

Suspiro profundamente, me acalmando.

— Você pode confiar em mim. Deixa eu te contar uma coisa… Nós não somos tão diferentes. – Ele diz, calmo. — Daqui para o aeroporto são quarenta minutos. – Ele olha para frente e volta a olhar para baixo.

— Eu sei. – Sussurro.

— Boa garota. Você sabe tantas coisas. – concorda ele, brincalhão.

Dou um risinho triste.

Vejo Armando apertar o botão do vidro do táxi feito para dar mais intimidade aos passageiros, separando o motorista de nós dois, o moreno começa a falar.

— Eu posso te contar algo triste sobre dois irmãos gêmeos. Uma história para dormir. E então você fica calma… Ok?

Assinto.

— Era uma vez… Uma semente. Melhor dito, um espermatozoide potente, sagaz e vencedor. – Dou um risinho, e Armando abafa outro. — Que foi plantado numa garota de doze anos. – Meu sorriso vai se fechando. — Por um homem de cinquenta. – Assinto de leve, apertando mais o seu braço.

— Um… – suspiro baixinho, agarrando seus braços. Franzo as sobrancelhas, em choque. Nos olhamos profundamente.

— Essa semente, como se previsse que estaria sozinha no universo, se dividiu em duas. – Abro um leve sorriso, pensando nele e em André. — Gerou dois frutos de si mesma, duas almas da mesma origem, feitas para que uma cuide da outra, para que não estejam sozinhas no mundo.

— Que lindo… – murmuro, com um tom fofo.

— Não mais do que você, neném. – Ele responde, me arrancando um risinho terno enquanto meu coração bate mais lento. Entrelaço minha mão na sua, com vergonha de olhá-lo nos olhos.

Fico olhando as duas juntas, sentindo sua pele quente, e um conforto no coração que chega a me dar medo.

— Por muito tempo, as duas metades da mesma alma pensaram que só teriam isso na vida. Um ao outro. – Ele vai sussurrando, e acariciando o meu cabelo. — Mas isso não foi verdade. Porque a pesar das dificuldades que nós passamos no orfanato, das brigas e abusos, houveram outras pessoas que nos ajudaram a crescer e a amadurecer. E logo os nossos pais, que foram anjos para nós.

Beijo sua camisa azul, carinhosamente, na zona do seu pulso, e o agarro mais forte.

— Você tem que fazer o que é melhor para você, baby. Todo mundo acha que sabe o que vai fazer você feliz. O que você deveria fazer e qual caminho trilhar. Todo mundo julga, e ataca sem conhecer, e sem saber o contexto dos outros. Por isso, o que é melhor para você, é só você quem sabe.

— Mas e se eu sentir que não sei? – sussurro, como se estivesse falando sozinha.

— Então isso significa que você tem que descobrir.

Abro um pequeno sorriso.

— Obrigada, Armando. – Digo, docemente.

— E então… Você tem mesmo certeza de que quer viajar comigo, não é… – Ele murmura no meu ouvido, pulando o agradecimento. Certamente por sentir vergonha de quando atua com bondade. Fico involuntariamente arrepiada.

— De todos modos, na segunda-feira é o meu primeiro dia de trabalho. – Sorrio de um jeito enternecido, e sincero.

— Isso é ótimo, linda. Você vai se dar bem. – Ele beija o topo da minha cabeça, me abraçando.

Abro um grande sorriso, enquanto minhas lágrimas secam.

— Obrigada, Armin. Você acha que eu estou errada?

— Seus pais são loucos. Você é solteira, livre, sem filhos. Deveria estar curtindo a vida. – ele responde, com raiva na voz.

Olho pela janela do táxi, agarrando-o, e ladeando um sorriso.

Me sentindo forte.

Olho para cima.

— Apesar desse momento drama… Eu não gostaria que o meu sex-appeal diminuísse para o senhor. – Falo de um jeito infantil, e sensual. Fico olhando o rosto dele, enquanto sinto o meu queimar.

— Isso é tão impossível que chega a ser ridículo. – Ele sussurra com a voz arrastada. Seu rosto vai chegando perto do meu, nossas línguas e lábios se tocam num beijo intenso, molhado e excitante. Mas curto. Porque estamos em um lugar inapropriado. É, ué. Parece que de repente ligamos para isso. Hehe. Foi tão bom, no entanto, com gostinho de quero mais… Aconteceu de um jeito espontâneo, com química.

— Nós vamos para Paris. – Sorrio amplamente, apertando seus braços várias vezes.

— Legal, não? – ele sorri

— É o máximo! – exclamo, muito empolgada.

Os dois sabemos que estou mudando a vibe propositalmente e de forma repentina, e Armando ajuda.

— Essa é a Lynn que eu conheço. Vive a vida, neném. – o moreno dá um risinho gostoso. — Um dia vamos morrer, e nada disso vai existir. Entende? Só os bons momentos.

Hm… Creo que me gustas…

O taxista abaixa o vidro que nos separa dele.

— Perdão. – diz o moço. — Já chegamos ao Aeroporto de Barcelona. São trinta euros, por favor.

— Desce, linda. – Diz Armando.

Desço do carro como ele disse, e vou pegar a bagagem, batendo o porta-malas.

— Bom, até logo. – diz o taxista, sorrindo, acenando e entrando de novo no táxi.

— Até logo. – falamos eu e Armando. — E a sua mala? – pergunto para o moreno.

— Eu soquei minhas coisas com as suas. Você não se importa, né? – ele tira a língua para fora e pisca um olho. Rio divertidamente e dou um tapa em suas costas.

— Claro que não. Só me surpreende ter cabido.

— Hahaha. Você sabe que nós homens com duas mudas de roupa e duas meias já temos mais que suficiente. – O moreno segue sorrindo.

— Real.

Armando olha o relógio.

— Vamos, gata. Temos que correr.

— Que horas são?

— Seis e meia. E você já sabe, esse aeroporto é enorme. – Ele abre a sua carteira e tira o meu bilhete para fora, o entregando para mim. Começamos a entrar no lugar, apressados. — Corre! – exclama Armando, rindo.

Depois de driblar vários passos rolantes, chegamos até a fila. Íamos entrando no avião atrás de alguns passageiros, até que Armando para em seco.

— Ih, 8B. Esse é o meu. – Ele se gira para me olhar. Do lado dele há um careca quarentão com cara de poucos amigos. O homem acaba de cruzar os braços para nós dois. Risos. – O moreno coloca sua bagagem de mão na parte de cima.

— A gente vai separado? – faço um biquinho. Olho o meu bilhete e vejo que meu lugar é lá atrás.

— Mhuhm. Foi mal linda. Mas logo no hotel vamos ficar juntinhos. Ok? Podemos conversar no whatsapp na viagem. Esse avião tem wifi. – Ele sorri e abro outro sorrisinho por conta do seu jeito meigo. E safadinho. E paternal.

— São quantas horas? – sussurro.

— Acho que são três. Vai passar rapidinho, eu prometo. – ele pisca um olho e se senta.

Abro um sorrio pequeno e vou para o meu acento.

* * *

Na primeira hora de vôo o Armin se fez de palhaço. O velhote que veio do lado dele decidiu, coitado, tirar uma soneca do lado do Armando. O resultado foi o moreno tirando várias fotos da cabeça dele e fabricando incontáveis memes. Ele mandava todos para mim me causando crises de riso e culpabilidade.

Na última hora, decido escrever-lhe outra vez, para saber o que ele está fazendo. Íamos chegar às dez e ir para o hotel. E provavelmente depois sairíamos.

Lynn: “Oi, Armin.”

Armando: “Gatinha… Hm… Oi?”

Lynn: “O que você está fazendo?”

Armando: “Estou vendo um filme. Mas agora estou falando com você.”

Dou um sorriso.

Armando: “Me diga, você é dessas garotas que ficam com vontade de transar quando escurece?” Leio a mensagem e mordo os lábios, sentindo um pouco de frio na barriga.

Lynn: “Hahaha… Com certeza.” Escrevo porque é verdade, e para provocar também.

Armando: “Hmmm… Hm. Safada. Vamos no banheiro, gostosa?”

Tiro os olhos da tela e mordo os lábios, respirando um pouco forte de ansiedade algum tempo. É uma proposta irresistível, mas não me sinto a vontade.

Lynn: “Quê?! Falta pouquíssimo pro vôo acabar! É melhor… esperarmos.”

Armando: “Ah…”

Armando: “:(“

Armando: “Você é má… não consigo parar de pensar no seu rosto.”

Lynn: “No meu rosto? Hahaha…”

Tenho um sorriso bobo pendurado.

Do meu lado no avião tem uma freira sentada, mas ela está dormindo. É cômico. Ela foi uma fofa a viagem toda. Foi para o canto dela para não me incomodar e não apoiou o braço na divisória dos acentos em nenhum momento. Eu, por minha vez, rindo sozinha igual uma retardada, o tempo todo, e incomodando.

Armando acaba de mandar um áudio. Com preguiça de por fones, apenas abaixo o volume e aproximo o celular da minha orelha.

— Sim… Gostosa… Sua boca é, puta que pariu, sexy para caralho. Não consigo parar de pensar no meu pau dentro dela, em você ajoelhada… Deus… Os barulhos que você fazia com os lábios. Aghhh… Vamos no banheiro? Hm? Diz que sim para mim, gatinha. Eu prometo ser fofo com você. Mhuhm. Ok? Linda. – ele diz tudo baixinho e super rouco. Acabo de ficar excitada. Sinto que é um joguinho, isso. E decido entrar nele.

— Hahaha… A sua voz é tão sexy, Armin. – respondo, sussurrando após o meu risinho sedutor.

— Hehe. Obrigado, você tem uma voz sensual também. Você quer que eu siga falando assim com você, hmm? – ele dá outro risinho no áudio. — Ou eu também posso voltar ao normal, e falar assim, hahahaha! – sua voz deixa de ser rouca e ele conversa mais depressa, contrastando com a sensualidade da outra voz. Depois ele dá uma risada super gostosa, e contagiante.

Lhe mando um áudio gargalhando.

— Manda uma foto para mim do seu rostinho, de agora. Quero olhar para ele. Gatinha linda. – Ele pede, arrastado de novo.

— Agora…? Agora não… – Respondo, toda meiga.

— Sim, por que não? Qual a razão? Não tá mais arrumada? Hm, gatinha… Não me importa se você tem… Espinhas, pintinhas, ou qualquer outra palhaçada. Eu não ligo, eu juro. Não ligo mesmo. É normal, sabia? E eu gosto muito de você. Muito. Você é linda. Entende? Linda. – Ele enfatiza os elogios. Estou sorrindo e excitadinha ao mesmo tempo. Algo que ninguém imagina à primeira vista como um fato compatível. — Especialmente os seus lábios, brilhantes e suaves, hm… Que gostosos. Mm, porra… Merda, Lynn. Meu pau tá ficando muito duro lembrando de você.

Ui, o nível está subindo. Mordo minha boca, ouvindo algumas pausas da voz dele, que parecem gemidinhos de satisfação. Muito sensuais.

— Então você não se importa de ver meu rosto sem maquiagem? – falo, reparando nisso.

— Hm. Não! Claro que não! Você não sabe o quanto você é maravilhosa? Eu juro por Deus, qualquer cara do mundo seria o mais sortudo em ter você como namorada. Você é olímpica. Uma vênus.

— Que fofo. – Sorrio.

— Mhuhm. Então é disso que você gosta, de fofura? Quer que eu seja fofo com você? Eu vou ser fofo contigo, baby. Eu vou te dar tantos beijinhos como você quiser. Beijinhos na sua testa, no seu rosto, nos seus lábios. Mmmm? Mas não nestes lábios de cima, nos de baixo. – Ele dá um risinho sacana. — Você gosta desses áudios, ou quer que eu pare? Você quer que eu seja fofo com você, hm? Não é? Ok, eu vou beijar o seu cuzinho também. – Armando ri gostoso e safado.

Nesse momento coloco os fones para ouvir o áudio de novo, me sentindo vermelha. Sério que ele teria coragem de me beijar ali? Ele é mesmo tarado. Esse é o seu jeito de ser fofo? Para mim é pura perversão, nada de fofura.

Lynn: “Eu sigo maquiada. Não mando a foto porque não estou a fim. ;P”

— Ah… Que desobediente você, em? Hm… Você segue maquiada? Mhuhm… Eu vou fazer uma desgraça na sua cara, baby. Vou arruinar sua maquiagem. – Ele diz a última frase com uma voz de macho fodedor tão intensa, enfatizando o verbo arruinar, que sinto meu ventre apertando.

Lhe mando uma foto do meu rosto no escuro. Quando nos vimos antes, eu estava usando uma jaqueta de couro fechada e não dava para ver minha camiseta. Agora a jaqueta estava aberta, e dava para ver o que estava escrito nela: “babe”.

Coincidência ou conspiração do universo?

— Hmm… Babe? – ele responde, super excitado. — Baby, baby… Hahah… – não é possível, deve ter algo mais escuro nessa palavra do que parece. Pauso o áudio e procuro com a wifi do avião “Baby girl sex vídeos.” Ladeio o meu rosto para conferir se a freira está dormindo e tampo o lado do meu celular que aponta para o corredor com a minha mão.

Uau. Me deparo com um monte de vídeos pornográficos onde sempre aparece uma mulher vestida de um jeito infantil, com rabinhos de cavalo, lacinhos no cabelo, usando roupas cor-de-rosa, segurando ursinhos de pelúcia ou outros brinquedos, chupando pirulitos, com meias altas, uniformes de colégio e conversando de uma forma bem acriançada com o cara que participa do vídeo.

Eu deixava só a parte dos diálogos, para não ser notada vendo fucking pornografia dentro do avião.

A “baby girl” costuma chamar o cara de “daddy”. Dá para ver os atores sempre vestidos com camisas e roupas formais. Na maioria dos vídeos a baby fez algo errado e o daddy está disposto a educá-la.

O papai, velho. Não acredito no que eu estou vendo. Que safado da porra! Agora entendo tudo. Tarado… Ai… Não sei bem se estou odiando isto. Acho que não. Haha.

Lynn: “Hihi.”

Tiro a pausa do áudio.

—…Seus olhinhos são de gatinha manhosa, gatinha do Shrek. Pedindo piedade quando apronta. E são redondos como os de uma linda boneca. Como eu amo seus olhinhos, baby. Olhando para mim… Baby, eu amo você.

Dou outra risada ouvindo o áudio.

Eu amo você?

Canalha…

Não faz falta me iludir assim.

* * *

🎼 Mídia

— E aí… Como foi o vôo para você, foi tranquilo? – Armando pergunta, abrindo a porta do nosso quarto com o cartão.

— Foi sim. Que hora nós vamos sair? – vou entrando justo atrás, com a mala.

O moreno tira o “não perturbe” de dentro da porta e coloca do lado de fora, a trancando por dentro.

— De gandaia? – ele abre um sorriso malicioso. — Amanhã. Hoje vamos relaxar.

— Relaxar, é?

É minha vez de abrir um sorriso maldoso. Ouço seu risinho sacana em resposta.

— Mmm… Sim. Me espera? Acho que vou tomar um banho. – Armando pisca um olho.

— Espero sim. – Dou um leve risinho. — Gostei desse quarto, é limpo, arrumadinho… Sem ser extravagante. – Sorrio. O chão é cinza, as roupas de cama são escuras, e não tem mais do que o necessário na suíte.

— Uhum. – Armando apenas dá um risinho pelo meu comentário e se agacha, abrindo a bagagem.

Ele pega um pijama cinza escuro de algodão.

— Ei… Eu tenho uns doces, você quer? – pergunta o moreno, tirando um pacote de pirulitos de vários tamanhos de dentro da mala.

— Ok. – Dou de ombros e o pego. Vejo ao redor um cestinho de palha branca em cima da escrivaninha e despejo todos nele.

Quando olho pro Armin, vejo que ele pendura um sorriso de lado.

— Fica aí me esperando, bem comportadinha. – Seu timbre fica gostoso e ele pisca um olho, entrando para dentro do banheiro e o fechando.

Mordo meu lábio inferior.

Hehe. Hm… Malvado.

E se eu não quiser?

Bom, eu não sei se ele vai ser rápido. Acho que dá tempo de eu procurar um pouco mais sobre estes gostos exóticos do meu amiguinho.

Tiro o meu portátil da mochila e o abro em cima da mesa, que está diante da cama. Dou início a uma aba de internet, e num documento de word que tem algumas anotações do FP, para não ser pega no flagra.

“Google: Daddy Kink”.

Daddy Kink: é uma subcategoria dentro das práticas de BDSM

Daddy/Baby: role-play envolvendo dominação e submissão onde o caregiver, “Daddy”, deve ser obedecido, e a “baby girl” deve obedecer. Variantes: Mommy/Baby. Não necessariamente envolve atos sexuais, mas sim atividades terapêuticas como desenhar juntos, ver um filme que a baby gostava de assistir na infância, alimentá-la, abraçá-la, contar-lhe histórias, e confortá-la emocionalmente quando ela esteja triste ou com a auto-estima baixa, etc. O Daddy pode cuidar da rotina da baby, ajudá-la a cumprir suas tarefas cotidianas, e estabelecer certas normas que deverão ser cumpridas por sua pequena.

DDLG: A sigla significa Daddy Dom/Little girl.

Ageplay: role-play onde duas pessoas adultas performam ter idades diferentes às reais numa cena de BDSM. Normalmente, o Top/Dominante finge ser mais velho, e o/a bottom/submisso/submissa finge ser mais novo(a). Também pode fazer referência ao fetiche que algumas pessoas possuem por outras bem mais velhas ou bem mais novas.

Daddy: Top/Dominante na relação Daddy/Baby ou DDLG. Normalmente é mais brincalhão e carinhoso do que outros Tops (por exemplo, Tamers, Degraders, Owners ou Masters).

Baby: bottom/submissa na relaçao Daddy/Baby ou DDLG. É um garoto ou garota, sempre maior de idade, que adota atitudes infantis voluntariamente, com a finalidade de se sentir protegido(a) por seu dominante num ambiente seguro, conhecido na subcultura como “Little Space”.

Little Space: um mundo privado onde mulheres e homens maiores de idade podem esquecer-se por um momento das suas responsabilidades e papéis como adultos e serem cuidados pelo dominante como se fossem realmente frágeis e dependentes. O little space é diferente para cada submisso/a. Muitos têm brinquedos, alguns usam chupetas e inclusive fraldas. A submissa escolhe a idade que quer performar no little space, que varia de 1 a 17 anos.

É muito importante entender que DDLG só pode ser praticado por pessoas maiores de idade. A parte submissa jamais deverá ser uma adolescente real.

Castigos: DDLG pode envolver sado-masoquismo, ou não. É o Daddy quem se encarrega de aplicar castigos caso a sua baby não esteja sendo disciplinada.

As únicas regras são as que o próprio casal impor, sempre e quando a relação seja saudável, segura e consentida.

Isso parece interessante.

Então ele quer cuidar de mim… Como se eu fosse um bebê ou uma criancinha?

É bem fofo.

Ele é muito carinhoso. Mas também tem um lado sacana, cheio de maldade. Essa perversão é a cara dele.

Acho que vou deixar o Armin excitadinho.

— Deixa eu ver… – Sussurro para mim mesma, prendendo um risinho.

Abro um dos pirulitos que o papai deixou para mim e o coloco na boca.

Faço duas tranças no meu cabelo, uma de cada lado e visto um pijama cujo shortinho é rosa fúcsia, e a parte de cima é de oncinha. Na camiseta está escrito “cute” de rosa.

Ouço o chuveiro fechar e me sento na cadeira rapidamente, abrindo o documento do FP no computador e fingindo que estou estudando.

Quando Armando abre a porta, a névoa de água quente invade um pouco o quarto, junto com o cheiro de limpeza que exala dele.

O moreno vem para perto de mim e toca meu ombro.

— O que você está fazendo, neném? – Armando pergunta, abaixando a cabeça e bisbilhotando a tela.

— Estudando. – Respondo com um sorrisinho.

— Estudando, sério? – ele ri sacana, de um jeito curto.

— Uhum. – murmuro, corando.

— Quais você reprovou? – Ele se senta na cama, arregalando um pouco os olhos.

— Inglês, Desenho Técnico e Educação Física. – Respondo, puxando o pirulito da boca, que estrala nela barulhentamente.

Armando ergue uma sobrancelha com um sorriso de lado.

— Um… Mhuhum. – O moreno apoia as duas mãos na cama. — Por que não me pediu ajuda? Eu sou ótimo em inglês. – Ele revela, convencido.

— Ah, sim? Ótimo tipo… C1/C2 no “marco común europeo”? – dou um risinho sapeca.

— C2. – Ele responde, expondo seus lindos dentes brancos. — Sou ótimo. Quer ver? Sei até imitar uns sotaques.

— Quero! – Rio baixinho e me giro para ele, olhando-o atentamente.

— Ok. – Ele lambe o lábio inferior. — Eu imito, e você tenta dizer de onde é o sotaque. Ok? Se você acertar tudo, eu vou te dar um pirulito maior.

Rio baixinho.

A voz dele parece não conter malícia.

Talvez só pareça.

— Certo! – exclamo, sorrindo.

— Doun’t boother me, kiwi. – fico um tempo pensando. — I’m Australian if you didn’t notice it. – ele expande seu sorriso.

— Ah, não vale! Você não me deixou adivinhar. – Faço um pequeno biquinho.

— Hahaha. É mesmo. Desculpa. – ele ri um pouco distraído. — Como estamos em Paris, agora eu sou francês. Bonsoir. Oui, oui. Huhu! – ele faz alguns gestos cômicos e refinados, me fazendo rir de novo, enquanto exagera no biquinho.

— Idiota. Você não sabe brincar! – dou alguns risinhos finos, olhando para ele.

— Sei sim, bebê. Nós já vamos continuar. – Armando segue sorrindo.

— Tá. Mas primeiro faz o sotaque dos Estados Unidos? Por favorzinho! – peço de um jeito fofo, sorrindo.

— Depois você reclama… I promise for the Constitution to say all the truth, the whole truth. So, thanks God, and the 13th Amendment, God is on our side. We, from The United States of America, are a FREE country. – Enquantoelevaifalandomedáumapequenacrisederisopoiselerealmenteincorporaopersonagem. — Quem é esse?! – sua voz volta ao normal, e ele fica sério.

— É o Barak Obama! – gargalho um pouco.

— Hmmm… Ponto para você, linda. – Ele diz rouco e grave, cheio de maldade. — Eu estou torcendo para você acertar todas. Mhuhm.

— E ser premiada? – Respondo, com um suspirinho arrastado.

— Haham. – ele morde seu lábio inferior. — Próximo… Mr., I have found the problem with your rooter. Please, Mr. calm down. This attitude is not helping.

Gargalho outra vez. Até a cara dele muda fazendo essas palhaçadas.

— Jamaica?! – exclamo.

— Errou, baby. – Ele me olha com cara de esperto. — É um call center na Índia. – Armando pisca um olho.

Mostro parte da minha língua bem infantilmente e ele dá outro risinho maldoso. Seus olhos me secam, navegando por minhas pernas, por minha roupa. Sei o que ele deve estar pensando, mas sigo me fazendo de sonsa.

Deve ser difícil para ele falar sobre isso.

— Como é que você sabe imitar tantos sotaques e tão bem?

— Porque eu nasci na Escócia. – Seus olhinhos estão brilhando. — Eu e o André fomos adotados aos quatorze anos, por um casal espanhol. Uns santos, né? Eu já nem tinha esperança. Eu e o André éramos uns trombadinhas bem fodidos.

Rio do comentário.

— Que bom! Mas ué… Como é que você conversa sem sotaque escocês? Que eu saiba uma pessoa só pode ser bilíngue antes da puberdade. De outro modo, o cérebro já armazena outras línguas como estrangeiras, o conteúdo vai para uma área diferente.

— Eu sou esperto, bebê. A vida me fez ser.

Abro um pequeno sorriso compassivo.

É duro se desfazer da sua própria cultura porque as coisas estão ruins. Acho que é por isso que ele sempre me ajuda quando preciso de alguma coisa nas aulas.

— Hmm. Entendi. Fala um pouco comigo com o seu sotaque? Eu acho bem sexy.

A cara dele fica toda maliciosa.

— Hm… Ok, baby. Mas tem um preço. Você sabe… É um assunto delicado para mim. Quando eu cheguei na Espanha, eu sofria bullying por ter sotaque. Tive que me livrar dele e acessá-lo agora me faz lembrar de momentos traumáticos. – Ele diz irônico e sarcástico, tentando me enrolar.

— Mhuhm. E como você quer que eu te pague?

Seu sorriso se expande, passando de sexy a cômico. Bem animado.

🎼 Mídia

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— Pois, lassy… Você tem a chance de colocar a sua melosa e gostosa boquinha no meu… Fiu. – Armando assobia e olha para o seu pau, apontando para ele com as duas mãos enquanto apoia os cotovelos na cama

— Palhaço! – exclamo, rindo. — Lassy?

— Lassy é lady. Senhora. – o moreno responde rápido. — Qual é? – e pergunta, enquanto ri comigo. Vejo Armando se endireitando na cama e recobrando a seriedade. — O meu sotaque faz você sentir coisas, downstairs? It makes your pussy wet. – Ele arrasta a voz, todo tarado.

— Não. Mas é bem gostoso de escutar. Eu estou adorando. – Dou um risinho.

Ele morde o lábio inferior e aproxima o rosto de mim, com as pernas abertas, ficando bem perto enquanto seus braços caem apoiados entre elas.

— Do you like it enough to suck my cock again? – [Você adora o bastante para chupar o meu pau de novo?] – mordo o lábio inferior, involuntariamente. Ele acaba de notar o efeito em mim. — Hm, lassy?

— Hm… – coro de excitação. — É que eu… – decido brincar com ele, e prendo um risinho. — Já estou chupando algo, I’m sorry. – Coloco o pirulito na boca de novo.

— Safada… Você tá tentando me excitar. Mhuhm. – os olhos azuis dele estão brilhando de tesão enquanto ele não para de olhar minha boca.

Dou alguns risinhos finos e fico lambendo o pirulito na frente dele de um jeito bem exagerado enquanto ele fala, me deliciando e estralando os lábios.

— Eu tenho certeza de que uma garota tão gulosona como você adoraria ter algo maior na boca. – Seu timbre segue arrastado. Mordo meu lábio inferior com a boquinha toda melada. – Hm? Então olha… – ele se toca por cima da bermuda frouxa de forma rude, pegando em si mesmo. Seu volume fica ainda mais evidente, deliciosamente duro e grosso na sua mão. – Eu prometo que o meu pirulito é bem mais gostoso do que o seu. – O moreno afirma, enfatizando o intensificador e sibilando. – Strawberry.

– Haha. – Dou um risinho. Ele acaba de dizer que o pau dele é de morango? Sigo rindo baixinho.

– Hum, vem logo. – ele me olha sacana. – Você me deixou com muito, muito tesão. Bem quente, e duro. Então olha… Meu pirulito. – Armin tira o pau de dentro da bermuda e o segura na base. Uma tentação que me faz querer saboreá-lo de imediato.

O papo é escroto… Mas esse pau é todo duro e veiudo. Muito grosso.

– Mmmm… – gemo baixinho enquanto sinto muito prazer recorrendo meu corpo e se transformando num líquido que vai descendo e molhando minha calcinha. — Mas eu tinha que estudar mais… Não… Não ficar chupando pirulito! – exclamo, prendendo um risinho. Mas acabamos rindo bem sacanas os dois juntos. – Né… – gemo a palavra. – Papai. – Sussurro, lentamente.

Armin morde o lábio inferior com força, e nos olhamos de um jeito cúmplice.

Pouco a pouco, aparece no rosto dele um sorriso maligno e satisfeito.

O mais sacana de toda a sua vida.

Fico olhando para ele com tesão, sentindo várias pulsadas pelo meu clítoris, dentro de mim… hum. Seus braços ficam marcando no pijama, seu cabelo ainda está um pouco molhado do banho. Ele é tão lindo… Tão gostoso.

O moreno se levanta, e para na minha frente; me olha desde cima e toca o meu rosto enquanto se segura pela base.

— Escuta… – ele sussurra. — Tô achando você um pouco custosa. – Sua voz fica irônica. — Obedeça, é muito importante. Diz a verdade pro seu Papi. Você preferiria estar chupando pau do que estudando, não é? Estudar, ou chupar pau? O que é melhor? Hm?

— Hm… Uhum, eu preferiria estar mamando no seu pau do que estudando, Papai. – Respondo corada de vergonha.

— Mmm. – Ele murmura rouco. — Boa garota. A sua voz é tão linda. Daddy vai te dar um beijo cada vez que você disser uma palavra sacana. Um beijinho escocês. Hm? – Ele se abaixa e beija a minha testa, com uma ternura paternal, mostrando-me o que esse beijo significa, e mantém o rosto na frente do meu.

Armando segura o meu rosto, com o polegar numa bochecha e o resto dos dedos em outra. Minha pele macia dá uma leve afundada com o contato de suas mãos.

— Mas se você me desobedecer, e não fizer o que eu mando… – ele fica sério e ameaçante. Sua voz denota suspense. — Nada de bejinhos escoceses para você. – Armin ladeia um sorriso após me passar medo de propósito. — Mas Daddy sabe que você ama esses beijos. Você puto ama, não é? – sua mão no meu rosto, segurando-o, o aperta de um jeito um tanto agressivo enquanto ele me olha com as sobrancelhas franzidas de raiva.

Encosto uma mão em cada coxa sua, hipnotizada.

Sua mão vai laceando do meu rosto, ele o solta, se segurando outra vez pela base e me encarando assim, com esse olhar frio e firme.

— Então seja uma boa filhinha, obediente. De outro modo, o Daddy vai ter que te punir. Te castigar. – Armin dá uma cuspida por cima da cabeça do próprio pau quando acaba de falar, todo nervosinho.

— Mmm… – gemo baixinho, sentindo a minha boceta se contrair de um jeito gostoso. Ele coloca seu polegar dentro da minha boca, ensopando-o de saliva. Sugo dando um suspiro. — Ain… – lambo seu dedo por baixo e o olho bem nos olhos. — Que mau… – coloco uma vozinha chateada. — Não tenho mais remédio a não ser chupar o pau do meu Daddy.

— Mhuhm. Claro. – Sinto seu membro entre os meus lábios e ponho a língua para fora o máximo que posso, ficando com uma carinha de prazer bem promíscua, com os olhos brilhantes. — Papi tá tentando te alimentar. Então suga logo. – Ele sussurra sarcástico e bate o pau dele contra minha língua várias vezes.

Gemo agoniada, revirando os olhos.

— Você gosta, hm? Assente com essa carinha linda, linda para caralho.

Assinto freneticamente e fecho a boca ao redor dele, começando a chupá-lo; na primeira vez o levo até a garganta, me esforçando para entrar mais do que posso suportar. Reviro os olhos, tossindo e mantendo contato visual.

Acabo babando todo o líquido vermelho do pirulito, que vai escorrendo para o chão. Sinto como ele segura o meu cabelo no topo da minha cabeça, seus dedos rudes acabam me despenteando.

O rostinho dele está vermelho, bem corado enquanto ele grunhe rouco e sensualmente. Que delícia. Começo a chupá-lo para cima e para baixo, ficando descontrolada de tesão, apoiando as mãos nos meus joelhos de um jeito submisso, cuspindo nele sem tirá-lo da boca, às vezes engolindo os líquidos, às vezes deixando que toda a baba escorra por meu queixo.

— Ahn… – gemo baixinho, agoniada e excitada. O tiro até o final, ofegando forte e a medida em que o tiro da boca, o pau dele sai duro como uma pedra. Meu torso está todo corado pela excitação. Sinto como ele segura cada trancinha minha com uma mão e suspiro forte. O toque me excita.

— Acho que eu te amo, bebê. – Ele dá um risinho sacana. — Faz isso outra vez. Essas cuspidas. – Olho para ele sorrindo e cuspo como ele pediu. — Mmmm… – ele geme rouco e deliciado, olhando o cuspe pendurado desde a minha boca até sua glande. Arrasto minha mão lentamente e o seguro, começo a masturbá-lo, toda corada, para cima e pra baixo enquanto minha calcinha se molha mais. — Posso meter meu pau até o fundo da sua garganta? Eu vou ser gentil com você, eu prometo. – Ele assente. — A menos que você queira que eu seja rude. – O ritmo da minha mão começa a ser um pouco mais frenético, os olhos dele estão perdendo o foco.

— Você pode fazer o que você quiser comigo, Papai. O que você quiser! – Gemo baixinho enquanto olho a boca dele entreaberta, deslizando minha mão por seu pau ensopado e sentindo o meu corpo todo sensível em consequência. O atrito dele na minha pele me deixa muito excitada.

— O que eu quiser, é? – ele ri baixinho e sacana, após sussurrar isso. Seus dedos entram na minha franja de um jeito agressivo, mas pausado. — Abre bem a sua boca. – Ponho a língua para fora, me sentindo deliciosamente humilhada, olhando para ele. Sinto como seu pau entra, e quando vai passando por minha goela fico assustada e excitada com essa sensação de estar sendo usada. Começo a lagrimejar e tento conter as ameaças de vômito enquanto meu estômago embrulha.

Sofrendo, pisco algumas vezes com as sobrancelhas franzidas, lhe encarando enquanto umas lágrimas escorrem. Meu lápis de olho, rímel e batom mancharam o meu rosto todo. Agora entendo a que ele se referia com “arruinar minha maquiagem”.

— Aguenta, pro Papai. Quietinha, crybaby. – Ele dá um risinho sacana, extasiado, respirando alto. Depois dessa garganta profunda, na que fiquei sentindo os tocos ásperos dos seus pêlos pubianos nos meus lábios, o moreno puxa a minha cabeça lentamente até sair a metade e respiro, ainda tossindo. — Boa garota. Você colocou ele todo na boca! – ele exclama sarcástico, grave, irônico, orgulhoso.

— Mmm… Uhum! – Assinto infantilmente, murmurando fino. Volto a chupá-lo depressa, dando alguns gemidinhos e olhando-o bem atenta, de um jeito submisso e entregue. O cheiro do pau dele tá me deixando super puta.

— Fuhh… – Ele dá uma palmada no meu rosto, ficando descontrolado, violento de tesão. — Vou foder sua garganta. – Ele sussurra o aviso, todo perdido. Segura as trancinhas com as duas mãos e começa a estocar rápido, fazendo com que eu perca todo o controle de mim.

Eu deveria estar ofendida, mas estou excitada. Começo a apertar meus seios levemente, puxando os biquinhos no sutiã, sentindo minha boceta se contraindo muito. Da boca dele escapam uns gemidinhos gostosos, graves e baixos enquanto ele ofega, que só me excitam mais.

Sinto como o moreno puxa a minha cabeça de uma vez, e fico respirando bem alto, gemendo acabada. Nos olhamos com intensidade. Lambo ao redor da minha boca, agarrando meus seios mais forte.

— Hm… Você deixa o Papi bem doido, putinha vadia. – Ele começa a se masturbar perto do meu rosto enquanto puxa meu cabelo numa mão, me maltratando. Minha moral diz que é errado, mas meus hormônios estão adorando. — Você gosta de ver como eu me masturbo, hm? – Ele ladeia um sorrisinho.

— Sim, Papai. Gosto do seu pau… – Respondo, envergonhada.

— Boa garota. Levanta.

Dou um risinho safado e me levanto, segurando-o pela camiseta do pijama. Ele me olha desde cima, e segura meu rosto com as duas mãos, de um jeito possessivo.

— Ok. Aqui estão os seus beijinhos por ser tão boazinha com o Papai. – Armin beija a minha testa várias vezes, barulhentamente, brincando comigo.

— Obrigada, Daddy. – Rio com vergonha entre um beijo e outro, me contendo, quase gargalhando, sentindo sua mão molhada pegando no meu rosto encharcado.

─ De nada. Você é tão linda. – diz ele, com voz muito fofa, dando mais beijos e logo uma risada um pouco mais infantil, imitando as minhas, mostrando o quanto ele acha o meu risinho bonitinho. ─ Que eu quero que você seja minha. Alisar o seu lindo, lindo cabelo lilás… Quero dizer, roxo. A última vez que eu falei que você tinha o cabelo lilás você ficou nervosa comigo… E te dar todos os beijinhos que você quiser. Então, me diga… Hm? O que te deixa excitada?

— Papi… Aqui… – aperto meus seios um no outro com uma mão de cada lado, pressionando-os no peito dele e mordendo o meu lábio. — E aqui umas palmadas… – Sussurro e aliso um lado do meu bumbum algumas vezes.

─ Mhuhm. Fhhh. Você quer que o Papai chupe eles gostoso para você? – Ele sussurra e cai sentado na cama, me trazendo para o colo dele com o movimento e agarrando minha bunda com as mãos por dentro do shortinho, apertando a carne deliciosamente.

Fico com a boceta bem em cima do seu pau e agarro seus ombros enquanto ele levanta minha camiseta com uma mão para logo segurar um dos meus seios. Armin começa a apertá-lo, até ele sair para fora do sutiã, enquanto alisa meu traseiro. Sem paciência, ele levanta minha camiseta, a tira e desabrocha o meu sutiã. O moreno se aproxima do meu peito e sinto o ar quente da boca dele por ali.

─ Seus biquinhos, hm? Bem sensíveis. – Ele sussurra satisfeito após olhá-los como se estivesse analisando os dois. Sinto o pau dele ficando totalmente duro de novo. ─ Eles são tão rosinhas. Tão gostosos. Posso morder? – Assinto negativamente, sentindo suas grandes mãos me segurando.

─ Não, papai. Dói muito. – Franzo minhas sobrancelhas, apertando meus dedinhos em volta do seu pescoço.

─ Shh… Não dói… Deixa eu morder. – Sinto o ar quente da boca dele num dos meus mamilos, ele o lambe, me estremecendo. ─ Grr.. – Armando dá uma mordida leve na pele do meu peito, a que está imediata aos redores do mamilo.

─ Auu… Para, Daddy. Para… – Reclamo, chorosa, apertando-o mais forte. Ele fecha os lábios ao redor do meu peito e dá uma sugada profunda, até a ponta sair da sua boca. Após isso, reviro os olhos e sinto um monte de líquido descer para minha calcinha enquanto meu corpo estremece.

─ Desculpa, baby. – Ele sussurra, sarcástico. ─ Perdoa? – o moreno fala comigo de um jeito infantil agora.

─ Hm… Não, Papai.

─ Por favor. – Seus lábios vêm muito insalivados sobre o outro mamilo, me fazendo gemer alto e agarrar sua nuca, passando as unhas de leve nela, causando-lhe uma sensação intensa.

— Hm… Ok, Papi. Se você seguir assim. – gemo baixinho. Armando cospe por cima do outro um escarro bem espesso e barulhento, de repente. O ruído disso, tão alto e masculino, com o timbre da voz dele por trás, fez o meu ventre se remover. — Mmm… Ai. Assim, sim. Papai. Com muita saliva. – gemo baixinho e arrastado essas frases, passando minha calcinha no pau dele lentamente.

Passo a apoiar cada mão minha num joelho seu, deixando o meu torso inteiro exposto para ele, com o meu rosto todo excitado.

─ Hm… – ele agarra um biquinho em cada mão e começa a girá-los enquanto nos olhamos nos olhos. Fico revirando um pouco minhas pupilas, e com a boca aberta, molhando cada vez mais minha calcinha enquanto sinto as carícias arrepiantes. — Você quer que eu cuspa mais em você? – Assinto, já sem nenhuma vergonha, me sentindo muito sacana.

─ Se você quiser cuspir em mim, Papai… Você pode! Eu sou sua, Dad. – sussurro, corada.

─ Você é minha, baby. Só minha. Só do Daddy. – O moreno os segura e os deixa bem juntinhos. Ele começa a passar sua língua com violência para cima e para baixo de um lado, e logo a sugar com muita pressão, alternando os movimentos. O apertão que ele dá nos dois me deixa muito amolecida.

Armin leva sua boca úmida até o outro seio e segura o que já está molhado com seus dedos, indicador e polegar, esticando-o prazerosamente, com cuidado e um pouco de pressão, enquanto segue chupando.

─ Hehe. – Armando dá um risinhos sarcásticos e começa a chupá-los tão forte e intensamente, que nos segundos seguintes meus pensamentos logo se vão, no meu cérebro agora só sinto sua língua cutucando o biquinho para cima e pra baixo, a pressão da sua boca, e seus dedos puxando o outro. ─ Mmmmm. Gostosa. – o moreno alterna os lados de novo.

Ele geme grave com o pau super endurecido, mostrando o quanto ele desfruta lambendo-os, suspirando e tocando-os de um jeito descontrolado, que só enfatiza o quanto ele gosta. A frequência com que muda a boca de lugar agora é maior. Meus seios estão muito, muito molhados. Estão ficando sensíveis e doloridos de um jeito que chega a ser gostoso, para uma masoquista.

─ Ain… Pa-papai.. Vamos foder, vamos. Por favor.

Acho que ninguém nunca ficou me mamando por mais de dez minutos. Estou deixando ele fazer isso, experimentando essa nova forma de transar, passando a mão por seus cabelos com carinhos intensos e relaxantes. E às vezes puxando seu cabelo de leve enquanto gemo.

─ Ah… Ar… Ar-…min… Me.. – sinto como coro. ─ Me fode. Por favor… – peço gemendo e arranhando sua nuca.

O moreno tira sua camiseta, ficando todo despenteado, cabelos e sobrancelhas; todo vermelho de excitação. Me afasta um pouco enquanto segura minha bunda e me ajuda a me livrar do meu shortinho e da minha calcinha. Fico em pé, mordendo o meu lábio inferior.

─ Eu gosto muito dessa postura, Papai. – Confesso mimosa. Vejo como ele segura seu pau pela base.

Ele me excita, com essa voz e o seu jeito de sentar espalhado com esse olhar maligno, tocando-se a si mesmo sem nenhum pudor, na minha frente. Gemo de desejo, olhando seu corpo definido, em conjunto com seus olhos tão, tão bonitos. Toco seu peitoral de um jeito carinhoso, arranhando de leve, ficando bem perto e o admirando.

─ Eu também. – Ele pisca um olho e me mostra um sorriso. ─ Sou lindo, né, baby? – ele ri baixinho. Fico imediatamente corada, vendo como ele me notou secando-o tanto.

─ Papai… Você é lindo. Mas também é idiota… E convencido. – Falo com prepotência, Começo a me agachar, na direção do pau dele, até sentir a cabeçona do pau dele roçando na minha entrada. Seguro seus ombros com força e ele me puxa pela bunda até o talo, de surpresa. Dou um gemido alto, que parece uma lamúria.  

─ Ai, ai. Tá muito quente. É bom, mas tá me arrombando. – reviro os olhos de dor. Choro baixo. ─ Que dor! – exclamo e finco as unhas nele. Enquanto ele me segura colada com ele sinto um tapa forte e doloroso na minha bunda. Ele a agarra por baixo e fica respirando quente no meu pescoço, me pegando com as duas mãos e me afirmando contra ele de um jeito possessivo.

─ Tá doendo, né? Sabe por quê? Porque você não pode falar assim com o Daddy, xingando. Um pouco de respeito, sua mal-educada. Se não eu vou destruir a sua bocetinha. – Essa frase sacana, junto com a temperatura do pau quente dele dentro de mim e a sensação do meu líquido envolvendo-o por completo me fez gemer baixo de novo, ficando amolecida no seu colinho, com meus seios pregando no seu peito duro.

— Ok.. Mm. Sinto muito, Daddy. – Franzo as sobrancelhas, com algumas lágrimas rolando sem querer. Sinto ele alisar o meu cabelo carinhosamente. ─ Vai devagarzinho. Por favor. – tampo meu rosto, com vergonha, me humilhando para ele. E desvio o olhar. Tava doendo de verdade e eu não queria me arriscar à provocar uma foda sangrenta, preferia ir me acostumando um pouco mais à sensação dele dentro de mim.

Armando destampa o meu rosto e me beija de língua. Bem gostoso. Bem apaixonado.

─ Ok. Devagarzinho. Papi tava louco pra socar o cacete nessa sua bocetinha.  Hm. Que tesão. Que gostosa. – ele volta a me beijar e apertando a minha bunda, apoia os pés no chão, começando a estocar em mim num ritmo médio, gostoso, de um jeito fundo, sinto sua bermuda ir saindo do seu corpo com esfrega-esfrega e ele mesmo se livrar dela. Seguro seu pulso, rebolando nele, deixando-o me foder. Gemo contra a sua boca, e ele começa a bater sua língua na minha várias vezes, abafando meus gemidinhos, afundando e desafundando a língua nas minhas bochechas.

Vejo minha cara promíscua nas suas pupilas quando abrimos os olhos, meus seios se esfregam nele toda hora, aumentando o prazer, e meu clítoris também fica pressionando contra ele, me levando pro céu.

─ Que boceta mais pequena e apertadinha, hum? Tá apertando meu caralho todo. – ele se descontrola e me fode rápido e forte. Sinto como se eu houvesse acabado de perder uma prega. Ele me arromba pra cima e meu líquido explode no pau dele, melando tudo. ─ Ohh… – ele geme satisfeito, sentindo a reação do meu corpo. Logo me faz quicar nele para cima e pra baixo enquanto aperta minha bunda muito possessivo. Começo a revirar os olhos. Não paro de gemer de tesão ─ Assim? – ele sussurra, vendo minha reação.

Assinto, mordendo a boca. E então ele me fode gostoso e molhado com esse caralhão obsceno e grandão, me fazendo virar a putinha dele. E eu ficando cada vez mais perversa, babona e descontrolada. Até que comecei a sentar na piroca dele junto, toda preenchida. Eu sentava forte e sem vergonha, fechando meus olhos, gemendo toda no cio.

Sinto Armando se levantar bem bruto, dominado pelo tesão do momento, e me virar de costas para ele sem pensar. Ficamos em pé, ele atrás de mim. O moreno me penetra outra vez, pegando a minha cabeça com uma mão, de um jeito bem apertado, me esganando na raíz do meu cabelo. Ele começa a bater na minha bunda com a outra.

Papi mete forte, profundo, às vezes calcula mal a força dos tapas e eles doem bastante. Estou delirando. Meu corpo só não cai porque ele está agarrando meu cabelo, a dor do puxão aumenta meu prazer. Sua mão é tão grande, minha cabeça cabe quase inteira nela.

— Ai… Ai, ai, Daddy. Ai! Ai. Ai! Ai… Ah… Ai!!! Você… tá.. tá… acabando com a minha bocetinha, Dadyyyy!!! – grito fino, fechando os olhos com força. Só consigo dar pra esse pau grande e gostoso. Não consigo mais pensar. ─ Ai, Daddy! Ai, ai! Ai!

Ele dá um risinho sacana. No quarto se escuta a mistura dos meus gemidos femininos com os urros roucos dele, o choque dos nossos quadris, o barulho de água causado pelo pau dele revirando minha boceta molhada, e esses tapas, que soam tão gostosos como a sensação que eles deixam. Me pegando assim, ele faz com que eu me sinta imobilizada, indefesa, frágil. Pequenininha e feminina.

Afasto o quadril um pouco só para testar, e ele puxa minha cintura de novo, me fodendo mais forte, não me deixando escapar. Não tem como fugir dele. Não mesmo.

─ Deixa… Eu dar pra você de quatro que nem uma cachorrinha, Papai. – suplico fora de mim.

Ele me beija de língua e para de se mover, aceitando. Apoio minhas mãos na cama, ficando de quatro. Armin se ajoelha atrás de mim, e segue me ferrando enquanto puxa meu cabelo e me espanca.

─ Mmm… Mmm… Daddy. Você tá me fodendo tão fundo, tão, tão fundo. Mmmm… – Suas mãozonas agarram a minha bunda inteira, a abrindo muito enquanto esse pervertido olha para o meu cuzinho. O jeito que ele me manuseia faz o meu clítoris se esfregar na pélvis dele incontáveis vezes e estou revirando os olhos. ─ Ah… Ai, assim. Assim, Papai. – Fecho meus olhos, muito corada. ─ Gostoso! Ahh…

─ Toma, puta safada. – Ouço seu timbre pesado e sussurrado, e sinto uma palmada mais forte que as outras. ─ Toma, cachorra. Gosta de apanhar, hm? – outra, do outro lado.

E outra, e outra enquanto ele me fode. Reviro os olhos, respirando muito alto. É delicioso e insano, cada vez que ele me bate quase gozo. Até que meus gemidos somem e contenho o ar.

─ Ahhhhh. – Me desmancho num orgasmo de vários segundos, soltando uns gemidos escandalosos e manhosos. Esse clímax doeu. Queria sair de um jeito tão forte do meu corpo, que precisei me conter um pouco para que minha cabeça não explodisse.

Ele percebe meu orgasmo e sai de dentro de mim, batendo seu pau ainda duro pela minha bunda, e por minha boceta agora encharcada.​ Fico ofegando na cama, olhando-o ainda de quatro com a cabeça ladeada. Vejo seu sorriso sacana.

─ Vira de frente e abra as pernas. – faço exatamente como ele pediu e o olho.

Armando segura as minhas coxas, uma em cada mão, deitando-se de bruços entre as minhas pernas. Ele começa a beijar minhas coxas de um jeito molhado e dá uma primeira sugada por cima do meu clítoris, que me deixa trêmula.

─ Mmm… Você ficou molhadinha brincando com o papai, hm? – ele dá um risinho sacana. ─ O cheiro da sua bocetinha é uma delícia, baby.

Ele parece ter um fetiche por cheiros. É grotesco… Mas também é sexy. Significa que ele não tem frescura, não é? Que gosta tanto de boceta que até o cheiro lhe excita.

─ Mmm… – ele abre um sorriso safado. Ouço e sinto a cuspida que o Armin dá sobre minha boceta, que me arranca outro gemido. O cuspe cai por meu clítoris sensível e escorre pelo meu cuzinho junto com o meu líquido, que a essas alturas é abundante demais. ─ Gostosa… – ele sussurra. ─ Abre bem as pernas, putinha do Papai. Bem assim. – Obedeço e deixo minha boceta bem abertinha.

Sinto sua língua passando por minha virilha, secando tudo de cima até embaixo, encostando na minha bunda, passando com força pelo cóccix e indo para o outro lado, limpando a outra lateral enquanto ele segura minhas coxas com força. Ele lambe meu clítoris, o secando também, engolindo o líquido e logo fazendo a mesma coisa na entrada.

─ Mmm… – murmuro.

Ele começar a me chupar. Sua boca está ao redor do clítoris, ele o suga para dentro dela várias vezes, pregando e despregando a boca, babando, e mexendo a língua em círculos ao redor dele. Essa ação faz o meu corpo inteiro tremer e eu gemo alto ouvindo os estalos. Ele suga e solta com força e pressão uma, duas, três, quatro, cinco, seis… vezes… não para. O jeito que ele faz é maravilhoso. Agarro seu cabelo, passando mal, revirando meus olhos e tendo alguns espasmos.

─ Da-da..dy… eu v-vou gozar… de novo. – estou agoniada de prazer, com o clítoris sensível demais. Sinto prazer, e ao mesmo tempo dói.

Ele leva as mãos até os meus seios e puxa cada biquinho numa delas, de um jeito firme. Não aguento e gozo forte na boca dele, enquanto grito alto, tendo um orgasmo de acordar o hotel inteiro. Fico com os olhos arregalados olhando para o teto, ofegando.

Ele, no entanto, desce sua língua pela zona “tal”, deixando as minhas bochechas coradas. Sinto como ele o chupa e o lambe, causando-me arrepios por dentro do meu cuzinho. Sinto sua cuspida sobre ele e gemo baixinho. Se ele quiser socar no meu cuzinho eu deixo, mesmo sem forças. Sou todinha dele.

─ Você tem que fazer o seu Papi gozar também. – exige o moreno, com um timbre muito masculino e autoritário para ser permitido, enfatizando as palavras com maestria, convertendo em ameaça.

Apesar de estar fodidamente cansada, dolorida e ofegando. Assinto franzindo meus olhos, desesperadamente.

─ Claro. Claro, Papai. Onde o Senhor quer gozar? Onde vai jorrar essa sua porra doce, gostosa, maravilhosa? Joga onde quiser, Papai. Me usa. Onde você quer acabar?! Nos meus seios? Na minha boca? No meu rosto? Me dá leitinho, por favor! Por favor! – imploro.

Quero muito que ele goze. Vou me sentir um lixo na cama se eu não conseguir. E em todos os outros aspectos.

─ Mhuhm. Quero gozar na sua cara.

Me ajoelho no chão sem pensar e abro a boca. Franzo as sobrancelhas, suplicando por sua porra.

O seguro e começo a masturbá-lo várias vezes, aproveitando-me da umidade que eu havia deixado nele. Ele me olha extasiado. O coloco na boca e o chupo com intensidade, com uma expressão de extremo prazer.

─ Isso, baby. Ah… Faz um boquete bem lambuzado no seu Daddy… e Dad vai gozar pra você. – ele geme a frase, meu corpo se arrepia.

Armin segura uma trancinha em cada mão. Começo a chupar e a masturbar ao mesmo tempo, me esforçando muito. Ele agarra as tranças com mais força, dominando mais minha cabeça e me olhando mais diretamente nos olhos.

Indo e voltando muito depressa, vejo como os suspiros dele vão aumentando gradualmente, a respiração fica descompassada e seus olhos reviram, sem serem capazes de permanecer me encarando. Aumento a intensidade mais ainda.

─ Ahhmm, mmm! Ufff… Vem, amor… – ele murmura sensualmente. ─ Eu vou deixar o seu rosto maravilhoso. – Sinto certa ironia no seu tom de voz, mas muita excitação.

Ele segura a minha cabeça e se masturba várias vezes. Seu líquido branco se despeja na minha cara enquanto fecho os olhos. Me inundando. Está quente e é muita quantidade. Tá me deixando toda suja, cheia de leite. Ele esfrega a cabeça do pau dele por meus lábios levemente, gemendo. Começo a esfregar minha barriga e meus seios com a porra dele, me lambuzando, toda degradada, usada. Me sentindo a puta baixa dessse homem. Chupo a glande dele de levinho, dando lambidinhas, olhando o rosto dele. Ele gozando, que delícia… Mmm… Que bom.

─ Mhuhm. Bebêzinha. Isso, esfrega. Porra é bom pra pele. Mhuhm. – ele ri sacaninha.

Sorrio safada e apenas assinto, lambendo ele todo, socando minha cara na pica e na porra dele, me esfregando com o meu rosto por suas coxas, pelo seu saco, pelo seu pau descarregado. Ficando com o cabelo sujo. Toda porca.

─ Boa garota. Sim? Good, good girl. Hmmm…. – ele me segura e aperta meu rosto contra o seu pau. Seguro a respiração e o cheiro profundamente, ficando apaixonada no leite dele.

─ Au.. Papai… – Gemo chorosinha.

Ele está respirando super alto, muito sensualmente, se recuperando enquanto olha meu rosto nesse estado com uma expressão muito tarada. Meu coração está batendo muito depressa. Sinto minha pressão caindo e me desequilibro.

─ Tá cansada, bebê?

Assinto, com vergonha, medo e insegurança.

─ Hmmm… Vem, meu amorzinho. –  Armin se gira, pegando a toalha do hotel que ele havia usado para tomar banho, que estava em cima da mesa do escritório. Ele limpa meu rosto com ela.

─ Você vai deixar a toalha do hotel suja de porra? – falo entre risinhos. Ele começa a gargalhar baixinho e gostoso.

─ Sh. Vem aqui, neném. – Armin me ajuda e me levanto do chão, cobrindo o meu corpo com meus braços, me sentindo vulnerável e muito envergonhada agora. Atrapalhada. Volto a olhar para ele, vermelha, e vejo o sorriso ladeado que surge no rosto dele enquanto ele corresponde ao meu olhar como se estivesse encantado.

Não consigo olhá-lo nos olhos. Me sinto feia, com o cabelo assim todo estraçalhado e bagunçado. Toda suja.

O moreno me agarra num abraço forte e aconchegante, me arroupando em seu peitoral e em seus braços, como se eu fosse uma criança. Então começa a beijar a minha testa várias vezes.

─ Bebê. Você foi uma garota maravilhosa com o Daddy, ok? Meu amor. Totalmente genial. E indescritível. – Sorrio um pouquinho, ainda de olhos fechados. Tímida. ─ Quero te foder mais, mas você tem que descansar, meu anjinho.

Meu rosto corado vai voltando ao normal, e meu corpo vai se relaxando. Nos beijamos de língua enquanto eu seguro seu pescoço e ele minha cintura, pele com pele.

─ Mua, mua, mua. – Ele me dá mais beijinhos, fazendo onomatopeias. ─ Quando você quiser pica de novo, me avisa. Call Daddy, e eu vou te dar muita piroca. Baby safada. Chama o Papai, não esses zé mané. Hm? Daddy?

─ Tá bom, Papai. Eu prometo. – Respondo, apertando-o em mim.

─ Boa garota. Não se esqueça de que você acaba de prometer.

Fico um tempo com a cara paralisada.

─ Hm? – ele me estimula.

─ Tenho que tomar meu remedinho. – Comunico e vou até a minha mochila, onde tiro minha caixinha com anticoncepcionais e coloco um na boca. Armando fica olhando.

─ Oh… – o moreno observa algum tempo. Acho que… Ele se esqueceu deste detalhe, né? No calor do momento. Ainda bem que eu não. Vejo como ele parece um pouco tímido agora.

Logo coloca sua bermuda de novo e acende um cigarro. Vai até a janela sem camisa e a abre, ventilando o cheiro de sexo que deixamos no quarto, olhando para fora. Fico encarando suas costas definidas um tempo, com um sorriso de lado no meu rosto, vendo seu reflexo no vidro. Decido tomar um banho e entro sem avisar.

***

─ Armin, você come muito abacaxi? – pergunto, ladeando um sorriso.

─ Hm… Às vezes. Por quê? – ele sorri de volta.

─ Porque a sua porra estava doce.

Armando dá uma risada muito gostosa.

─ Ah, é? Baby. Estava gostosa? Se você quiser já tem mais. – Ele pisca um olho e sorri sensualmente.

Dou uma risada. Ele é mesmo bobo.

Subo na cama, apoiando minhas mãos no colchão e beijo por cima da sua boca vermelha. Em seguida, mordo seu lábio inferior. O ar quente das nossas respirações invade a boca um do outro.

─ Ui… – ele sussurra, abrindo os olhos e me olhando com seus intensos glóbulos azuis. ─ Se você não quiser que eu te foda, não faça isso. – Sua voz se arrasta.

─ Isso o quê? – dou uma gargalhada sarcástica, olhando-o com um sorriso.

─ Morder minha boca… Me beijar de repente. – Ele dá um leve suspiro, seu timbre segue sensual. ─ Eu gosto muito de você, Lynn. – Meu sorriso se fecha um pouco, enquanto sinto coisas confusas. ─ Quando você chega perto, eu sinto o seu cheiro e… Hmm… Não posso evitar ficar duro, entende? – ele sorri, sarcástico.

─ Entendo. – Respondo no modo piloto-automático. Seguro seu rosto com uma mão e acaricio sua bochecha. Armando parece vulnerável agora, se declarando para mim com esses olhos tão sinceros. ─ Você nunca me disse que gostava de mim. Ou você só diz por dizer? – sussurro, criando problemas desnecessários.

Depois da nossa foda insana, qualquer garota normal estaria apaixonadíssima. Mas eu não quero amá-lo, nem cair na rede de um garoto que agora se sente no céu comigo, e amanhã se enjoará de mim.

─ Não é por dizer. Você é perfeita. – Ele toca o meu cabelo suavemente, segurando minha cabeça. Acabo ficando corada. ─ Eu… Eu… Eu realmente sinto… muitas coisas por você, Lynn… – Ele diz olhando dentro dos olhos, com a voz firme, adocicada, apaixonada.

Olho para baixo, soltando um risinho zombeteiro.

─ Olha, Armando… Nós dois somos amigos, sabe. Você não precisa me tratar como uma qualquer. – Abro um sorriso nostálgico. ─ Não precisa ficar me iludindo, de acordo?

─ Ei… – ele sussurra rouco, me soltando. ─ Desculpa. – Armando fica alguns segundos me analisando. ─ Por que você tá dizendo isso? É porque você gosta do Casandro, né… – ele morde a boca, e a espreme. ─ Tá certo.

─ Não… É que… Sim, eu gosto dele. Mas não é por isto. Eu acho que nós não deveríamos nos envolver sentimentalmente, Armin. – contraditoriamente, me deito nele e o agarro forte. Olho pra cima.

Seu olhar cria um leve brilho estranho.

─ Hm… Por quê? – ele quase sussurra. ─ Não que eu queira me envolver com você sentimentalmente, nem nada. – Ele franze as sobrancelhas, mostrando um lado orgulhoso que eu ainda não conhecia.

─ Coisas minhas. – Digo séria.

─ Você também não é a única garota com quem eu saio, viu?! Eu não estou desesperado por você. Só tem um mês que nos conhecemos. – Ele bufa, parece chateado na verdade, apesar do que diz.

─ Bom para você. – Digo, nostálgica. ─ Você não sabe, mas todo mundo que se envolve comigo acaba num buraco. – Lá vou eu, com minha habitual autossabotagem.

Armando ergue uma sobrancelha.

─ Tranquila, viu? Eu tenho outra garota também. A Antónia. – Ele diz com um tom de burla, e mantém o sorriso ladeado.

─ Essa garota? Ela é insuportável. Vive me zoando. – Abro um sorriso irônico, misturado com uma expressão de nojo.

─ Tá com ciúmes do Papai, baby? – ele ergue uma sobrancelha, satisfeito. ─ Ela realmente é escrota, mas não deixa de ser muito gostosa.

Idiota, não é nada disso. Não quero me envolver por eu não gostar de você, senão por medo de que você me abandone quando saiba com quem está lidando.

─ Não é ciúmes! – reviro os olhos e cruzo os braços. O sorriso dele fica cada vez mais satisfeito.

─ Ok. Então você não vai se incomodar se eu pedir para você alguns conselhos sobre ela, não? Nós somos amigos. – Ele segue levemente irônico.

Contenho um suspiro de tristeza.

─ Claro que não. – Respondo.

Acabo de estragar o nosso sentimentalismo.

Bom, melhor assim…

Acho.

─ Ela é irmã do Daniel, que é um dos meus melhores parceiros… Foi assim como eu a conheci.

─ Daniel Ortega?

Armando ergue uma sobrancelha, curioso.

─ Sim, você conversa com ele?

─ Claro, ele até me convidou para jantar semana que vem.

─ Você aceitou?

─ Aceitei, ué. – Respondo.

─ Hm… Mas qual é a sua? Sair com todo mundo, curtir a vida?

─ Sei lá. Sou livre, não? Ou você é meu Papai 24/7?

─ Ts. – Armando estrala os lábios. Ele permanece em silêncio por alguns segundos emocionalmente mais longos do que realmente foram. ─ Olha para mim. – O obedeço e me deparo com seus olhos intensos e determinados. ─ Eu também não tenho nada de ciúmes de você, entendeu bem, Lynn? – Ele ladeia um sorriso sacana, mas seus olhos não lhe deixam mentir. Eles brilham de um jeito melancólico, contradizendo o gesto dos seus lábios.

Assinto levemente.

Vejo como seu sorriso vai fechando.

─ Apesar de que… – sua voz sai fraca, quase tremendo, ele viaja seus olhos por meu rosto, pelo meu colo… ─ Bom, eu fodi uma vez com ela no vestiário. – Armando me olha. Por um momento pensei que ele se confessaria. Mas ele mudou para o outro assunto de um jeito repentino, ainda com um tom melancólico.

─ Foi bom? – pergunto, fingindo que não me importo.

─ Hm… – Ele assente de leve. ─ Não foi ruim. Ela estava lá escondida tentando ver o Luíz sem roupa.

Dou um risinho. Armando se contagia e expande um pouco o seu. A aura vai mudando aos poucos.

─ Eu também estava lá me trocando e quando vi o que ela estava fazendo me deu tesão… – ele conta, um pouco abstraído. ─ Não tinha ninguém melhor para foder comigo esse dia. Então foi com ela mesmo. – Ele dá um risinho irônico.

Por pura curiosidade perversa, me aproximo um pouco dele e toco seu braço, lambendo meu lábio inferior.

─ Que safado… Como você a seduziu? Usou as mesmas técnicas que comigo? – dou um risinho fino. ─ Disse para ela as coisas estranhas que você gosta de fazer na cama? – apesar de eu fingir que não me importo, dá para ver que solto um veneninho.

─ Hm… não. Não é algo que eu vá contando por aí para gregos e troianos. – Ele solta um risinho sarcástico. ─ Me surpreende que você saiba sobre isso, normalmente eu tenho que perverter as garotas. – Ouço outro risinho levado escapando de sua boca, que correspondo.

─ Eu sou muito inteligente. E aberta a experimentar. – Digo, abrindo um sorriso convencido e piscando um olho. Armando me dá um selinho.

─ Não foi muito difícil seduzi-la. – Seus olhos começam a brilhar com malícia. ─ Eu sempre consigo o que eu quero. Ganho todos os jogos. – Ele pisca um olho, com um sorriso ladeado. ─ Eu só tive que me aproximar dela, de toalha, intimidá-la… E perguntar para ela que raios ela estava fazendo ali, com muita maldade na voz.

─ Deve ter sido quente. – Comento, com certo desânimo.

─ Foi. Sabe de uma coisa? Você realmente sentiu ciúmes de mim agora. – ele sorri satisfeitíssimo. E começa até a rir de mim, baixo, pigarreando pela garganta.

Mostro a língua para ele.

─ E realmente você age como uma criança, é adorável.

Coro e recolho a língua, cruzando os braços.

Ele me dá um abraço lateral, pregando a cintura na minha.

─ Quer ter uma relação DDLG comigo? – Armando pergunta baixinho, me olhando.

─ Como seria nossa relação? – minha voz sai um pouco dócil ao perguntar.

─ Sexo, amizade, role-play. – Responde, compreensivo.

─ Quero.

─ Você atua sempre como se eu fosse o seu Papi, e eu como se você fosse o meu bebê. Você sabe… Às vezes é ruim ter um Pai, não? Com tudo o que implica obedecer. – Ele diz maliciosamente. ─ E outras vezes é ótimo. – Armando solta um risinho grave. ─ Depende do ponto de vista. Há castigos que até parecem prêmios.

─ É um abuso sexual? – Dou um risinho sarcástico.

─ Um pouco. Por isso é kink.

─ Hm… Tem razão. – Lhe olho, ladeando um sorriso.

─ Você acha grotesco demais?

─ Não, Papai. Eu acho excitante. – Olho nos olhos dele, dizendo isso de um jeito que chegou a ser fofo.

─ Sabe como é seu Pai?

─ Como? – digo curiosa, por saber mais sobre ele neste aspecto sexual perverso.

─ Um homem retrogrado, antigo, machista e sobre-protetor. Ele te daria uma lição, baby. Por ficar biscateando com vários. Odeio isto. – Ele toca meu lábio inferior e me olha com um sorriso sarcástico, com um olhar maligno. ─ Claro… Com esses seios, essa bunda tão linda e a boca tão gostosa… Como é que os pivetinhos do colégio não iam querer foder a gostosa da minha baby girl, não é? – Assinto.

─ Dad… – Murmuro, fechando os olhos e segurando seu pulso. ─ Não precisa me dar nenhuma lição, por favor.

─ Ah, não? – ele sussurra, deliciado.

─ E-eu… eu não fico biscateando com todos! Eu… eu só não sei… não sei ainda o que eu quero fazer com a minha vida, Papai… Nem sei se eu deveria amar alguém.

─ Você não ama o Papai? Porque olha, você é minha, baby girl. Minha. Só minha. – Ele afirma, me encarando enquanto sua mão se desliza da minha boca para o meu pescoço, formando um agarre firme o suficiente para que ele sinta minhas veias em seus dedos. ─ Não é? – ele sussurra. Assinto levemente outra vez.

─ Sim… Ao menos quando você me pega de jeito, Daddy. – Sussurro um pouco trêmula, corando de vergonha.

─ Hm… Sabe o que eu to achando?

─ Não, senhor.

─ Acho que você precisa relaxar um pouco. Você fica dando para todo mundo. Você anda nervosa. Eu vou te dar uma massagem. Quem sabe você não se acalma?

Mostro a língua para ele outra vez. Franzo as sobrancelhas, chateada.

─ Não precisa me faltar ao respeito.

─ Desculpa. Tá?! E vou ignorar seu desrespeito para me desculpar. Eu estou amável, você não merece, é verdade. Mas eu quero te dar carinho. “All you need is love.”, já ouviu? Às vezes amor é suficiente para acalmar uma garota rebelde.

Ou talvez não.

Talvez elas só se acalmem com castigo.

─ Vem aqui. – ele chama, abrindo suas pernas e batendo no colchão com uma mão. – Me sento, apoiando minhas costas em seu peito. Ele afasta as alcinhas da minha camisola, abre um tubo de azeite corporal e deixa algumas gotas caírem no meu ombro. Armin dá uma primeira espalhada com a palma de uma mão. Logo sinto seus dedos pressionando bem naqueles pontos dolorosos onde a gente sente um peso infernal, então começo a suspirar de prazer e a fechar meus olhos, me relaxando toda e curtindo muito.

─ Te amo, neném. – Ele sussurra baixinho no meu ouvido, após ficar uns minutos assim. ─ Você não me ama? – ele pergunta com uma voz mais sombria.

─ Eu te amo também, Dad… – Respondo, para agradá-lo. Não sei se menti cem por cento, no entanto. Não sei. Não sei… Não sei. – aperto o colchão.

─ Hmhm. – Armin murmura, aceitando a frase, mesmo que ela soasse tão insegura. Ele me toca prazerosamente, abrindo as palmas das mãos nos meus ombros, e respirando perto do meu pescoço; o último sendo algo inevitável.

─ Não sou uma pessoa que diz te amo facilmente. – Confesso, saindo do role-play, com certa preocupação na voz.

─ Ah, não? – ele pergunta irônico. ─ Então eu posso parar essa massagem que você parece estar amando tanto, baby. É só pedir. – Seu tom fica cômico.

─ Não!!! – choramingo.

─ Hahaha… – ele dá alguns beijos pela minha orelha e segura a minha cintura, logo pelo meu pescoço. Reviro os olhos e suspiro profundamente enquanto me seguro em suas coxas. ─ Viu só. Você me ama um pouco. – Ele sussurra. ─ Pelo menos… quando eu faço você se sentir bem.

Assinto. Ele tem razão.

Mas… Ainda assim, talvez nossos conceitos de amor sejam diferentes. Talvez para ele dizer “te amo” seja algo mais vulgar enquanto para mim é uma frase que dizemos para alguém com quem imaginamos estar juntos uma vida inteira.

─ Você… Sempre quis ficar comigo, não é? Escondeu tão bem.

─ Tem certeza que eu escondia tanto? Eu sempre ficava olhando para você quando você voltava suada de correr. Essas calças de malha que você punha deixavam meu pau duro. Eu queria te lamber toda… Você com o cabelo pregado no rosto e toda agitada e corada. Mmm…

─ Você nunca me disse. Por quê?

─ O que eu ia fazer? Relar meu pau em você do nada? Que nem um maníaco? Hm? Na minha amiguinha linda, gostosinha. Hm? Bem que eu queria, Malvina.

─ Hm… Você fez isso com a Antónia sem problemas. Por que comigo não?

─ Você é diferente. Não faria isso… Se você não gostasse de mim também, eu poderia perder você, e eu já tinha ganhado a sua companhia de outra forma. Então eu não queria te causar repugnância. Senão que achei melhor ir aos poucos, até que eu vi que estava perdendo terreno muito rápido, né? E tive que me apressar… Eu te considero sim. E já escondi muita ereção por sua culpa, e para não incomodar você. Já me segurei muito para não te pegar de jeito e te foder até você desmaiar. Você é uma tortura, gostosa demais para manter a sanidade.

─ Credo… Seu pervertido. – Rio envergonhada. ─ Eu, sei lá… nem me acho tanto assim.

─ Vou ter que te comprar um espelho, não é possível. Você assistia Tom e Jerry? Lembra quando aparecia uma gata desfilando e o Tom ficava aloprado? Esse era eu olhando sua bunda quando você não estava vendo. Ainda bem que você nunca se deu conta. Eu ficava excitado, estou falando sério. – ele começa a dar algumas mordidas pelo meu pescoço, fraquinhas, descontando suas ansiedades na minha pele.

─ Você é doido. Meu corpo é normal.

─ Cala a boca. Você é meu tipo. Adoro tudo em você. Seu corpo todo me excita. E eu amo, amo a sua personalidade, o seu jeitinho bondoso, a sua aura meiga.

Coro.

─ Dad, que vergonha…

─ De quê?

─ De ficar pensando que você ficava me olhando todo tarado… eu teria tropeçado de vergonha e caído na sua frente se tivesse visto.

─ Cute. Você é mesmo fofa. Você teria tropeçado e caído de boca?

─ Idiota…

─ Tropeçado e caído sentada?

─ Tropeçado e quebrado os dentes! – os dois rimos levemente.

─ Mhuhm… de todos modos, eu teria ajudado você a se levantar. E falaria assim no seu ouvidinho… Calma, linda. Não precisa ficar atrapalhada… fofinha. Deixa comigo. Deixa que eu resolvo… nenénzinha.

─ Mm… Hahaha.

─ Posso passar azeite nos seus seios? É só uma massagem.

─ Mhuhm… Sei…

─ Que foi? É agradável, sim ou não?

─ Sim…

─ Se é gostoso então não é ruim. No-kink-shame.

Ele espalha mais azeite pelos meus seios inteiros, deixando-os brilhantes e pegajosos. Armin ladeia a cabeça para me olhar, e começa a esfregar os seus dedos do meio, impregnados, um em cada mamilo, com delicadeza, para cima e pra baixo, com certa velocidade. Gemo enquanto o olho nos olhos, com uma expressão suplicante.

─ Hmm, baby. Você gosta disso, não é? – ele murmura, extasiado.

Eu assinto e ele continua. Nossos olhos conectados soltam faíscas. Ele fica muito excitado quando vê no meu rosto expressões de disfrute. Nos beijamos com língua pacientemente. Aos poucos, o beijo ficou mais profundo e intenso, muito prazeroso e molhado. Acompanhando a intensidade do beijo, o movimento dos dedos dele também ficaram mais fortes. Ele afunda a língua na minha boca com sede, me arrancando um suspiro, e puxa um dos mamilos com força, arrancando um gemido fino e abafado. Começo a ficar molhada.

─ Ah… Dad… eu posso sentar no seu pau? Por favor. – Lhe peço mimosamente, juntando minhas sobrancelhas.

─ Sim, senta logo. Eu colocaria o meu pau em você para sempre, se eu pudesse. – Ele diz arrastadamente.

Dou uma risadinha excitada ao mesmo tempo que ele. Abaixo sua bermuda e afasto minha calcinha. O coloco dentro de mim inteiro, lentamente, e volto a pregar minhas costas em seu peito.

Fodemos a noite inteira, variando posturas, até eu acabar com sono, morta no peito dele. Os dois nus, cobertos pelo edredón do hotel, vendo uma série na televisão enquanto eu já estava de olhos fechados num momento. Eu o agarrava como se eu nunca mais quisesse soltá-lo, mas não pudesse me confessar. Eu tenho medo.

─ Meu bebê – ele sussurra na minha orelha, achando que estou dormindo. ─ Quero você pra mim, anjinho. Fica comigo, fica… Fica com o Papai, meu amor… Fica? Hm? Fica comigo, meu bem. – sinto como ele faz carinho no meu cabelo. Armando alisa gostosamente. E acaba dormindo antes que eu.

Ele é mau…

Brincando com o meu inconsciente.

O abraço com força.

Quem sabe, Armando?

Se você me provar que realmente me ama.

Quem sabe eu possa entregar o meu coraçãozinho machucado todo pra você, que nem eu entreguei o meu corpo. E ser sua. Só sua…

* * *

Na manhã seguinte descemos para tomar café da manhã no hotel.

Armin se sentou na mesa com um copo grande de café com leite e um monte de bolinhos de chocolate, que tinham uma camada de creme marrom bem brilhante enquanto eu peguei um suco de laranja e umas castanhas de caju.

─ Hm, muffin. – Ele sorri para mim. ─ Olha só esses bolinhos… – Armando murmura.

─ Parecem deliciosos! – coloco meus olhos sobre eles, salivando. ─ Hm! – exclamo, corando.

─ Você é gostosa como esse bolinho. – Ele sorri ladeado. ─ Muffin.

Dou uma risada.

Eu havia acabado de ganhar outro apelido.

O bolinho parece super apetitoso, e cremoso. É mesmo um elogio ser gostosa assim! Acerco minha mão ao seu prato para roubar um deles.

─ Tss! – Armin dá um tapinha no peito da minha mão. ─ Eu e a comida temos uma relação bem anterior a eu e você. – Ele diz sacana, me fazendo rir.

─ Ah, poxa! Me dá um! – franzo as sobrancelhas.

─ Hahha… vai lá pegar! – ele protege o prato com um braço.

Depois eu que sou bebê. Dou um tapa em seu ombro e mordo um pedaço do bolo que ele está segurando.

─ Muffin… – ele murmura e passa o indicador pelo meu rosto, recolhendo um farelo de bolo que havia ficado preso perto do meu lábio enquanto eu rio.

─ Pronto. Eu só queria um pedaço mesmo. – reviro meus olhos.

─ Você vai comer só isso? Um suquinho com uma dúzia de frutos secos? – ele ergue uma sobrancelha.

─ Ah, é muito… – justifico, apertando meu copo.

─ Você tá doida, né… – o celular dele começa a vibrar. Ele se vê interrompido, limpa os dedos com um guardanapo e atende o telefone.

─ Alô? – pergunta Armando.

─ Quem é? – sussurro.

─ Surpresa, Lynn… – ele pisca um olho.

─ Surpresa?! – sorrio, curiosa.

Armando desliga e alguns segundos após, bem breves, sinto a presença de duas pessoas de supetão.

─ Surpresa!!! – exclama André, super animado, fazendo um sorriso enorme surgir no meu rosto. Ele está acompanhado de um garoto moreno, alto, com cabelos escuros e curtos, e um par de olhos verde musgos. Bem bonito, para dizer a verdade.

Me levanto e abraço André apertadamente.

─ Veado… Eu até sabia que você estava aqui, mas não no mesmo hotel.

Ambos sorrimos, enquanto Armando nos olha feliz.

André dá alguns risinhos, corando.

─ Lynn, este é o Jorge. O meu namorado. Jorge, esta é a Lynn, uma das minhas melhores amigas!

Nós nos cumprimentados com dois beijos, ainda sorrindo.

─ É um prazer. – diz Jorge, enquanto André se senta e cumprimenta seu irmão Armando animadamente.

─ Imagina, o prazer é meu. – Sorrio.

Os quatro agora estamos sentados.

─ E aí, Jorge? – Armando pergunta, sorrindo.

─ Bem, e vocês, tudo certo no hotel? – pergunta o moreno, olhando nós dois.

─ Tudo ÓTIMO. – Armin responde com um sorrisinho sarcástico, intercambiando um olhar comigo. Acabo rindo. Estamos todos bem felizes, agora a turma é maior.

André e Jorge começaram a roubar bolinhos da montanha do prato do Armando enquanto ele olha para mim com uma expressão comicamente desolada, me fazendo rir.

─ Se fodeu! – lhe zombo, mandando-lhe tomar no cu com o dedo do meio. Sinto uma pisada leve embaixo da mesa de sua parte.

─ Baby, sua sádica! – ele sussurra para mim, enquanto André e Jorge começam a comer.

─ E então, quando vocês vão ir à Batalha de Galos? – pergunta André.

Armando olha a hora no celular.

─ Hm… daqui uma meia hora chamamos um táxi.

🎼 Mídia


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