Todos
André se aproxima de mim e me puxa pelo braço. Por conta disso, saio da nuvem de pensamentos que o Armando havia me causado.
─ Os fogos vão começar! – Ele exclama, me chacoalhando. Acabo sorrindo. ─ Vamos?
─ Vamos. – Respondo.
Eu e o meu amigo saímos de mãos dadas da sala de História, abrindo a porta e fechando ela atrás de nós.
O corredor está escuro, então ele acende um chaveiro de lanterna rosa, iluminando-o.
─ Essa sua lanterna é a compra mais inteligente que você já fez. – Digo, toda chapada.
─ Eu sei! – ele ri, simpático, enquanto ilumina tudo e caminha na minha frente. ─Ei… – ele me olha. ─ Você pegou o meu irmão… Bandida!
Caímos na gargalhada.
─ Mm… Foi… Foi bom… – falo corada, quase desfalecendo de vergonha.
─ Foi, né? – André solta um risinho malicioso. ─ Mas cuidado com ele.
─ Por quê? – pergunto, olhando-o.
─ Mm… Ele é o maior safado. E se faz de inocente.
Faço um som de burla com os lábios e dou de ombros. Justo agora acabamos de sair os dois em direção ao pátio, abandonando o corredor. Olhamos para o céu, vendo que o primeiro foguete acaba de explodir.
Já no meio de vários alunos, abro um grande sorriso vendo os flashes prateados de luz.
Ainda sinto o efeito do MDMA no meu corpo, e o espetáculo está tão bonito que parece que estou voando numa nuvem de bem-estar.
Sinto André me cutucar e ouço a sua voz dizendo: “Vou ver a Elisa.”
Eu nem assinto.
Apenas vou olhando para baixo, divagando entre a opção de segui-lo ou seguir desfrutando, mesmo que sozinha, desse prazer de assistir algo tão lindo.
E secretamente emotivo para mim.
Vejo Luíz sentado em um canto com Violeta, uma garota que estuda ilustração aqui na Escola de Arte. Ela está lhe mostrando os seus desenhos. E ele está olhando para ela com um sorriso ladeado enigmático, dando-lhe um monte de atenção.
Hm. Bem que eu conheço esse sorriso.
De cara fechada, fico pensando se falar com ele, mas sou muito orgulhosa.
Ele merece um castigo, esse…
─ Psiu? Gatinha?
Olho para trás, para ver quem está me chamando com esse timbre rasgado, sensual, sexy.
Casandro.
Ele abre um amplo sorriso para mim.
O ruivo está se balanceando com um cigarro aceso em uma mão, e uma cerveja em outra, rodeando por alguns amigos que eu não conheço.
Ergo uma sobrancelha, cruzo os braços e reviro os olhos.
Ele ri de mim, todo sacana, e vem andando até onde eu estou, sem pressa.
Logo aproxima bastante o rosto do meu, com uma expressão super sexy. Sendo precisa, com seus lábios carnudos e rosados entreabertos enquanto ele me olha nos olhos profundamente.
─ Que foi, em? Cass? – olho para baixo, me fazendo de brava, mas acabo dando um risinho.
─ Gatinha má. – Ele sussurra. ─ Você vai me tratar assim agora, é? – O ruivo dá um risinho rouco.
─ Vou. Por quê? – ergo uma sobrancelha, o provocando.
─ Porque não é um comportamento adequado, kitty. Você é uma gatinha boazinha, bem boazinha. – Ele segue sussurrando.
Mostro a língua para ele e coro.
Faço ele soltar outro risinho sacana.
Ele ergue uma sobrancelha com ar de desprezo e giro o olhar.
Começo a ficar nervosa, movendo minhas pernas uma contra a outra e faço um gesto para ir embora.
Ele segura meu braço, pegando o cigarro e a cerveja na outra mão.
─ Vamos ver os fogos juntos. Eu tenho um presente para você. – Ele diz com firmeza, me olhando intensamente de novo.
Tento recuperar a minha respiração, pois eu havia esquecido de soltar o ar. Ele me deixa tensa.
Ele é gostoso. Ele sabe disso. Isso me dá raiva. Digamos que meu orgulho não quer mais que ele veja que eu o acho “atraente”. É como se o Cristiano Ronaldo aparecesse na sua frente fazendo carão. Você sabe que o cara é um metido, mas não pode negar que é uma delícia.
─ Que foi? Não tem nada melhor para hoje do que eu? É isso? – digo, sarcástica.
─ Mm… Mas que besteiras você diz, não? – ele ladeia um sorriso. ─ Olha para lá. – Ele aponta para um par de garotas que, realmente, estão olhando nós dois conversando, cheias de ciúme e raiva de mim.
─ Ai, cruz credo. Não quero despertar ódio nessas mocreias toscas.
Casandro ri gostosamente.
Acabo rindo também.
De certo modo, sem precisar verbalizar, ele acaba de dizer que eu sou a mais interessante da noite. E acaba de rir do meu comentário inteligente.
─ Então vem comigo ali para um canto. Hm? Num lugar onde nenhuma “mocreia tosca” vai ficar cuidando da nossa vida. – Ele sugere.
Olho o seu pescoço esguio, masculino e branco, com os fios de cabelo tingidos e repicados caindo sobre ele.
Casandro tem olhos de fogo. Castanhos, avermelhados como uma chama, puxados e intensos como os de um felino.
─ Tá bom. – Abro um pequeno sorriso.
Um presente?
Sou curiosa demais.
“E a curiosidade matou a gata.” Sussurra minha consciência.
Ele entrelaça a mão com a minha de um jeito apertado, todo possessivo, como se já estivesse sinalizando que essa noite me quer para ele de novo.
Vou caminhando com ele mesmo assim. Nos sentamos juntos embaixo de uma árvore, ele se posicionou atrás de mim, pregando o peito nas minhas costas.
─ Um cigarrinho? – pergunta Casandro no meu ouvido.
─ Um cigarrinho grátis nunca vem mal. – rio sarcástica.
─ Hahaha. – Ele corresponde o risinho, de um jeito sensual no meu ouvido. Propositalmente sexy, sem dúvidas.
Pego o cigarro que ele acaba de me dar, o acendo e começo a fumar, enquanto erguemos nossos rostos e vemos os foguetes, um por um, os dois calados.
Apesar do silêncio, parece que conversamos. Em sintonia.
Quando olho para ele pelo canto do olho, vejo um sentimento de desfrute que vai muito mais além do que apenas o fato de estarmos assistindo isso.
É como se as coisas simples também fossem satisfatórias para ele, por alguma razão oculta, tanto como são para mim.
Por isso, finalmente, me relaxo contra o peito dele, e aliso seu rosto com a ponta do meu indicador, como se ele estivesse me causando ternura.
O carinho dura alguns segundos, até que sinto ele mordendo o meu ombro, babando nele e brincando enquanto ruge.
─ Para! Por que está fazendo isso? – pergunto rindo, vendo como ele sorri também.
─ Para você não perder o foco, kitty. Hehe. – Ele ri na minha orelha e morde o lóbulo dela, logo dá uma chupada e a suga.
Fico inteira corada, prendendo um risinho, apenas sorrindo labialmente.
Suspiro alto.
─ E então… É verdade isso? – olho nos olhos dele, um tanto tímida e séria.
─ O quê?
─ O “presentinho”. – Respondo, abrindo um sorrisinho.
─ Hm, claro. – Ele se afasta alguns centímetros de mim e coloca uma mão dentro da sua jaqueta de couro preta, cheia de taxas. Dela ele tira uma caixinha escura, selada com uma fitinha vermelha. ─ Toma.
A pego e olho para ele.
─ O que é?
─ Abra e verá.
Mostrando uma expressão falsamente desconfiada, apenas por brincadeira, desfaço o laço e tiro a tampa dessa caixinha estreita.
─ Uh… – murmuro, sentindo certo calor imediatamente.
Dentro há uma gargantilha de couro preta, em cima de um acolchoado de seda vermelha. No centro da gargantilha há um gancho com um círculo de metal preso nele.
─ Você quer ser minha gatinha submissa?
Dou outro suspiro, dessa vez bem sensual. Acabo rindo baixinho.
─ Que tímida, em? Você segue tímida.
Mordo meu lábio inferior, e agora acabo rindo mais. Pouso a coleira no meu pescoço, esticada, e olho para ele de um jeito safado, balanceando meu rosto lentamente enquanto olho seus olhos.
Como se estivesse enfeitiçado, ele segura meu rosto e seus olhos começam a brilhar, denunciando que isso havia lhe causando efeito.
─ Safada. – Ele sussurra.
Sorrio, ainda mordendo meu lábio, muito corada a excitada.
─ Responde. – Ele sussurra com firmeza, contra minha boca, exigindo. Casandro segura o meu pescoço num gesto lento e paulatino e me olha firmemente.
─ Hm… – suspiro ─ Ahn, calma… – vejo ele lambendo seu lábio inferior, tão vermelho.
─ Calma, por que, em? – ele ri sensualmente. ─ Isso não é um pedido de namoro, gatinha iludida. – Ele diz sarcástico.
Eu sei que não é.
─ É só uma oferta. A Elisa me contou que você queria alguém que soubesse de BDSM. Olha só que sorte. Eu quero uma putinha nova para brincar. – Se especifica, todo malvado. O insulto sussurrado me deixou ainda mais excitada.
Putinha…
Ele vai me deixar roxa, azul e preta.
Tudo que eu queria.
─ Mm… Ok, eu vou aceitar. Podemos ver se damos certo. – Assinto.
─ Sem compromisso? Hm? Gatinha manhosa.
─ Sem compromisso. – Respondo.
E não pense que estou chateada. Igualzinha a ele, neste momento, estou movida só por tesão.
─ Você é legal, Malvi. – Casandro murmura, tocando o meu rosto. ─ Não é uma melosa do caralho, não é mesmo?
─ Não. Sou uma fera. Ora gatinha, ora leoa.
─ Uma putinha perigosa.
─ Exato. – Assinto, olhando-o com força nos olhos. ─ Por isso, é você quem não deveria se iludir. “Mestre”. – Desafio, erguendo meu queixo e entreabrindo os lábios. Ao chamá-lo assim, arrastei minha voz de propósito, de um jeito sarcástico e sexualizado.
─ Que gostoso quando você me chama assim. – ele sussurra no meu ouvido. ─ Mestre. – Casandro repete, visivelmente excitado.
─ Ponho a coleira?
─ Levanta o seu cabelo, e com licença. – Ele responde.
Faço como ele diz, e Casandro a coloca em volta do meu pescoço, a apertando no último buraco, com certeza de propósito.
─ Eu vou animalizar você. Tá entendo como é o lance? Você não é mais uma pessoa. É uma gatinha tonta, submissa, doida por leite, boazinha, carinhosa. E ama me lamber. Você sabe como é? Eu sou um sádico, você a masoquista. Humilhação e S&M. Você consente isso, gatinha? Você gosta?
Fico extrema, extremamente corada.
─ Shy kitty. – Ele me rouba um selinho molhado e me olha intensamente.
Casandro leva sua mão à corrente de sua calça jeans escura, e a engancha na minha coleira.
Acabo de sentir a minha boceta se contraindo.
─ E se eu não gostar? – murmuro, insegura.
─ Nós vamos usar um sistema, que dentro do BDSM é conhecido como o “sistema de cores”. Você sabe algo sobre isso?
─ Não, mestre. – Assinto negativamente.
Ele abre um sorriso ladeado e sarcástico.
─ É simples. Você agora… – ele puxa a coleira devagar, a segurando dentro da sua mão fechada. ─ É minha submissa. Isso implica que eu posso fazer o que eu quiser com você, e te usar como eu quiser. E quando eu quiser. No entanto, se eu estiver performando algo que te desagrada, você pode reclamar. E eu paro a prática. O sistema de cores é como o sinaleiro: verde, amarelo e vermelho. – Ele diz a última cor, todo sádico, cheio de tesão, sussurrando; como se fosse a sua favorita.
─ Vermelho? – murmuro.
─ Verde significa que está tudo bem. Eu posso continuar. Amarelo é uma chamada de atenção, significa que você está chegando perto dos seus limites. E vermelho é um pedido de socorro. Significa que você quer que eu pare. E sempre que você disser vermelho, eu vou parar imediatamente, gatinha.
─ De verdade? – sussurro.
Ele tira uma agulha de crochê de dentro da sua jaqueta e queima a ponta dela com o fogo do isqueiro num movimento de vai e vem alguns segundos.
Sim, parece estranho. Mas aqui na Escola muitas pessoas têm dreadlocks que são feitos de forma gratuita por outros alunos.
Alguém fica entediado nos intervalos e diz “me faz uma rasta?”, e a outra pessoa responde “claro”. Casandro parece ser um dos cabelereiros voluntários da redondeza.
─ Eu juro com meu sangue. – Ele fura o seu dedo com a agulha de 0.7mm. Uma gota de sangue gorda começa a escorrer.
Fico olhando surpreendida.
Que cara louco.
Fuh, amo.
Abro um sorriso maléfico.
Levanto o meu indicador para ele.
Ele fura o meu dedo e gemo de dor. Foi um movimento rápido, a ponta um tanto grossa da agulha entrou e saiu da minha pele.
Franzo as sobrancelhas, ele cola o dedo no meu e a dor até que ameniza, de certa forma.
─ Lindinha. – Casandro sussurra.
Mostro um sorriso labial, com um rostinho mimoso, um pouco chateada.
─ “Bloodplay”, hm?
─ Brincar com sangue? Ainda não entendo nada, mestre. – Digo, franzindo as sobrancelhas.
─ Não faz mal. Com o tempo você vai entender muitas, muitas coisas, a medida em que formos brincando.
─ Mal posso esperar por este mundo novo cheio de possibilidades. – Rio baixinho.
─ Hum. – Ele murmura, abrindo um sorriso ladeado. ─ Possibilidades infinitas. – Ele reformula, sussurrando.
Então toca o meu rosto de novo, com seu dedo ensanguentado, sujando minha bochecha. E enfia o indicador da outra mão dentro do círculo da coleira, trazendo minha boca para perto da dele.
─ O que você quer, mestre? Um beijo?
─ Shh. Gatinha tonta não fala. – Ele sussurra contra minha boca. ─ Não que você seja tonta, claro. Mas considero que já estamos brincando. Um jogo de roles. – ele diz tudo de um jeito sensual, até suas falas normais.
Assinto.
─ Você vai abusar e enganar a sua gatinha tonta? – Sussurro, amolecendo, enquanto minha boca está obrigada a ficar a milímetros da sua.
Casandro assente, enquanto seus olhos amolecem. Nossas línguas se encontram e fecho os olhos. Damos um beijo bem molhadinho que faz nossas respirações falharem. Começo a soltar gemidinhos baixos na boca dele sentindo como, gradualmente, ele aperta e a puxa a gargantilha contra seu próprio rosto, obrigando o beijo a ser intenso o tempo inteiro.
─ Deus me livre, mas quem me dera! – Nicole passa por nós gritando, e gargalhamos baixo contra os lábios um do outro, corando e parando de beijar.
Casandro tira a corrente da sua calça da minha gargantilha e pisca um olho para mim.
─ Você está desconfortável? – ele pergunta, erguendo uma sobrancelha.
─ Não, não. A Nicole é gente boa, ela só estava brincando.
─ Mm… Entendo. Digamos que eu também sou um tanto exibicionista. Eu não me importo se outras pessoas me olham transando ou me pegam fazendo isso.
Assinto, curiosa.
─ Por isso perguntei sobre você. Para saber como você é.
─ Tímida…
─ Eu vou destruir essa sua timidez.
─ Mm… – Rio baixinho. Pode ser bem benéfico. ─ Como?
─ Tarefas que você vai cumprir. – Ele especifica. ─ Pode ser que chegue um ponto onde inclusive você vai se sentir à vontade numa orgia. Ou passeando de coleira pela rua. Bom, isso vai depender do quanto você se excita sendo degradada. Você sabe seus limites?
─ Não, Cass.
─ Não se preocupe, hm. Kitty? É por isso que estou aqui. Para te ajudar a encontrá-los.
Rio baixinho de novo.
─ Mm… Mestre. – Ironizo, mas estou bem animada.
Ele ri sarcástico.
Justo neste momento, Luíz se senta conosco, na minha frente, com uma garrafa de champagne aberta, quase no final, fumando erva.
─ O que vocês estão fazendo? – ele pergunta, sério.
Casandro suspira com ironia.
─ Estamos conversando. Por quê? Ela é sua? – o ruivo abre um sorriso ladeado.
─ Ela não é minha. Eu sou dela. – diz o loiro, de um jeito sombrio.
─ Hm… Já vejo. – Responde Casandro.
Fico um momento desentendida.
─ Eu sei sobre vocês, Lynn. O Luíz me contou. – O ruivo me abraça afavelmente. ─ E eu não me importo.
─ Não? – murmuro.
─ Não. – Ele responde.
─ E você, Luíz? – Pergunto cuidadosamente. Neste ponto, apesar de que o Casandro me dá muita curiosidade e tesão, sinto que o Luíz me beneficia muito mais. É como estar entre o bom moço, e o cara mau.
─ Você manda em mim. – Responde o loiro. ─ Se você quer ficar com mais caras, é a sua decisão. Eu sou seu servo e acato as suas vontades.
Casandro solta um risinho burlesco e divertido.
─ Você ouviu isso, gatinha? O Luíz é inferior a você. Se você mandar ele tirar a roupa aqui agora, ele provavelmente faria isso.
─ Que exagero. – Sussurro.
Olho para o loiro, que está pousando as duas palmas da mão na grama, enquanto me olha com muito desejo. Sua camisa branca está com alguns botões desabotoados, embaixo do seu paletó cinza escuro. Assim que ele me escuta, ele vai ladeando um sorriso muito malicioso.
─ Seria humilhante. – Ele murmura, com maldade. ─ Mas eu faria qualquer coisa para agradar você, rainha. – A ideia de ser denegrido parece excitá-lo.
Abro um sorriso ladeado, sentindo esse poder que ele me concebe. Ou seja, eu poderia deixá-lo nu aqui e agora na frente de todos, ou de cueca.
Vejo como ele olha minhas pernas, cobertas pela meia-calça.
─ Eu vou poder adorar os seus pezinhos hoje? – ele ergue uma sobrancelha, todo safado.
─ Mm… – Tiro uma sapatilha e levanto a minha perna, provocando-o.
─ Fuh. Que sexy. – Ele sussurra, e olho discretamente na calça dele. Realmente, o pau dele acaba de mostrar uma leve resposta.
─ Sabe o que é sexy? – diz Casandro, ladeando um sorriso maléfico.
─ O quê? – eu e Luíz perguntamos juntos.
─ A ideia que eu acabo de ter agora. – Casandro sorri, enquanto seguimos curiosos. ─ O que vocês acham de fazermos um trio hoje?
─ Um trio…? – rio levemente, corando, me fazendo de santa.
Luíz acaba de colocar o meu pé em sua coxa, e está massageando a sola lentamente, de um jeito prazeroso.
Estou estremecendo, aqui encostada no Casandro enquanto o loiro me agrada. Meus pés são muito sensíveis a carícias.
─ Sim. É uma ótima maneira de romper sua timidez, quebrar algumas barreiras suas. Te degradar. Ensinar para você quem manda enquanto eu guio a foda toda. E quanto ao Luíz… Ele pode desfrutar sendo uma espécie de corno. Você tem o fetiche do corno, não é irmão?
Luíz ri levemente.
─ Não exatamente. Mas poderia chegar a ser humilhante se você desse mais atenção para ele do que para mim, Mistress. Se o Casandro fosse bem melhor do que eu em tudo.
─ Isso não te deixa triste, Lui? – murmuro.
─ Minha felicidade é ver a senhora contente. – Ele responde.
Esses caras são bem estranhos.
E eu amo pessoas estranhas.
Tendo em conta a hierarquia, eu devo aceitar a ideia do Casandro, e o Luíz a minha.
─ O que me diz, então? – o ruivo pergunta.
─ Eu topo. – Sussurro.
Apesar de que pode ser desconfortável, o Casandro disse que a minha timidez vai acabar. E, além disso… Transar com dois rapazes pode ser o céu. Ou o inferno, quem sabe.
─ Confio em você, mestre. – Ergo meu rosto para olhá-lo.
─ E você, cachorrinho? – Casandro toca o joelho de Luíz com a sua bota, levemente, num gesto de burla amistosa.
─ Você vem me servir, não é? – murmuro, olhando-o.
Luíz assente.
─ Se você quer isso, eu também quero.
─ Podemos te beijar no vestiário antes de irmos embora. – Casandro sugere, com uma sobrancelha erguida. Seu sorriso se expande um pouco, pela malícia da situação.
─ Podemos te beijar, Mistress? – Luíz repete, me olhando mimosamente. Ele é tão pervertido se fazendo de inocente.
Sinto as minhas mãos suando e um arrepio frio na barriga, que com certeza é excitação. Será que eu dou conta dos dois?
─ Mas… Nada de fazer isso aqui na Escola. Seria horrível se alguém visse algo além de beijos.
Luíz assente imediatamente, respeitando.
─ Certo. – Responde Casandro. ─ As únicas regras são os seus limites. – Ele pisca um olho.
Eles se levantam, ambos sorrindo com muita malícia, deliciosamente. Dois pervertidos.
─ Estamos te esperando. – Casandro dá um risinho sarcástico. Luíz me olha com seu jeito melancólico, seu sorriso malicioso.
Eles foram embora, conversando. Acho que conversam só para disfarçar. Vejo como eles seguem reto para alcançar o ginásio e incluso não entram imediatamente. Fico ali no chão processando a informação por um tempo. Em um momento em que todos estão distraídos, eles somem para dentro da quadra. Acabo de beber o que há no meu copo, e me levanto.
─ Ei, Lynn, aonde você vai? – ouço a voz de Elisa, e me giro. Ela está de mãos dadas com seu namorado, e acaba de me encontrar.
Me aproximo dela e sussurro:
─ Vou procurar o Casandro. – Respondo e me distancio, piscando um olho.
Ela ri divertidamente e morde o lábio inferior.
─ Vai lá.
Sorrio e caminho aos poucos. Quando percebo que ninguém está, realmente, me dando atenção, vou caminhando tomando a mesma direção dos meninos.
Eles estão nessa área do edifício dedicada à esportes. Há um sistema de pontos e créditos extras quando o aluno ou aluna decide fazer parte de atividades assim, incentivado pelo governo. Isto pode salvar alguém de ter que repetir de ano, por exemplo.
Eu, o Armando, o André, a Elisa e vários outros alunos estamos participando.
Bom, quando entro no vestiário, encontro Luíz com a sola de um pé apoiada num dos armários e os braços cruzados. Ele me vê, e abre um sorriso pequeno. Casandro está fumando outro cigarro, mas ele imediatamente apaga quando chego.
─ Achei que você ia amarelar. – O ruivo provoca, liberando uma risada sarcástica. Ele começa a desabrochar seu cinto de couro para adiantar o trabalho, uma imagem bem erótica. Abro um sorriso ladeado, olhando para ele. Depois escuto Luíz.
─ Estávamos discutindo sobre começar com suavidade, princesa. – Ele murmura e dá alguns passos na minha direção. ─ O que você acha?
O loiro segura um dos meus pulsos suavemente, me olhando, observo seu sorriso discreto, divertido e malicioso. Assinto, sorrindo.
Coloco as mãos em seu pescoço e o puxo para um beijo de língua lento. Começo a suspirar, os dois de olhos fechados. Parece que estou mergulhando dentro da boca dele. É um beijo gostoso e paciente.
Suas mãos seguram minha cintura e, com cuidado, ele me puxa contra o corpo dele. Começo a sentir uma fricção deliciosa das nossas partes íntimas, o corpo dele aquecendo o meu, meus seios enrijecendo contra a camisa bonita que ele está usando.
O beijo vai ficando bem mais profundo. Desço minhas mãos por sua cintura, o abraçando, enquanto sinto o meu corpo se esquentando com o movimento das nossas línguas.
Logo sinto outra presença atrás de mim. O corpo de Casandro se cola no meu e gemo suavemente. Ele alisa os meus ombros por alguns segundos. Depois disso, sinto como abaixa as mangas do meu vestido, e acabo grunhindo baixo contra a boca do Luíz, pois eu não queria que eles tirassem a minha roupa.
─ Shh… – Casandro diz em meu ouvido. O sussurro me arrepia e ativa os meus sentidos.
Ele desce as mãos por minhas costas de um jeito delicioso. Sinto a presença do rosto dele do lado do nosso.
O ruivo puxa meu queixo e me gira para ele. Minha boca se desprende da do Luíz com um estralo. Casandro não pensa muito. Coloca sua boca sobre a minha, fechando seus olhos e começa a me beijar.
Ele suga os meus lábios, e morde o inferior em seguida, lentamente, expressando todo o seu desejo. Logo nossas bocas se unem de novo, num beijo profundo. Sinto como ele ajusta o corpo dele um pouco mais contra o meu e agarra a minha cintura.
Eu sigo abraçando Luíz. A boca dele se pousa na curva do meu pescoço, no lado oposto ao do Casandro e ele dá beijos molhados e quentes, que me fazem gemer no meio do beijo que dou com o ruivo, que me deixam molhada.
─ Olha só… A Mistress é bem sensível aqui. – o loiro diz para o seu amigo, e companheiro de banda.
Eu e Casandro paramos de nos beijar, e olhamos para ele. Luíz segura os meus seios e começa a massageá-los com firmeza, me amolecendo, fazendo com que meus olhos se revirem e meus lábios se entreabram
Vejo seus olhos vidrosos, e lábios umedecidos. Ele tem uma expressão intensa de desejo. Minha carne se move para cima e para baixo. Por cima do meu ombro, Casandro está vendo tudo.
─ Muhum… ─ Casandro ri rouco, com malícia. Ele pega meus braços e o prende na dobra dos seus e pousa as mãos nos meus ombros.
Ele faz força e é impossível fugir. Ele está me prendendo para que Luíz faça o que ele quiser comigo. Que sexy.
Fico um pouco zonza, e trêmula.
É sarcástico demais.
Luíz olha para baixo, procurando alguma expressão realmente desgostada no meu rosto, que ele não encontra. Morde seu lábio e os segue apertando, dessa vez com mais força. Eu gemo baixo, fechando os meus olhos.
─ Você está gostando. Não é? Sua vagabunda. – Casandro sussurra no meu ouvido, com muito tesão. Começa a beijar a minha orelha lentamente e o loiro destampa os meus seios, lambendo os lábios. Ele belisca um deles sem muito cuidado, enquanto olha meu rosto.
Talvez esteja sendo agressivo ao se dar conta de que também gosto disso, para me agradar.
Logo se inclina para lambê-los, pegando os dois pelas laterais e juntando-os. Sinto sua língua endurecida deslizar-se por um dos mamilos várias vezes, me arrancando um gemido choroso.
─ Sim. ─ Murmuro, vermelha de vergonha. Sinto a boca de Casandro descendo molhada por meu pescoço, com chupadas ferozes, e sua mão agarrando o mamilo do seio livre.
A massagem que eles me dão é uma tortura deliciosa. É intensa e por tanto dolorosamente excitante.
Vou gemendo mais alto, com a boca aberta, enquanto ofego, sentindo a mão de um e a boca de outro me acariciar nestes dois lugares tão frágeis, o corpo quente dos dois, um na minha frente, um nas minhas costas.
Isso está ficando quente.
Muito quente.
Que nem as minhas partes baixas.
─ Parem… – sussurro. ─ Não quero ir até o final aqui.
Falo, mais para Luíz do que para Casandro.
─ Tem certeza? – Casandro me pergunta.
─ Eu ia te beijar lá embaixo também. – Luíz murmura.
Os dois já estão bem duros e não se importam de irem até o fim aqui, pelo visto.
Sinto outra fileira de líquido pegajoso baixando do meu interior, enquanto sinto o ruivo duro como pedra se roçando pela minha bunda.
Decido ter juízo. É perigoso. Se alguém entrar, é a minha reputação a que ficaria arruinada, não a deles.
Casandro chupa o lóbulo da minha orelha levemente, me ignorando e soprando ar quente no meu ouvido.
─ Mm… Isso está irresistível. Mas se alguém entrar aqui, não vai ser legal pra nenhum de nós três.
Olho para o rosto de Luíz, e logo para o Casandro. Dessa vez os dois parecem entender.
Eles vão se afastando de mim.
Casandro toca o seu rosto com um sorriso malicioso, incluso cínico.
─ Nós vamos todos para a minha casa. – Ele diz, ficando na minha frente. – E aí?
Olho com cuidado para Luíz, vendo que ele também tem um sorriso nefando pendurado.
Como podem ser tão pervertidos?
Começo a rir baixinho de nervosismo e excitação.
─ Vamos? – O loiro sussurra, inclinando a cabeça de um jeito dócil, pedindo-me com mimos.
A atmosfera dos dois está me envolvendo sem dúvidas. Luíz é aparentemente inocente, um anjo equiparável a Lúcifer, extremamente bonito, mas totalmente poluído. Casandro é simplesmente descarado e selvagem.
Será que isso vai dar certo?
─ Ok… Podemos continuar na sua casa, Casandro. – O olho nos olhos, ele me fita desafiante.
─ Mmmm… Muhuhm. Corajosa você. – Ele sussurra, me intimidando. Vejo como tira o celular do bolso da calça, dando uma chupada suave no seu lábio inferior, de desejo, enquanto ainda me olha. – Você trouxe o seu carro, ou eu chamo um táxi? – Ele pergunta para Luíz.
─ Eu trouxe o meu. – diz o loiro, cruzando os braços na altura do seu peito, com as bochechas coradas e muita malícia. – Mas vamos de táxi. Estamos bêbados, não é não?
Rio suavemente.
─ Acho uma ideia sábia. – Eu e Luíz trocamos um olhar cúmplice.
─ Enfim… – Casandro suspira com diversão, e começa a ligar para o táxi. Após alguns segundos alguém lhe atende. – Um táxi na frente da Escola de Arte de Barcelona… Sim… Ok. – Ele desliga e volta a guardá-lo.
Durante o caminho para a casa do ruivo, o Luíz ficou segurando minha mão e passando os dedos com suavidade pela palma, e Casandro segurava a minha coxa de um jeito possessivo. Eles realmente estavam me deixando nervosa, e corada.
Observo Casandro de soslaio, ele está com sua expressão séria, com sua jaqueta de couro preta e um colarzinho de crâneo de pássaro caindo sensualmente por seu peito forte. Totalmente abstraído porque deve estar planejando tudo.
Num momento dado, ele gira a cabeça de surpresa e sinto como ele aperta a minha coxa, subindo a mão alguns centímetros, alisando para depois voltar a apertar, tudo enquanto morde o lábio inferior com uma cara de desejo.
─ São 38€. – diz o taxista, se girando nesse momento. Fico estática vendo como o cara se dá conta de que Casandro está com a mão na minha perna e Luíz está segurando minha mão. Cômico.
Nós entramos em um chalé nos subúrbios de Barcelona, seguindo o Casandro até o quarto dele. Enquanto eu e Luíz esperávamos lá dentro, ele saiu de novo e logo veio com uma garrafa de Ron, um cinzeiro, sua caixa de cigarros e um isqueiro.
Ele deixa tudo isso em cima de uma mesa de centro que ele tem logo diante de um sofá vermelho. Do lado há uma janela que vai do teto ao chão, mas ela está fechada com a persiana, então o ambiente está escuro.
A cama dele é grande, king-size, pergunto-me se ele vive aqui sozinho, onde estão seus pais, e divago por um momento. Apesar de que a casa não é enorme, no jardim há uma piscina coberta. A vizinhança é especialmente calma, e viver em casas em vez de apartamentos é um luxo num país pequeno como a Espanha, e sobretudo numa capital dessa magnitude.
Enfim.
Casandro se senta neste sofá, ao lado de Luíz. Vou até ele e, na sua frente, aliso seu peitoral sobre sua camiseta preta e ele me fita profundamente, abrindo um sorriso perverso.
─ Vem, linda. – Ele ri com suavidade e inclina a cabeça lateralmente, sendo descarado de propósito enquanto olha meus seios debruçados no decote, mordendo seu lábio inferior.
Casandro afasta suas pernas, e entendo o pedido. Me sento em sua coxa e rodeio seu pescoço com meus braços.
─ Mm… – Ele diz, e dá uma lambida por cima da minha boca, agarrando minha cintura e logo subindo a carícia por minhas costas com a palma da mão.
Fecho os olhos e abro os lábios sobre os dele. Nos beijamos enquanto toco o seu rosto, que é bem maior que o meu, e enquanto ele começa a alisar uma das minhas coxas, apertando, subindo por ela até quase chegar na calcinha, me provocando.
O beijo intenso ia despertando espasmos de excitação na minha barriga enquanto nossas línguas se chocavam de um jeito molhado.
─ Mmm. – Solto um gemido suave contra a boca dele, ofegando e me separando para olhar Luíz.
O loiro está corado, e o peguei no flagra mordendo seu lábio inferior. Que delícia.
─ Vem cá. – Sussurro, chamando-o arrastadamente enquanto o olho de um jeito profundo. Entre suas pernas há um volume, esse Voyerismo acaba de deixá-lo aceso. E Casandro e eu estamos nas mesmas condições.
O puxo pelo blazer, enquanto ele deixa seu corpo se aproximar. Então beijo o Luíz, no colo do Casandro, e sinto como o loiro toca meu joelho enquanto nossas línguas se esfregam lentamente.
Casandro suspira excitado do nosso lado, assistindo. Decido ser levada e intensifico o beijo para provocá-lo, deixando nossas línguas para fora dos lábios enquanto elas brincam.
O ruivo dá um tapa na minha coxa, a aperta e puxa ar excitadamente.
De repente, sinto uma terceira língua na brincadeira, o que me arranca um risinho sapeca por um momento.
─ Um beijo a três. – Casandro sussurra, explicando-se quase inaudível. Nem eu nem Luíz parecemos nos importar.
Seguro a cabeça de ambos, puxando-as contra a minha. O beijo triplo fica profundo e ajustado, eles fazem mágica, enfiando suas línguas na minha boca tão pequena. Isso vai ficando molhado, babado e delicioso enquanto escuto seus suspiros masculinos, e meus gemidos delicados e entregues no meio disso tudo, sem deixar de segurá-los.
Sinto a mão do ruivo tocando minha calcinha, seu dedo do meio roçando entre os grandes lábios da minha boceta. Estou bem molhada por causa desse beijo. Por sua vez, Luíz acaba de segurar meus seios, um em cada mão. Que calor.
─ Uhh… – gemo baixo contra a boca deles, eles me olham, talvez para checar se está tudo bem. E está sim. Está ótimo. Seguimos beijando-nos.
O ruivo afasta a minha calcinha e gira seu dedo do meio na minha portinha, brincando com o líquido pegajoso.
Ele o coloca lentamente, junto com o anelar, até a minha umidade rodear os dedos dele. Logo ele os flexiona e os golpeia com força várias vezes dentro de mim. Solto mais gemidos chorosos. Luíz já está apertando meus seios, localizando os mamilos com as pontas dos dedos. Meus olhos estão revirando em antecipação.
Que delícia. Como posso ser tão sortuda?
De olhos fechados, busco sobre a calça dos dois ambos volumes, não é difícil encontrar. Pego um pau em cada mão, agarrando com firmeza e suspirando. Sinto Luíz puxar meus dois mamilos com seus dedos dentro do meu sutiã.
─ Posso te desvestir, rainha? – o loiro sussurra, se separando de nós. Assinto, contra a boca de Casandro, que aproveitou para aprofundar o beijo e golpear os dedos dentro de mim ainda mais forte, feroz, expressando todo seu tesão.
Luíz levanta meu vestido e me afasto para deixá-lo completar o ato, ficando seminua. Também deixo que ele tire meu sutiã, serviçalmente.
Se estou com vergonha? Digamos que a essas alturas o único que eu quero é foder.
O loiro, após agarrar meus seios começa a lamber e a chupar um deles com muita vontade, depois o outro, caindo de boca, se deliciando, fazendo tanto barulho de sexo como o da masturbação que rola lá embaixo por conta do ruivo, que agora morde, lambe e beija meu pescoço.
Não consigo parar de gemer, meu líquido escorre por minhas pernas e pela mão do Casandro enquanto aliso o pau dos dois. Meus seios estão cada vez mais melados com a saliva desse cachorrinho insaciável.
Casandro começa a bater na minha boceta, dando vários tapas, girando meu clítoris, metendo os dedos sem piedade, flexionando a cabeça deles no que é provavelmente meu ponto G, já que a sensação é diferente. Começo a gemer constantemente, esperneando.
─ Ca-ca… Calma! Calma… ai… ah… aiai! – peço piedade.
─ Calma? Calma é o caralho. – Casandro sussurra, enquanto segue me tocando bem no lugar certo. Ele sai e começa a girar meu clítoris rapidamente. – Você vai gozar?
Assinto desesperada.
Luíz desprega a boca de um dos meus seios e me olha desde baixo com um sorriso de lado muito malicioso.
─ Goza, princesa. Goza. – diz o loiro, com seu timbre delicioso. – Eu vou limpar todo o seu gozo depois.
Ouvindo esses estímulos acabo tendo um orgasmo muito intenso, sendo masturbada por um cara e mamada por outro. Meu gemido parece uma lamúria triste, um grito de desespero.
Estou ofegando agora. Corada.
Luíz acaba de se ajoelhar na minha frente, entre as pernas do Casandro e está limpando todo o meu fluído como ele prometeu, nas coxas, na boceta, por dentro e por fora, acabo alisando seu cabelo de um jeito gratificante enquanto ele o faz.
─ Limpa a mão dele também. – exijo, mostrando-lhe a mão suja do ruivo. Luíz assente e assisto essa cena tão erótica com um sorriso satisfeito. Ele vai lambendo e limpando toda a extensão dos dedos do seu amigo enquanto mostra um rostinho fofo, dedicado, sério e promíscuo.
─ Seu gozo é delicioso, princesa. – ele murmura, no chão.
Rio levemente.
─ Lindo, obediente. – me abaixo, roubando-lhe um selinho, enquanto seguro seu rosto.
Luíz abre um sorriso. Talvez invejoso desse momento de cumplicidade, Casandro se levanta e fica na minha frente.
Ele prende a coleira na minha gargantilha e a puxa.
─ Ajoelha. Você também é uma garota obediente.
Faço como ele diz, na frente dele, abrindo um sorriso malicioso e maldoso. Luíz também está no chão.
─ Vem me ajudar a satisfazer a sua Mistress, cachorro vira-lata. – diz Casandro, com um timbre calmo e sarcástico. Luíz me olha, esperando instrução. Pisco um olho para ele e ele fica em pé.
O ruivo começa a sussurrar algo em seu ouvido, que não consigo escutar. Vejo como as cabeças deles se afastam e eles se olham, com dois sorrisos maliciosos e cúmplices, entre risinhos.
─ É sua vez de agradar. – Informa Casandro.
Os dois começam a alisar seus paus por cima da calça enquanto me olham nos olhos. O loiro mordendo o lábio, o ruivo me desafiando com maldade, segurando a corrente.
Começo a estremecer vendo essa cena, sem saber para qual deus grego olhar. Eles vão abrindo suas calças, ambos tirando o pau para fora, segurando bem perto do meu rosto.
Sorrio e com uma expressão bem inocente, seguro os dois e começo a masturbá-los, um em cada mão.
Primeiro coloco o pau do Casandro dentro da minha boca, até o máximo que consigo, insalivando-o, babando nele e deixando-o muito molhado.
Ele dá uma forçada na minha cabeça e algumas lágrimas escorrem, começo a tossir, mas ele não me deixa afastar.
─ Isso, gatinha estúpida. – Ele sussurra, bem excitado, revirando os olhos. – Mama com força. – Reitera o ruivo, enquanto engasgo e babo muito. Estou ficando vermelha e sem ar.
Casandro puxa minha cabeça e a deixa na frente do pau do seu amigo. Excitada, imediatamente o masturbo depressa com a saliva espessa que deixei no pau dele e começo a chupar o loiro, de olhos fechados. Faço isso com muita vontade, meu mestre não para de segurar minha coleira de um jeito ameaçante. Luíz vai soltando urros deliciosos com seu timbre tão bonito, seu pau vai ficando cada vez mais duro na minha boca.
─ Gatinha puta, sem vergonha. – Sinto um tapa no meu rosto, queimando na minha bochecha. Abro os olhos e escuto o risinho sacana do ruivo. Ele está muito excitado, seu pau está muito duro. – Chupa bem nós dois, mm? Você ama. – Ele sussurra com sua voz grave, extasiado.
Casandro começa a beliscar um dos meus mamilos, me causando uma leve dor, que também é muito prazerosa.
Surpreendentemente, sinto o loiro segurar o meu rosto. Ele investe na minha boca várias vezes, machucando minha garganta. Meu deus, que tesão, agora sim me sinto uma tremenda de uma putinha.
Muita saliva cai para os meus seios durante o ato, o que ajuda Casandro a brincar com eles, agora esfregando a baba toda nos dois com a mão aberta.
No processo arco várias vezes, meus lábios fazem muito barulho recebendo e soltando o pau do Luíz, e estou “chorando”.
Estou ficando tão molhada com tudo isso, que sinto meu líquido escorrendo por minhas coxas e minhas pernas tremendo. Os dois soltam risinhos excitados, sacanas.
Sinto Casandro batendo o pau pela minha cara, esfregando a cabeça contra meus lábios, mesmo que ela esteja ocupada.
─ Eu de novo, kitty. Vai. – Passo para ele outra vez, o chupando com força, muito depressa, masturbando o loiro descontroladamente. E fico assim alguns minutos, sendo degradada. Às vezes o Casandro bate de novo no meu rosto e a minha boceta se contrai inteira, e eu gemo de satisfação. Eu juro que estou quase gozando, pelo psicológico.
─ Agora eu… Por favor, por favor. – Luíz clama, choroso, juntando seus olhinhos, e agora é ele quem se masturba e bate o pau contra a lateral do meu rosto, sobre o meu olho.
O atendo, sentindo como cada um deles começa a bolinar um dos meus seios enquanto chupo. É delicioso, pois os carinhos são imprevisíveis. Os do Casandro são mais sádicos, os do Luíz são mais cuidados e sensuais.
Cass se distancia, e eu sigo ali, transando com o amigo dele. Escuto como ele prepara algo na mesa de centro.
Vejo pelo canto do olho, que são umas filas brancas. Ele segura um cartão de crédito e enrola uma nota de vinte euros. E aspira o pó por uma venta enquanto fecha a outra com o indicador.
O que eu estou fazendo com minha vida?
Me levanto lentamente, ficando em pé, e tampo o meu corpo, colocando meu vestido sobre os meus seios. Olho a cena, desconfiada.
─ Você está bem? – Luíz pergunta.
Assinto negativamente, de leve, como se não quisesse que ele visse nada sobre mim.
─ Mm… – O loiro murmura.
─ Você quer? – Casandro lhe pergunta, antes que dê tempo de Luíz me falar qualquer coisa inteligente.
─ Claro. – O loiro responde e arregalo os olhos.
Como um menino contente, ele vai até a mesa e compartilha a nota de vinte euros com seu amigo. E aspira uma fila. Os dois fungam, e logo riem.
─ E você? – Casandro me pergunta.
─ Não, obrigada. Eu só bebo e hoje peguei pesado. – Vou até a mesa e dou várias goladas na Cuba Libre que o Casandro havia trazido, virando o copo praticamente. ─ Vamos transar de uma vez nós três?
─ Sim, sim. – Responde o ruivo. Só estava garantindo que não íamos dormir, justamente por todos termos bebido.
Assinto.
Olho a luz do meu celular se acendendo no sofá, alguém me ligando. Provavelmente a minha mãe.
─ Você parece preocupada. – Insiste Luíz.
─ Só me fodam. E logo eu vou para casa. – Digo, e vou até a cama, tirando os meus sapatos.
─ Ela está entediada. – diz Casandro para Luíz. Os dois riem de novo.
─ Pois é. – Respondo seca.
Vejo como os dois tiram a roupa, ficando só de cueca. Casandro vem atrás de mim, e se apoia no cabeceira da cama.
Luíz vem entre minhas pernas, ficando de bruços. Ele segura uma coxa minha em cada mão, enquanto o ruivo começa a massagear meus ombros, para que eu relaxe, ao me notar estressada.
─ Agora relaxa e desfruta… não se preocupa. – Ele sussurra na minha orelha e assinto.
O loiro tira a minha calcinha e afasta as minhas pernas, apoiando meus pés no colchão. Então começa a beijar a minha barriga de forma molhada, olhando meus olhos. Logo o meu umbigo, arrancando-me um suspiro pesado e arrepiando minha pele, indo parar no meu clítoris e iniciando beijos longos, demorados, profundos e barulhentos.
─ Mmmm… – gemo baixinho, ofegando, enquanto sinto Casandro tocando meus seios, brincando com os mamilos, com uma expressão promíscua. Ele está adorando a cena.
─ Você alcança aqui? – Casandro murmura baixinho no meu ouvido.
Então levanta os dois, unindo-os, deixando-os bem juntos. Inclina sua cabeça e passa a língua por ambos mamilos ao mesmo tempo, de um lado a outro.
─ Ai, meu deus… – o sexo oral que estou recebendo fica ainda mais intenso combinado com as lambidas do Casandro.
Ele tira a boca e me olha, como se estivesse repetindo sua pergunta anterior.
Quando ele levanta meus seios assim eles ficavam realmente perto da minha boca.
─ Acho que sim. – Respondo, gemendo e suspirando.
Casandro morde o lábio suavemente e me olha com o rosto recheado com um tesão intenso. Seus olhos estão vidrosos.
─ Então lambe o seu peitinho lindo, kitty. Lambe para mim. – Ele sussurra.
Abro a minha boca e capturo o mamilo clarinho, sugando-o com muita saliva enquanto Casandro me ajuda, passo a língua por ali, sentindo muito prazer. O ruivo desconta seu tesão no outro mamilo, dando várias dedadas descuidadas no ponto sensível.
Depois afasta a minha boca e suga ele várias vezes, cuspindo e chupando descontroladamente, me arrancando um grito alto.
Arranho seu pescoço, gemendo, e neste momento Luíz abaixa a sua cueca. Nossa, o pau dele está muito duro com essa suruba toda.
Ele me penetra, ficando ajoelhado. Gemo gostoso e beijo a boca do Casandro profundamente. Minha pélvis e a do Luíz se tocam, a penetração é o mais profunda possível, me arrancando um intenso suspiro de prazer e causando certa dor, porque o pau dele é grande.
─ Grava. – Digo para Casandro, revirando os meus olhos.
─ Quê? – pergunta o ruivo, desentendido.
─ Grava essa cena aqui, do meu pescoço pra baixo, do Luíz metendo em mim. Eu quero assistir depois. – Me explico, pegando o celular do Casandro do nosso lado.
Não sei se vou me arrepender disso, é apenas um ato impulsivo.
─ Você quer, Luíz? – pergunto.
─ Adoraria, senhora. – Ele responde, grave e rouco, enquanto me fode.
O ruivo libera um risinho sacana, abre o seu celular e começa a gravar, focando bem onde eu lhe disse, propriamente na zona da penetração, sem que dê para ver nem o meu rosto nem o do Luíz.
O corpo do loiro ia batendo no meu clítoris e o estimulando, eu gemia alto com cada investida intensa e gostosa.
Para mim e Casandro, a pornografia que estávamos vendo na tela era muito estimulante. O ruivo leva uma mão entre as minhas coxas, e estica a pele de um dos lábios da minha boceta, mantendo-me muito aberta.
Ver como a mão dele aparece no vídeo, revelando que tem mais alguém nessa cena de sexo anônima, dois caras usando uma menininha, é muito quente.
Depois de um tempo, o ruivo salva o vídeo e deixa o seu celular na cama.
Ele segura as minhas coxas por baixo e sinto como ele abaixa a sua cueca. Casandro vai massageando o meu cuzinho com a meleca disponível por todos os lados, de um jeito intenso, pouco paciente, e com uma cara muito sacana.
─ Vocês vão me rebentar…. – Advirto, com certo medo.
─ Mm… Cala a boca. – O ruivo sussurra pesadamente. A cabeça molhada do seu pau se encosta ali, ele a encaixa e vai me penetrando.
Dou um grito alto, está doendo e está difícil fazer isso. Luíz para de se mover, me olhando. Quando o pau do Casandro entra até o final, reviro os olhos e tenho um orgasmo muito intenso, com dois membros enormes me penetrando na frente e atrás. Ofego fortemente.
─ Linda. Você fica linda gozando. – Luíz me rouba um selinho.
─ Hm… você já gozou? – Casandro ri, enquanto assinto trêmula, me contraindo incontáveis vezes ao redor dos dois. A sensação é intensa demais.
Casandro apoia os seus pés na cama, e começa a meter em mim bem devagar.
─ P-para… – peço, chorosa. Luíz está abrindo um sorriso perverso e sádico, que nunca vi em seu rosto.
─ Shhh… ─ Casandro sussurra no meu ouvido. ─ Shhhhhh ─ Você não queria nós dois, em? Putinha? Agora você vai ter que aguentar. – Ele agarra o meu pescoço com as duas mãos, e começa a meter com mais ritmo, pouco a pouco. Luíz segue parado, segurando minhas pernas, me observando enquanto seus olhos brilham.
─ Mas eu a-acabei de gozar… – Suspiro profundamente.
─ Eu não me importo. Hoje você vai derreter, e se você tiver trinta orgasmos, eu não ligo. Você vai satisfazer seus dois machos, sua puta levada e malcriada. Nós vamos usar a sua boceta e o seu cuzinho até ficarmos satisfeitos, até te enchermos de porra. Você entendeu? Você ouviu bem? – suas metidas ficam mais violentas, gradualmente. Assinto, derretendo no colo dele. É uma tortura sexual, eu não aguento mais, estou mole e sem forças. Luíz volta a meter, dando uns risinhos sacanas. Apenas me entrego, sentindo os dedos do Casandro em volta do meu pescoço, apertando, me dominando.
Cada um me fode num ritmo diferente. Não tenho como escapar. E não é como se eu quisesse. Mas é verdade que estou gemendo como se eles estivessem me matando.
E estão. De prazer.
Casandro acaba de bater na minha cara.
─ Você vai gozar de novo, sua puta?
Sigo gemendo.
─ Responde.
Ele bate outra vez.
─ Sim, sim. Sim, mestre.
─ Goza. – Ele diz, firme.
A penetração profunda do Luíz faz barulho de água e de ar. Me sinto tão humilhada e excitada.
Casandro põe um dedo na minha boca e o chupo muito forte, fechando os olhos, enquanto gozo fortemente.
─ Fica de quatro putinha. – diz ele, no meu ouvido. Não sei o que me espera, mas apenas o obedeço sem relutar, Luíz sai de mim com o movimento.
O ruivo se ajoelha e por fim consegue por o seu pau enorme no meu cuzinho, até o fim.
Estou deterioradíssima, descabelada, manchada, nunca estive assim. E não aguento mais, mas eles não devem estar longe de gozar. Estou me sentindo um objeto, e excitada com isso.
Luíz penetra a minha boca, e me olha, alisando meu rosto carinhosamente.
─ Você está gostando? – ele sussurra. Assinto, chupando seu pau.
O faço devotadamente, para cima e pra baixo, Luíz até fecha os olhos, segurando a minha cabeça. Estou tão descontrolada, que também lambo suas bolas e me deixo usar como ele bem quer e decide, abocanhando-o de novo, decidida a fazê-lo gozar.
Sinto um tapa forte queimando na minha bunda, vários. Casandro começa a meter em mim, segurando meu quadril com a outra mão. Minha boceta começa a jorrar mais líquido, um monte de líquido.
Seu saco vai batendo no meu clítoris enquanto ele me dá bofetões, mete em mim e faz o pau do seu amigo bater fundo na minha garganta com os impulsos.
Começo a chorar. Não porque estou triste, mas porque não consigo parar de gozar, e de gemer, e de produzir um monte de mel. Meus seios estão balançando no ar, supersensíveis. Estou no céu, mas me dá uma vergonha horrível.
─ Posso gozar no seu rosto? – Luíz pergunta, suspirando. Assinto desesperadamente.
─ Goza, goza no meu rosto. Por favor, por favor. – O tiro da boca e ponho a língua para fora, igual uma puta mesmo, recebendo as investidas do Casandro dentro de mim, imparáveis.
O loiro goza e seus jatos abundantes caem na minha cara, e para fora dela também, por todos os lados, enquanto fecho os olhos e grito alto.
─ Uhhh… Ufff…. – Ele está estremecido.
─ Agradece, agradece gatinha suja. Agradece o meu amigo por te dar leitinho, sua faminta. Hahaha. – Diz Casandro, atrás de mim.
─ O-obrigada… Obrigada Luíz.
Meu cachorrinho apenas dá um risinho, vendo como sou mesmo sexualmente submissa.
Sinto certa tristeza porque, talvez, isso tenha quebrado o tesão que ele sente por mim. Mas ao mesmo tempo, estou aproveitando tanto as ordens do ruivo que… Sei lá. Carpe Diem.
─ Agora vai e senta, e espera nós go-gozarmos de novo… Cachorrinho… – Sussurro, gemendo, muito gostoso.
Luíz me obedece, e entre risinhos, coloca a sua cueca e vai se sentar no sofá. Ele acende um cigarro, enquanto nós dois seguimos fodendo na cama.
─ Fico feliz em ter sido útil. – O escuto, entre suas aspiradas.
─ Agora sou eu e você. – Escuto Casandro. ─ Eu vou acabar com você. – Ele diz entre dentes, rouco, grave, maldoso.
Me empurra sobre o colchão e seu corpo cai sobre o meu. Ele fica por cima e segura os meus pulsos sobre minhas costas, me prendendo.
Começa a meter com muita força, e sigo gritando, franzindo as sobrancelhas, chorando de dor e de prazer.
─ Pede para eu ter piedade. – Ele ri sacana no meu ouvido.
─ Não, pode meter. Goza, caralho.
─ Mhuhm.
O espaço em mim ficava extremamente estreito com as minhas pernas fechadas. Sinto Casandro mordendo minha orelha, e com mais investidas violentas, ele me enche de porra e nos beijamos profundamente de língua.
Acabo gozando outra vez, no percurso de suas últimas investidas, as que ele ainda aguentava dar antes do seu pau amolecer. Meu cérebro está apagando.
O corpo dele suado sobre o meu, a minha total e completa dormência. Meus murmúrios chorosos, seus suspiros pesados.
─ Posso dormir? – sussurro, suplicante.
─ Claro, perfeita. – Ele murmura na minha orelha.
Apenas assinto, chorando baixinho, enquanto tudo fica preto ao meu redor.
Enquanto isso…
Às nove e meia da noite, tiro o meu suéter do Freddy Krueger e a garra e guardo isso junto com a máscara na minha mochila, perto da caixa de som que havíamos conectado num Macbook na aula de História que ninguém usa, para montar a festinha. Não queria correr o risco de que vessem que eu estava disfarçado como os universitários, e tínhamos que guardar tudo para não dar ruim para ninguém. Me aproximo do Jorge, namorado do meu irmão, e lhe digo:
─ Brow, é hora de desmontar a barraca. – O olho com um sorriso ladeado. Ele dá um risinho e assente. Começamos a puxar todos os cabos, e a galera que está com a gente na sala fica vaiando nós dois enquanto aguento uma risada nos lábios, me divertindo bastante. Hehe. Bando de chato sem criatividade. Podem ir fazer um After-Party em qualquer lugar, não tem que ficar enchendo meu saco para que logo todo mundo se foda.
Jorge guarda o Macbook em sua mochila e a caixa de som numa mala de metal que ele havia trazido. André, que é inteligente, vê o panorama e começa a tirar as espumas antirruído que eu e o Jorge havíamos colado na sala mais cedo, vem, e as entrega para ele. Jorge enrola todas e começa a enfiá-las na mala.
Vou até a porta e observo o corredor, está escuro, não tem muita gente e lá de fora ainda há música. Perfeito, é hora de liberar o gado.
─ Comecem a sair aos poucos, e devagar. Sem fazer zoeira, beleza? – Digo para a galera, e fico na porta, mantendo-a entreaberta. Vou deixando eles passarem de dois em dois. As meninas estão bêbadas dando risadinhas, que delícia. Os moleques estão felizes se abraçando pelos ombros. Está todo mundo contente, do jeito que eu gosto.
Quando eles acabam, nós três ficamos varrendo o chão, limpando tudo e soltando pestes pela boca. Ao acabar, depois de uns quarenta minutos, fomos até o pátio. Me sentei numa toalha que está estendida embaixo de uma das árvores, onde Luigi e Elisa não param de se pegar – ela em cima dele, quase o devorando, tenho que ressaltar; ela que manda na relação, lol – e onde estão Nicole, Violeta, Arantcha, e outros caras do colégio que também são gente boa.
─ Ô, Elisa. – Cutuco o ombro dela várias vezes, irritantemente.
─ Mm… – Ela geme contra a boca do Luigi. ─ Mm? – Ela repete, pois sigo cutucando.
─ Elisa. – Digo outra vez.
─ Quê?! – Ela se desprega do Luigi nervosa e agressiva, as bocas deles fazem um barulhão de desentupidor de pia nessa hora, me fazendo abrir um sorriso sarcástico e divertido.
─ Cadê a Lynn? – Pergunto.
─ A última vez que a vimos, ela estava procurando o Casandro. Há uma meia hora atrás. – Responde Luigi, abraçando sua namorada pelas costas.
─ Hm. – Digo e passo a língua por dentro do meu lábio inferior, de boca fechada. Logo apoio as mãos no chão, tentando que não pareça obvio que eu não tinha gostado nada disso. ─ Ela deve ter ido embora, né? – Adocico meu tom, olhando Elisa.
A morena dá de ombros e suspira baixinho.
Sorrio e me levanto.
─ Vou procurar o André. – Digo rápido e com energia. Não quero mesmo que se note que fiquei fodido. Depois a Elisa fofocaria tudo para ela. Me sento ao lado da Nicole e da Violeta e tiro meu celular para fora, com os joelhos contra a barriga e uma mão no meu rosto. Não ligo se o casal pensar que sou doido, porque disse que ia fazer uma coisa e estou fazendo outra. Enfim.
Abro a janela do chat dela no whats app, Lynn não está online. Fico olhando alguns segundos, sem pensar nada. Sabe quando você silencia a mente para ver se vem alguma ideia? Pois isso. Começo a escrever algumas coisas com as duas mãos, mas tudo que eu escrevo me parece escroto. Então apago as mensagens. Toco na foto dela que se amplia na tela e olho meio segundo, pressionando o botão de voltar de imediato e guardando o celular no bolso de novo. Não vou ficar aqui idolatrando sua foto como um corno manso. Sei lá. Será que esse cara, o tal do Casandro é mesmo melhor que eu? E esse Luíz, esse esquisitão?
Saio do meu transe e olho para o lado, começando a prestar atenção na conversa das meninas. Até agora parecia que eu estava em outro planeta, e não escutava nem via nada, o que significa que se houvesse alguém atrás de mim me apontando com uma arma eu teria morrido.
─ Você tem que afirmar bem o lápis, Nick. E fazer os traços com firmeza. – Diz Violeta, pegando na mão da loira enquanto ela tenta desenhar um rosto no estilo Anime.
─ Deixa, acho que nunca vou conseguir desenhar. Tem gente que nasce com talento, tem gente que não. Minha praia é o Desenho Técnico mesmo. – Diz ela, com um tom desanimado.
Rio suavemente. Violeta me olha feio, pedindo empatia. Poxa, eu não ri por ela não estar conseguindo, eu ri dessa frase sobre o talento. Nada a ver, com prática e dedicação todo mundo pode chegar em qualquer lugar. Mas não quero entrar numa discussão. Meh.
─ O que você vai fazer hoje, Violeta? Quero te mostrar como anda o meu jogo. – Digo para ela, escondendo a malícia. Quero dizer, eu quero mostrar o jogo mesmo. Essa semana passei oito horas por dia programando e ainda não tive feedback de ninguém. Mas claro, não me importo se rolar algo mais.
─ Ué, eu não ia fazer mais nada hoje. Eu ia dormir. – Ela diz, ficando toda rosa. Que inocente.
─ Então vem na minha casa e aproveitamos. – Antes dela se negar, começo a soltar a lábia. ─ Temos um quarto de convidados. Ok? Você pode dormir lá, e meus pais nem estão, então não precisa ter vergonha deles. Estamos só eu e o André. Fiquei a semana inteira programando, e preciso saber o que você acha. Além disso, eu também quero umas aulas de desenho. – Abro um sorriso ladeado, e a olho de um jeito sedutor, sem ser óbvio.
Vejo o rosto da Nicole mudando um pouco, exibindo muita malícia. Violeta olha para baixo rindo. Neste momento pisco para a Nick. A loira abre um sorriso e assente, entendendo que eu estava tentando algo com Violeta.
─ Tá bom. – Ela abre um sorriso tímido, vermelha, e expando o meu, mostrando os dentes. Calma, cara. Não seja óbvio. A Nicole deve estar vendo os chifres de diabo que estão saindo na minha cabeça no plano astral, e a minha calda se movendo enquanto estou assim ladeado. Todos damos uma risada pequena, cada um por seus próprios motivos individuais.
─ Beleza. – Digo bem alegre e me levanto para procurar o André. Conto tudo para ele, e vamos os quatro para a minha casa na caravana do Jorge. Durante o caminho, Vio está tímida e nem fala nada. Eu fico apertando o meu chaveiro que é uma bolinha antiestresse que se acende no escuro e pisca com várias cores, enquanto olho para ela com um sorriso um pouco malicioso.
Quando chegamos, André abre o portão elétrico e Jorge estaciona lá dentro. Resolvemos ficar todos na varanda um pouco. Me deito numa das camas de tomar sol, tomando uma cerveja enquanto ela acaba de desenhar o personagem de anime que ela estava fazendo com a Nicole anteriormente do meu lado, de pernas de índio em vez de estar deitada. Jorge e André vão para a piscina nadar de sunga.
Começo a encará-la, ela está bem concentrada e não me vê. Meu sorriso malicioso vai ficando cada vez maior. Estou usando uma camiseta preta bem apertada, e uma calça jeans escura rasgada nas coxas, com a lata de cerveja na mão que está oposta a ela.
Quando ela sobe o olhar, e me encara, eu que estou com a mão livre sobre uma coxa, a subo pelo tecido da calça jeans e toco o meu pau, como quem não quer nada; pegando por cima dele. Ela fica muito vermelha, e parece que quer desaparecer. Isso me deixa excitado, adoro deixar as garotas sem jeito. Meu pau começou até a ficar duro por causa disso.
─ É..é… Vou no banheiro. – Ela diz, nervosa. Rio rouco e baixinho, e acompanho com o olhar ela passar rapidamente para dentro de casa, agarrando seu bloco de desenho, e o meu olhar em cima dela é de propósito, óbvio. Game Started.
─ Pssiu. – Escuto uma voz que vem da água, enquanto estou com a cabeça girada, divagando na minha estratégia. Olho para frente e André me arremete uma mãozada de água fria no rosto. Fico sério, olhando para ele. A água molhou as pontas do meu cabelo preto, a metade do meu peitoral e a parte debaixo do meu rosto, além de que esguichou um pouco no meu olho.
─ Que foi, caralho? Boceta.
─ Não vá iludir a menina, você não fica com pena? Ela não está preparada mentalmente para um traste como você não.
─ Cala a boca. – Retruco. ─ Eu não estou fazendo nada. Vai foder com seu namorado, vai.
─ Ihh. – diz Jorge, abraçando André por trás. Assinto negativamente. O André e eu temos a mesma cara. É como se eu estivesse vendo no espelho um homem mais alto que eu me agarrando e passando a piroca na minha bunda. Dou um risinho divertido, no entanto. ─ Deixa ele, amor. – Ele diz no ouvido do André. ─ Se ela está aqui a essas horas da noite, deve ser porque também sente o mínimo de “curiosidade”, hm?
─ Huhuhum. – Rio sarcástico e rouco. ─ Te amo, Jorge. – Pisco para ele e damos risinhos, enquanto André ainda não parece convencido.
─ Não pega pesado, beleza? – Diz André. E ele lá sabe como eu sou na cama para me dizer isso? Eu nunca pego pesado. A menos que me peçam. Hehe.
Violeta volta, se sentando no outro repouso de madeira do meu lado. Passo uma lata de chá gelado para ela dentre as que estão pousadas no chão, de cerveja e coca-cola, rindo secretamente da minha escolha. Toma um chá, linda. Para você se acalmar. Bebê. Hahaha. André e Jorge começam a fingir que nada está acontecendo. Incluso, depois de alguns minutos eles começam a se pegar, e é o momento perfeito para eu agir de novo.
─ Tava coçando, Vio. – Digo baixinho, e arrastado, com sensualidade.
─ O quê? – ela pergunta toda atrapalhada.
─ Meu avestruz.
Violeta começa a rir toda vermelha, lembrando da minha ceninha sensual de agora a pouco, que fez ela até precisar ir ao banheiro para se recompor. Fico rindo todo contente com ela.
─ Olha esses dois. – Digo. André e Jorge estão se beijando com muita força num canto da piscina. Nos olhamos e intercambiamos um sorriso cúmplice. ─ Vamos deixar eles sozinhos e ir lá olhar o jogo? Assim eu te falo de quais ilustrações eu preciso.
─ Ok. É..é… melhor, acho. – Ela vai se levantando, e lhe custa um pouco parar de olhar para eles. Olha só, que safada. Deve gostar de um Yaoi como só ela, essa mocinha Otaku. Me levanto e pego o pulso dela, com o meu corpo já direcionado para a entrada, para fazê-la notar com sutileza que ela está abobada olhando, e envergonhá-la outra vez.
Quando ela tira a vista, seguro sua mão com um sorriso ladeado. E agora ela fica nervosa, mas por causa de mim. Ela fica olhando para baixo enquanto caminhamos, segurando o bloco num braço.
Por que não solta minha mão? Hmm? Hm. Ela quer.
Abro a porta de um quarto onde só tenho o computador onde trabalho e jogo, e umas coleções de comics na parede oposta. Quase faço um gesto para ela entrar primeiro, mas decido me conter. Quer dizer, foda-se.
─ As damas primeiro. ─ Aponto para ela passar, olhando no fundo dos olhos dela e mordendo o canto do meu lábio inferior, só um pouquinho, para sugerir. No meio disso solto um suspiro, porque a carinha que ela colocou de vergonha e nervosismo foi bem linda.
Assim que ela passa, solto um risinho, dando a entender que é sacanagem. Ela acaba rindo também.
Me sento na cadeira do computador. É uma cadeira azul e preta de gamer, bem alta, parece um trono. Movo o mouse e a DEMO do jogo que eu estou fazendo se abre de imediato. Vio fica em pé, e nem me importo. Melhor mesmo não ter lugar para ela se sentar, lugar que não seja o meu colinho. Hehe.
─ Olha aí. O que você acha? – Lhe digo, e pego o controle, é um Joystick conectado no computador. Gosto de usá-lo para mover a câmera mais facilmente, e logo jogo com os botões do teclado.
─ Melhorou muito! – Ela exclama.
Mostro para ela tudo que é possível fazer nele, como matar, roubar carros, atirar em alguém, achar dinheiro, cumprir missões.
─ Quer tentar? – Digo, olhando para ela.
Violeta assente e pega o Joystick, que bom, é um cilindro preto e grosso com uma ponta vermelha redonda. Abro outro sorriso ladeado e solto um suspiro leve, enquanto ela está de pé inclinada para olhar direito para a tela do computador, com os seios caindo, marcando na blusa fechada. Ah, Vio. Você se tampa, mas eu vejo. Eu vejo direitinho como são, e já imagino. Uff. Que tesão.
A mão dela é tão pequena, rodeando isso. Enquanto ela está concentrada, inclino minha cabeça, lambendo os lábios. Vou levando a visão para trás, vendo a saia dela um pouco levantada pela postura.
Hm… Ela tem as pernas firmes, de uma cor branca homogênea. Não consigo ver a bunda dela, mas estou ficando com muita vontade. Ts. Ela tem só 1.50cm. Será que ela aguenta meu pau? Uff… Não sei. Não…
─ Deu erro, Armando! – Ela exclama, olhando para o lado, e me pegando no flagra. Me recomponho rapidamente e me faço de preocupado. Começo a tocar alguns botões e concerto o bug nesse momento mesmo, para aproveitar. E fecho o jogo.
─ Bom, ainda está em processo. Você deve ter tentado fazer algo que ainda não dá para fazer.
─ O que eu fiz? – Ela me olha corando.
Começo a corar também.
─ Não sei. – Digo. Claro que eu não sei. Eu estava concentrado em outras coisas. ─ Enfim. Deixa para lá essa merda, que ainda não está pronta. Vamos jogar GTA? – ergo uma sobrancelha, com um sorrisinho ladeado pequeno, e digo sensualmente.
─ Tá bom. – Ela diz. ─ Posso olhar meu Facebook?
Ainda bem que já comecei a abrir o jogo e que está carregando o pacote de dados. Não quero que ela veja meu histórico cheio de pornografia. E nem lembro se deixei “colegialas petardas” aberto numa janela como de costume.
─ Agora eu já abri o jogo. Deixa para depois. – Sussurro. Ela assente de novo. Coloco os fones e começo a jogar, saindo da minha casa no jogo com o meu personagem, que é um cara de cabelo preto desfiado, um monte de tatuagens, olhos azuis e moletom de hip-hop.
─ Parece você mesmo o avatar. – Ela diz, sorrindo.
─ Tá bonito? – Olho para ela, ladeado, com malícia.
─ Sim. É bonito. – Ela diz, toda tímida.
─ Hmm. – Rio suavemente, com maldade. Sou seu tipo, hm?
Quanto tempo mais ela vai aguentar em pé?
Coloco os fones na orelha e falo para a rapaziada da minha equipe que eu estou na área, para irmos roubar o que for. Jogo uns dez minutos, dando risadas escancaradas, bem na minha, e Vio é tão passiva que ainda não reclamou. Eu achava que ela ia reclamar, por isso fiquei ignorando-lhe.
─ Você quer jogar? – Pergunto, com sensualidade, assim que a minha equipe ativa outra missão.
─ Posso pegar uma cadeira para mim? – Ela pergunta.
─ Não. – Ergo mais a sobrancelha, e sorrio de lado. ─ Não dá tempo, Vio. – Lhe mostro a tela. Daqui vinte segundos começa a outra missão. Senta aqui. – Giro a cadeira e mostro minha perna para ela. Ela fica inteira vermelha, mas se senta. Ahmmm, safada.
Apoio meu queixo no seu ombro, enquanto agarro o corpo dela com meus braços e começo a ajustar algumas coisas. Sinto a pele suave do corpo dela roçando no meu, e mantenho a compostura, ainda brincando de deixá-la nervosa.
Meus amigos estão escutando a conversa, e começam a me zoar pelo fone.
“Ihhhhhhh.”
“Não vá perder, em. Seu cuzão.”
“Nós vamos te arrombar se você não jogar direito.”
“Deixa a gente escutar os gemidos, fera.”
Ts. Apago o microfone clicando num botão, e eles começam a me mandar um monte de emoticons de pau _|_ pelo chat e Violeta deve estar olhando sem entender o porquê.
─ Vocês meninos são grossos uns com os outros, em? Sempre tão rivais, nunca entendi o porquê.
─ É mesmo… – Sussurro na orelha dela. ─ Você viu? Como são maus comigo? – Ela assente corada, um pouco trêmula. Que caralho. Ela está no meu colo. Ela me quer. ─ Mhuhum. – Rio baixinho, rouco e a abraço, apertando seu corpo no meu. ─ Dá uma lição neles, linda.
─ Vou tentar. – Ela diz, tímida.
─ Eu vou te dar um prêmio se você conseguir. – Digo com sensualidade, outra das minhas frases de duplo sentido. Violeta começa a jogar e nada dá certo, porque ela está nervosa. Não é porque ela não sabe jogar, ela sabe, ela me disse um outro dia. Hm. Toco seu quadril como se a estivesse segurando. Minhas mãos são grandes, então praticamente pego ela inteira. Isso me deixa excitado, e acho que deixa ela excitada também. Vejo suas bochechas vermelhas. ─ Vio… – Sussurro baixinho no ouvido dela.
─ O quê? – Ela pergunta mimosa, tentando se concentrar, e seguir matando os caras da equipe rival cada vez que o meu boneco ressuscita.
─ Atrás de você. – Sussurro sensualmente. Ela gira a câmera com o Joystick para ver quem estava atrás dela no jogo. Seguro seu rosto com o polegar e o indicador, um em cada bochecha.
Sou eu quem estou atrás de você, bobinha.
Inclino minha cabeça e fecho os olhos, pregando um beijo de língua na boca dela que faz ela soltar o teclado imediatamente, e corresponder, gemendo baixinho.
─ Mmm… – Digo contra a boca dela, ofegando, bem excitado pelo gemidinho que acabo de ouvir.
Ela abre os olhos, como se estivesse amolecida, com sono. Está hipnotizada e excitadinha. Mordo os meus e voltamos a nos beijar, dessa vez ela agarra a minha camiseta, e me aprofundo na boca dela enquanto seguro sua cintura; sentindo um calor se apossando do meu corpo, que daqui a pouco vai me deixar bem descontrolado, como eu sei bem.
Ela tem a cintura tão pequena, que com minhas duas mãos segurando-a, posso tocar as pontas dos meus dedos do meio uma na outra. Aperto suas costas com meus polegares, fazendo uma pressão suave e agradável. Vou subindo uma palma aberta por aí, toco sua nuca com suavidade com meus dedos e vejo os braços dela, que estão destampados na camisa, ficando arrepiados. Sigo subindo até chegar ao topo da sua cabeça, e agarro seu cabelo com meus dedos, puxando a raiz com um pouco de força; ou seja, dominando-a pela cabeça. Desprego ela da minha boca para ver sua reação. Com nossos rostos distantes, olho sua face. Violeta está amolecida e com muita vergonha.
─ Está gostando, ou não? Se você quiser, eu paro. – Pergunto sem rodeios e sem muita paciência. Quero pegar pesado, mas não deve ser o estilo dela. Suspiro baixinho, recuperando o ânimo e colo alguns beijos molhados por seu queixo e por sua boca, vendo como ela fecha os olhos enquanto vai sentindo cada um. Enquanto faço isso, vou subindo minha mão por sua barriga, dentro da camisa, onde aliso devagar.
Aos poucos estamos beijando outra vez, de forma profunda, enquanto ela solta gemidinhos suaves como o canto de uma sereia. Subo essa mão até o seu sutiã, pegando num dos seus seios por baixo e apertando as laterais com o polegar e o indicador.
─ A─Armando… – Ela solta um gemido choroso, reclamando. Desprego ela de minha boca pela cabeça outra vez, e ergo uma sobrancelha, com um sorriso ladeado.
─ Que foi? – Sussurro.
─ É.. Eu…
─ Meu Deus, Vio. Fala de uma vez. – Peço com um timbre um pouco impaciente, mas muito suavizado e empático, com a minha voz ativa no modo sedução.
─ Eu… – Ela fica mais vermelha ainda, se possível.
─ Hm? – Estava a ponto de perguntar se ela quer parar de novo, mas é melhor eu ficar calado. Ela poderia dizer que sim. Ah, ela é muito insegura. Tenho que ir devagar. Estou a ponto de perguntar se ela é virgem. Como pergunto isso? “Você é virgem?” Assim, na lata? Ou… “Alguma vez você já fez amor?” Ah. Eu não posso perguntar assim, depois ela vai pensar que eu tenho sentimentos por ela. ─ Me diga… – Sussurro docemente. ─ Você está com medo de mim? Não precisa… Ok? Nós estamos aqui numa boa, e só vamos ir até onde você quiser. – Afff. Que clássico.
Ela assente com suavidade.
─ Agora… Conta para mim, linda. Qual é o seu problema? – Digo baixinho, bem amoroso, tentando que confiemos um no outro para passar um tempo legal juntos. Ela segue em silêncio. ─ Olha no meu olho, Vio. – Sussurro. Ela levanta o olhar, corada, com medo. ─ Hm? – Faço um gesto com a cabeça, para ela falar. ─ Eu não vou rir de você, seja o que for. Somos amigos. – Sinto o corpo dela relaxando inteiro após o que acabo de dizer.
─ Mm… É que… Eu sou q─quase virgem, entende?
─ Quase… Ou totalmente?
─ Quase. – Ela cora, confirmando. ─ Fiz isso poucas vezes. E a última vez foi há um tempão.
─ Mm. – Não posso evitar pensar no quanto ela deve estar apertada, por isso meus olhos estão brilhando enquanto sinto o meu corpo ficando bem quente. Me vejo em suas pupilas enquanto a encaro. ─ E daí? Pode deixar tudo comigo. Eu vou te tratar muito, muito bem. – Vejo um sorriso malicioso se abrindo no rosto dela, e ela solta um risinho suave. Amo risinho safado de mulher, meu pau fica bem duro. Deve ser por isso que fico fazendo elas rirem. ─ E enquanto a você, faz o que eu mandar… Hehe. – Digo com suavidade. Vejo ela juntando as coxas de tesão quando digo isso Hm… Foi de um jeito discreto, no entanto. ─ Quero dizer… – tusso de propósito. ─ Faça o que eu te “pedir”, hm? E tudo vai ser bom para nós dois. Prometo. – Levanto o mindinho para ela apertar, e ela o fisga com o meu suavemente. O acerco a minha boca, enlaçado no meu, e beijo seu dedo pequenininho, soltando um suspiro depois.
Vou descendo seu braço, enlaçando sua mão com a minha, e começo a beijar sua nuca nua, pois ela tem o cabelo curto, enquanto ainda seguro sua cabeça. Vou dando beijos molhados por ali, chegando na curva do pescoço, chupando com suavidade. Ela se arrepia inteira e inclina a cabeça, então aperto mais seu cabelo com firmeza.
─ Vai abrindo a sua blusa, hm? – Murmuro no seu ouvido, e lambo a sua orelha. Vejo ela desabotoando sua camisa, como eu mandei. Quando está toda aberta, ajudo ela a tirá-la do corpo e a jogo para mesa. Inclino meu pescoço e olho seus seios. Agarro um em cada mão e volto a beijar seu pescoço, dando chupadas leves e molhadas, que não deixam marca, mas excitam. Vou apertando os dois, dando uma massagem, com meus dedos roçando no centro, onde possivelmente devem estar os seus mamilos. Ela vai se deixando e derretendo no meu colo. Começo a afastar o sutiã para frente para descobri-los, e num impulso rápido ela segura minhas mãos, me freando. ─ Que foi? – Sussurro.
─ São bem feios. – Ela diz baixinho, com vergonha. ─ Prefiro… Não tirar.
─ Hm… – Murmuro rouco. ─ Ok, só as alcinhas. – Afasto uma alça do seu sutiã e começo a lamber e a beijar seu ombro e pescoço com a boca bem aberta, ela geme baixinho. ─ Vio… Pega um tapa-olhos de dormir que eu tenho aí na gaveta, depois apaga a luz e acende a da biblioteca, por favor. E volta para o meu colinho. – Quero beijar os seios dela sim, ou sim.
Ela se levanta e vai até as estantes onde tenho os comics, e aperta um interruptor que os deixa iluminados com uma luz alaranjada. Logo vai até a entrada, e apaga a luz. E depois pega o tapa-olhos na gaveta da mesa e me entrega. Que obediente! Ela mostra sinais de submissão, ao menos. Quem sabe eu não consiga pervertê-la?
─ Boa menina. Hahah. – Não me resisto e solto isso, baixinho, rindo com malícia. Ela se senta no meu colo de frente numa das minhas coxas. Sou o papai Noel, só pode. Coloco a máscara em mim, não vendo praticamente nada, deixando os elásticos por cima da minha orelha. Levanto uma mão e a levo pelo ar, fazendo um pouco de comédia, me fazendo de cego. Ela ri baixinho, uma risada até menos tímida. Sorrio por isso. Levanto a outra mão e finjo que estou tocando uma parede invisível.
─ Para, Armando. – Ela segue rindo, abobada, e eu mostrando um sorriso safado daqueles. Encosto as mãos nela e sinto suas clavículas delicadas, e lá vou eu, seguro seus seios pelas laterais, massageando, agora com força. Escuto seu murmúrio e, guiado só pelo tato, acabo de descer o seu sutiã. Agarro seus seios e dou um beijo molhado no seu pescoço, descendo a boca pela clavícula, sinto como ela vai estremecendo de apreensão.
Localizo os mamilos com minhas mãos. Eles são um pouco afastados, apontam para o lado contrário, deve ser por isso que ela tem vergonha, e são pequenininhos. Puxo-os uma primeira vez e ela geme baixinho. Levo a boca até um deles e quando o rodeio com os lábios dou uma cuspida para umedecer. Sinto a calcinha dela muito molhada contra minha calça jeans, então chega de frescura. Começo a sugá-lo com força enquanto brinco de girar o outro com meus dedos. Suas mãozinhas vêm sobre minha cabeça, segurando meu cabelo como se estivesse pedindo clemência. Começo a dar um trato neles, agressivo, mamando de um lado e de outro. Vou escutando como ela geme toda entregue, e que caralho? Tiro o tapa-olhos.
A pego no flagra com uma cara muito promíscua, gemendo de boca aberta enquanto me segura e forçando a calcinha na minha perna de propósito. Abro um sorriso ladeado e solto um risinho sacana. Ela se atrapalha toda e tenta se tampar com os braços.
─ Para com isso. São lindos. – Sussurro. Volto a lambê-los e a apertá-los. ─ Mmm… – Gemo satisfeito, enchendo-os de saliva enquanto me delicio. Ela ficou mais rígida agora que posso olhar, mas nesse ponto da situação, não consegue mais reclamar.
Me levanto da cadeira e ficamos em pé por um momento. A deito na mesa suavemente e me sento outra vez. ─ Fica assim. – Advirto. Ela assente, mas ladeia a cabeça, e a deixa apoiada na superfície.
Levanto a saia dela lentamente, e aliso uma nádega com a mão inteira.
─ Minha calcinha é horrível. – Ela murmura.
Violeta está usando uma calcinha branca com bolinhas pretas, bem grande.
─ É fofa. Cala a boca e não me contradiga. – Sussurro excitado. Ela geme baixinho. Esfrego meus dedos pelas entradas dela, forçando-os e esfregando-os no pano com força, escuto mais gemidinhos que fazem meu pau levantar. Subo sua calcinha e começo a socá-la no meio da bunda dela, fazendo um fio dental. Logo dou um tapa numa nádega que fica vermelha apenas uns segundos após. ─ E aí? Você gosta de umas porradas?
─ A-Armando, o que você está dizendo? – Ela murmura, me olhando, vermelha.
─ Não? – Digo arrastado, e começo a apertar a bundinha dela com força, super pequena, cabe nas minhas mãos. Após a massagem, agarro a carne, levando os polegares para cima e abrindo a bunda dela. Abaixo essa calcinha de bolinha do caralho que estorva tanto, e volto a abri-la, vendo seus dois buraquinhos. Gemo de satisfação, ela está um pouco trêmula e toda nervosa. ─ Hmm… – Digo maliciosamente, ainda massageando e a abrindo de um jeito sacana. Vejo seu líquido transparente escorrendo, sei que ela gosta.
Abro sua boceta e começo a lamber tudo e a escutar seus gemidinhos chorosos enquanto enfio a língua por dentro e por fora dela. Subo meu rosto por seu cuzinho, e o lambo, dando umas cuspidas. Ela fica toda amolecida e em choque, e fecha um pouco as pernas para mim.
Ela é muito pequena para ficar comigo. Tipo, muito mesmo. Tenho 1,88cm. Quando lambo ela assim, se eu quisesse, com um pouco de esforço, poderia chupar a boceta e o rabinho dela ao mesmo tempo, se eu abrisse a minha boca ao máximo. Começo a dar umas lambidas bem pervertidas, enquanto a seguro, de cima a baixo, passando pelo cóccix, cuspindo e sugando. Logo chupo o clítoris dela mais embaixo, fazendo uma massagem gostosa com minha boca, entalando minha cara entre suas pernas. Ela não para de gemer fino.
Que vontade de bofetear essa bunda sem parar, mas ela não curte. Pressiono o dedo do meio por fora do seu cuzinho molhado, só de sacanagem, e o movo em círculos algumas vezes. Deve ser virgem pela porta detrás, mas eu adoro passar um medo. Ela reclama e paro de tocar ali. Abro a gaveta e tiro um tubo de lubrificante, que fica guardado aqui onde eu uso o computador, vocês já sabem o porquê.
─ Vai, Vio. Sua vez. Eu vou te ensinar a bater uma punheta dos deuses. Seu próximo namorado não vai largar do seu pé. – Digo sussurrado, e arrastado; e tiro minha camiseta, ficando todo despenteado, tanto cabelo como sobrancelhas.
Ela se levanta toda mole, escondendo um pouco os seios, e solto um risinho sarcástico quando os observo. Nem são feios, mas autoestima baixa é assim mesmo. Vou deixá-la em paz.
─ Eu não sei. – Ela diz. Só que vai se ajoelhando. Pelo menos é prestativa, esse neném. Ela está me olhando assim sem roupa e parece gostar.
─ Eu te ensino, não te disse? – Sussurro. Começo a abrir minha calça e tiro meu pau meia bomba da cueca. ─ Eu sei que é tosco se gabar… Mas… Não se assuste, ok? – Quando ficar duro ela vai fugir.
Ela o olha corada, com os olhos brilhando de excitação. Despejo o lubrificante transparente pelo meu pau e começo a alisá-lo para espalhar. Olho ela observando toda vidrada enquanto suspira.
─ Você gosta, hm? – Sussurro, excitado. Ela fica em silêncio. ─ Assente, vai.
Vio assente, com vergonha. Quando meu pau está bem úmido, coloco as mãos dela ao redor e despejo um pouco mais por cima.
─ Isso é simples. Basta você subir e descer, e ir aumentando o ritmo. Cuidado com a cabeça.
Ela assente de novo e começa a deslizar suas mãozinhas pelo meu pau, com muito carinho, medo e cuidado. Que fofinha. Aos poucos ela vai aumentando o ritmo como eu falei, e meu pau vai ficando bem duro enquanto reviro os olhos. ─ Pode segurar com força, não machuca. – Lhe digo, entre sussurros de prazer.
Ela o aperta mais e a masturbação vai ficando mais prazerosa. Vai subindo e descendo suas mãos por ele, que fica cada vez mais duro e grosso. Vejo seus olhos um pouco arregalados enquanto meu pau vibra quente na mão dela.
─ Você vai me rebentar com isso, Armando. – Ela sussurra, franzindo as sobrancelhas. E essa frase acaba de me deixar endurecido por completo. Isso aí, a ferramenta está pronta.
─ Não, linda. Eu vou te foder devagarzinho, com muito cuidado. – Sussurro, bem safado, olhando os olhinhos dela. ─ Vem, vem de novo no meu colinho, linda. Obedece.
Ela se levanta e se senta numa coxa minha. É verdade, meu pau vai chegar na garganta quando entrar. Haha. Mas já não estou ligando.
Seguro ela pelo quadril com as duas mãos e a levanto do meu colo, ela dá um gritinho assustado. Encaixo a boceta dela na cabeça do meu pau e começo a descê-la bem devagar. Ela fecha os olhos e geme baixinho, está mesmo muito apertada.
─ Não entra. – Ela sussurra.
─ Shhh. Entra sim. – Murmuro no seu ouvido, sinto ela rodeando meu ombro com um braço e olhando para baixo apreensiva. Quando tento socar o corpo dele, começa a travar. Então deixo ela apoiar os pés no meu joelho, seguro meu pau com uma mão e bato ele no clítoris dela várias vezes. Por causa disso, ela solta gemidinhos chorosos e fico olhando a cara dela gemendo. Deslizo a cabeça para a entrada de novo e volto a segurá-la por baixo, pegando sua bunda e suas coxas. ─ Devagarzinho, hm? Tranquila. – Sussurro. Vou descendo-a bem aos poucos, centímetro por centímetro. Meu pau está muito lubrificado, isso facilita. Sinto ela se apertando toda, nervosa. ─ Ahm… Relaxa… – Sussurro, arrastado. ─ Por que você não pensa no seu Senpai, hm? – Digo com malícia.
Pensa em quem você quiser, mas relaxa a bocetinha para mim. Ela apoia os pés nas minhas coxas de novo, com as pernas tremendo. Vou puxando-a mais, e quando passo da metade, que é onde o meu pau começa a engrossar muito, mais grosso que o pulso dela, vamos, ela começa a chorar de dor no meu ouvido.
─ Armando… Tá doendo, tá doendo… – ela rezinga, franzindo as sobrancelhas.
─ Mm… – Meu tesão está aumentando muito, não sei se falar para ela uns estilos de perversões que eu curto, mas vou me deixar levar. ─ Mas você é boa, não é? E adorável. Você vai aguentar meu pau todinho. Não é? Hm?
─ Mmm… A-ah… N-não sei.
─ Huhum. – Rio rouco, com malícia e começo a fodê-la bem devagar, deslizando meu pau para dentro e para fora enquanto a seguro. Ela começa a revirar os olhos de prazer e a gemer.
─ Isso… Hm… Assim. Eu sabia que você era maravilhosa. – A incentivo. A solto e começo a tocar o seu clítoris em círculos, com a umidade do lubrificante. Ela agarra meu ombro mais forte e afirma mais os pés no meu joelho. Logo ela mesma começa a tentar ir se abaixando, e quase chega até a base do meu pau, revirando muito os olhos. Sua carinha excitada está me descontrolando, então mordo o lábio inferior e suspiro. Ela começa a subir e a descer devagar. ─ Mm… – Sussurro. Você quer uns beijinhos? – Digo contra sua boca. ─ Quer que eu coloque “Save Me” do Hanson de fundo? Qualquer coisa para você ficar à vontade e quicar forte no meu pau, linda.
─ Só fica calado. – Ela diz toda vermelha. É… Hahaha. Não é todo mundo que curte as minhas palhaçadas ou que entende o meu humor sarcástico.
─ Beleza. – Respondo. A agarro e começo a ajuda-la, fodendo sua boceta apertadinha com mais ritmo, e fico calado como ela pediu. Meu pau entra e sai dela deliciosamente, todo molhado, o lubrificante nem se desprega dele. Parece um pedaço de tronco molhado entrando e saindo da boceta dela. Que vontade de a rebentar. Mas claro, não vou estuprar a guria. Após um tempo, ela se goza toda no meu pau e na minha mão, já que não paro de girar o seu clitóris. Dou um beijo de língua nela enquanto ela está gozando gostoso, e quando acaba, a jogo na mesa de novo, com a bunda para cima.
Fuh. Temos um problema agora. Desde que perdi a virgindade aos treze anos, e passei por algumas ficantes que reclamavam porque eu só durava cinco minutos, pratiquei muitas técnicas para aguentar o tranco, e agora é difícil me fazer gozar. Tem que ser muito safada.
─ Posso gozar em você? – Pergunto, sussurrando, e batendo uma punheta muito forte.
─ Não. – Ela murmura. ─ Eu não gosto disso, Armando… Eu…
─ Gozar na sua bunda ou chupar meu pau? Você decide. – Digo bem cachorro, descontrolado e excitado, sussurrando. Porra, ela vai mesmo me deixar na mão? Eu já estou na mão, né. Que escrota.
─ Depois você se limpa, vai… Não seja… Fresquinha. – Digo, aguentando a paciência.
Ela se convence e abre as pernas para mim. Seguro uma nádega sua e enquanto me punheto com a cara toda louca de tesão, fico olhando seus buraquinhos e batendo uma forte, e barulhenta, até despejar vários jatos por cima do cuzinho dela. Dou um tapa leve, por cima, e abaixo sua saia.
Mano… Se ela sumir agora, nem ligo. Mas por nossa amizade… Me guardo e abro um sorriso, assim que ela levanta me olhando.
─ O banheiro é na segunda porta à esquerda. – Digo, amável, quase explodindo de raiva. Meh. Quem me manda.
─ Ok. Eu vou tomar um banho. – Ela diz, mais envergonhada do que a pessoa mais tímida do planeta.
─ Vai nessa. Estou na sala vendo um filme se tal. Vou te preparar o quarto de convidados.
Vio assente.
Quando ela sai do quarto agarro minha cabeça e suspiro, logo esfrego meu rosto. Vou no quarto de convidados ver se ele está ok e deixo ele preparado para ela. Logo me enfio no meu próprio quarto e me deito para dormir.
No dia seguinte, ela, Jorge e André estão tomando café da manhã tranquilamente na varanda. Ainda bem, né. Começo a tomar um café e a comer uma torrada, como se nada tivesse acontecido.
─ Bom, já vou embora. – Jorge diz para o meu irmão. Eles se beijam e o moreno vai se levantando.
─ Jorge, você se importa de levar a Vio para casa? Eu estou de ressaca. – Digo com cara de cu, bosta e sono.
─ Não. De boa. – Jorge sorri para Vio. ─ Você está pronta? – ele lhe pergunta.
─ Eu estou! – Ela responde com energia. Nossa, não precisa me amar desse tanto que eu fico sem graça.
Violeta se levanta, se aproxima de mim e me dá um beijo no canto da minha boca.
─ Tchau. Desculpa qualquer coisa, Armando. – Ela murmura, segurando meu ombro.
─ De boa, fofa. Deixa para lá. Nossa relação é a mesma de antes. Ok.
Ela abre um sorriso pequeno e assente. Quando eles vão embora começo a comer uns bolos de chocolate porcamente. Serotonina.
André começa a olhar para mim com malícia e ergue uma sobrancelha.
─ E aí? Foi bom? – ele ri baixinho.
─ É… Não foi dos melhores. – Me limito a dizer.
André ri de novo.
─ Por quê? – Lhe pergunto.
─ Nada. Você sabe que sou curioso. – Responde meu irmão.
─ É, eu sei que você é fofoqueiro. Tá de boa.
Os dois rimos do que acabo de falar.
─ Vou tomar um banho. Minha noite foi maravilhosa. – Ele diz, com muita malícia, me olhando com sarcasmo.
─ Que inveja. – Ergo uma sobrancelha.
Vejo meu irmão passar para dentro de casa e, por fim, suspiro profundamente. Tiro um cigarro e começo a fumá-lo, enquanto olho o celular.
Abro o whatsapp, entro no chat da Lynn, de novo. Olho a foto dela. Ai… Que carinha de anjo, essa garota. Mas dentro mora um diabo. Quero tanto ficar com ela. Por que ela não me quer? Eu não devo ser tão foda com as meninas como eu achava. Sei lá. Tem transas minhas que são celestiais, e outras são assim, um pouco destrutivas como a de ontem. Deve depender da pessoa mesmo. Hm… E se eu perguntasse para a Lynn do que ela gosta? Antes de… Transarmos e mandar nossa amizade à merda, digo. Acho que entre mim e a Violeta o clima vai ficar estranho um bom tempo.
Armando: “É… Oi?”
Lynn: “Oi, Armando. :)”
Armando: “Hm… E aí, como foi ontem? Você se divertiu?”
Lynn: “Foi legal.”
Claro, deve ter sentado na pica do Casandro até de manhã. Começo a mandar umas fotos para ela que eu tirei ontem com outras pessoas, algumas eram divertidas, mas em outras eu saia com cara de “sou muito mau e vou arrombar sua boceta, tchutchuca”.
Armando: “Foi mesmo. Podiam fazer mais eventos assim. Me diverti muito.”
Ela me manda um áudio dando uns risinhos. Será que ela sabe como eles são sexys? Ela fica contente quando eu digo “diversão”. Tudo me faz pensar besteira.
Vejo um monte de selfs dela chegando para mim. Começo a olhá-los, me deliciando. Seleciono um onde ela sai fazendo um biquinho com os lábios brilhando com gloss, e parte do decote dela aparece na foto. A reenvio.
Armando: “Você está linda nessa.”
Lynn: “Haha. Obrigada!! Fofo. :$”
Abro a câmera do celular e o levanto, tirando uma foto do meu rosto e do meu corpo deitado, enquanto seguro uma das coxas e coloco um sorriso ladeado e um olhar profundo. Mando para ela com a seguinte mensagem:
Armando: “Olha a minha cara de ressaca.”
Lynn: “Hahaha. Você exagera… Olha a minha. Isso sim é ressaca.”
Ela me manda uma foto com uma camisola rosa fúcsia, sexy demais, tampando a metade do rosto com a mão por vergonha por não estar maquiada, suponho, fazendo um biquinho e uma carinha engraçadinha para mim.
Armando: “Você está toda despenteada. Parece uma bruxa.” Digo, para zombar dela.
Lynn: “Estou mesmo. Hahaha. Acabo de levantar. Chato.”
Armando: “Hmm… Jajaja. Quieres que te cepille? ;)” [Hahaha. Você quer que eu te escove?”]
Será que ela vai entender isso? “Cepillar” é pentear os cabelos, mas também é uma gíria que significa foder.
Lynn: “Hahahahaha.”
Armando: “Donzela.”
Merda. Meu celular acaba de morrer.
* * *
No próximo dia de aula, tento investigar com o Casandro o que ele acha da Lynn. Se ele não gosta dela, ele provavelmente vai me contar a transa toda, como de costume. Por exemplo, sempre comentamos tudo o que fazemos com a Antónia. O Casandro a chama “de saco de espermas”, e ela é tão lerda que gosta, não entende o porquê do apelido.
Sinceramente, acho que já não vou foder mais com essa menina. O jeito dela é nojento. Além disso, ela é muito convencida e pegajosa. Vive escondida me espiando, e fica batendo palmas quando estou jogando algum esporte na quadra, como se eu fosse o namorado dela.
─ Ei… – Digo para o ruivo, quando estamos perto um do outro no pátio, na hora do intervalo.
─ Fala, Champion. – Ele ri suavemente.
─ Ih, tá de bom humor? – Ergo uma sobrancelha.
─ Pode-se dizer que sim. – Ele ri baixo outra vez.
─ Como foi com a Lynn ontem?
─ Hm… Você quer uma narração em prosa de 3.000 palavras? Ou quem sabe 12.000? – Ele ri sarcástico, dando a entender que 3.000 palavras era pouco para falar tudo o que aconteceu.
─ Me contento com um resumo de 100. – Digo irônico.
─ Pergunta para o Luíz, talvez ele te diga.
Arregalo os olhos suavemente. Então o Luíz também participou da gandaia? E Casandro não quer me contar como foi. Merda, ele gosta dela. E ela gosta dele.
─ Você gosta dela, não é? – Casandro me pergunta, ladeando um sorriso malicioso.
Assinto.
─ E daí? – O olho.
─ Huhum… – ele ri. Casandro abre um sorriso ladeado. ─ Eu também. – Ele me adverte, com firmeza. ─ E Luíz.
Cruzo os braços.
─ Ah, é?
O ruivo assente, mantendo o sorriso sarcástico.
─ Pois que comecem os Jogos Vorazes, parceiros.
***
Eu sigo no mesmo lugar, sim. Na cama do Casandro, coberta com vários edredons, no mesmo ambiente escuro onde parece que a luz do sol supõe sempre uma intromissão.
Ao esfregar meus olhos, borro a minha mão inteira com maquiagem. É óbvio que eu dormi desde ontem, desde o momento em que lhe pedi para descansar.
Por enquanto não há sinal de nenhum dos meus maridos, então me levanto constatando que sigo nua e suja. Vejo que acabo de empurrar uma camisola cor de rosa que estava em cima da cama pomposamente, e que eles deixaram um bolinho industrial e um suco de laranja para eu tomar de café da manhã.
Tusso algumas vezes, caminhando pelo quarto. O Casandro tem uma guitarra bonita vermelha pousada num suporte na esquina, perto da janela, então a toco sorrindo pouco a pouco. Tento conter o meu lado fofoqueiro, mas não consigo. Começo a observar o quarto todo. Ele não tem fotos penduradas, a não ser dele mesmo. Em algumas ele sai tocando guitarra dentro de bares todo suado e lindo.
Interessante. Bem que eu gostaria de participar desse mundo da música.
Olho que em cima da mesinha ainda há restos de Ron, então pego um copo e bebo. É super hidratante e saudável, veja só. Acho que não vou tomar o café da manhã, assim aproveito para jejuar e perder uns quilos.
Vou até o banheiro do quarto dele, e começo a tomar banho. Á água cai quente na minha cabeça enquanto fecho os olhos, pensando quais serão as boas novas do dia quando eu chegar em casa. Não é como se eu levasse um mês fora, mas eu tenho certeza de que me culparão por todas as desgraças do mundo devido a minha ausência.
Ao sair, visto a camisola e arrumo o meu cabelo. Acabo de ver que o Casandro tem um tubo de tinta roxa na gaveta. Mas ele pinta o cabelo de vermelho. Vou perguntar para ele lá embaixo que raios ele está fazendo com isso. É zoado.
Desço as escadas e encontro Casandro e Luíz no sofá da sala, fumando uns cigarros e comendo sushi do JustEat.
─ Eu estava esperando você acordar, rainha. – Diz o loiro, me olhando.
─ Que horas são?
─ 10am. – Responde Casandro.
─ Ah, ok. Escuta, eu tenho que lavar e secar o meu vestido. Hoje à uma eu tenho aula de reforço na Escola.
─ O que você tem? – pergunta o ruivo.
─ Inglês.
Ele assente.
─ Tá certo, então. – Ele pega minha roupa e a coloca na lavadora. Até o programa de lavado e secado acabar são uns oitenta minutos.
Então Casandro volta a se sentar.
─ E aí, você gostou de ontem? – pergunta Luíz.
─ Gostei. Só me sinto um pouco confusa agora. – Digo, me sentando com eles.
─ Confusa como? – segue o loiro.
─ Sei lá. Sobre se foi certo ou errado.
Ouço Casandro dando alguns risinhos abafados.
─ Bem-vinda ao meu mundo. – Ele diz.
─ O que você quer dizer com isso? – ladeio um sorriso.
─ Para mim não há certo nem errado. Há coisas que eu quero fazer e que eu faço. Acho que você deveria aplicar a técnica.
─ Por quê? – pergunto, curiosa.
─ Porque nós não nascemos para agradar ninguém.
─ Vocês vão manter o segredo?
─ Eu prometo. – Responde Luíz, prontamente. ─ Não sou do tipo de cara deselegante, que sai por aí difamando garotas. E menos você. Não é, senhora?
Rio baixinho.
─ Espero que não. E você Casandro?
─ Eu também não. Até porque sou consciente de que uma anedota dessas infla o meu ego e o do Luíz, mas acaba com a sua reputação.
─ Pois é. Ser mulher é foda.
Os dois riem.
Acabo rindo também. Que modernos.
─ Pode ficar tranquila por nós dois. – Segue o ruivo.
─ Eu sei que ser mulher “é foda”. – diz Luíz. ─ Eu sou um poeta, quero dizer. Do que um escritor precisa?
─ Empatia. – Interrompo.
Luíz abre um sorriso ladeado.
─ É exatamente o que eu ia dizer.
Sorrio.
─ Você vai publicar algum livro?
─ Eu já publiquei algumas poesias, e ganhei alguns concursos. Eu quero sim publicar tudo o que eu escrevo, por que não? Não porque eu ache que vá ser reconhecido, mas porque, quem sabe, daqui uns cem anos…
─ Eu entendo. – Respondo. ─ Daqui uns cem anos as pessoas vão estudar o século zero, e quem sabe a sua novela não cai nas mãos de um bom crítico?
Luíz ri levemente.
─ Exato. Agora as novelas contemporâneas parecem uma grande besteira, mas com o tempo as pessoas vão se dar conta de como era a nossa vida e as nossas preocupações, e vai ser interessante. Você já leu The Yellow Wallpaper?
─ Não. – Respondo, curiosa. ─ É sobre o quê?
─ É um livro que hoje em dia se considera um clássico feminista. É literatura gótica. Uma mulher da época vitoriana sofre de “histeria”, o marido é um doutor e ao mesmo tempo é o marido, então ele tem uma dupla autoridade sobre ela, já que é um homem de razão. Para curar a histeria, ela é submetida a um tratamento que se chama “a cura do descanso”. Só que ninguém ao redor dela se dá conta de que essa suposta histeria é frustração, já que ela, e todas as mulheres da época, não podiam estudar, nem trabalhar, nem serem elas mesmas, apenas cuidar da casa e obedecer ao pai ou o marido. Ficar o dia inteiro em casa, presas e frustradas, causava agressividade e pensamentos escuros, paranoias, terror. É bem interessante, eu recomendo.
─ Não é muito diferente de agora. – Solto um risinho irônico.
Luíz fica pensativo.
Ele acaba rindo levemente.
─ O que você quer dizer com isso?
─ Quero dizer que eu tenho o exemplo em casa.
─ Ah, sim?
─ Sim, mas deixa para lá. É muito complicado para explicar.
─ Quando você quiser desabafar, minha deusa, eu vou te escutar.
─ Obrigada. – Assinto.
─ Se não for muito pessoal, claro. – Ele sorri.
─ Mm… – Casandro murmura. ─ Você também está presa num conto gótico; é isso, Lynn?
─ Acho que todas as mulheres estamos. – Respondo.
─ Quem sabe todos nós não estejamos? – o ruivo me olha, enigmático.
─ Onde estão seus pais? – Pergunto, rapidamente, por pura intuição.
─ Eles morreram. – Casandro responde. Não é isso gótico o bastante para você?
─ Às vezes eu penso que é o melhor que pode ter te passado.
Jesus Cristo, Malvina Lynn. Não seja tão fria.
─ Quero dizer… – digo, tentando me corrigir.
─ Hm. Tem seu lado bom. Sobretudo nos primeiros meses. Mas depois… Você está vendo essa casa? Essa casa inteira? Ela fica vazia. À noite ela parece assombrada. E não é que haja espíritos nem nada disso. Eu não acredito em todas essas coisas. Ela fica assombrada porque a imaginação de uma pessoa solitária cria monstros.
─ Então… Se eu não vou conseguir ser feliz nem longe dos meus pais, o que é a felicidade?
─ A felicidade é um momento como ontem. – Casandro abre um sorriso maldoso. ─ Onde três almas se unem para viver a vida livremente.
─ Que lindo. – Remarca Luíz, o “crítico literário” e filósofo.
A felicidade para mim é a liberdade de poder ser e fazer o que eu quiser. É uma meta difícil, já que o nosso contexto sociocultural e as nossas obrigações sempre estão nos limitando.
Casandro diz que a liberdade é dada em momentos, como migalhas de pão.
─ Então você tem esse chalé todo para você? – pergunto.
─ Sim. Todo para mim. De dia é ótimo. Mas de noite eu saio, normalmente.
Assim os seus fantasmas não te atormentam, não é mesmo?
─ Como um vampiro. – Remarco.
Os dois garotos riem, provavelmente de algo que só eles entendem.
Estou curiosa para saber quando e como os pais dele morreram. Porque ele segue vivendo nessa casa, porque não se mudou. Mas ainda não há intimidade para entrar nesses assuntos tão pessoais, suponho.
─ Casandro, eu peguei esse tubo de tinta roxa no seu banheiro. Você vai pintar o cabelo de roxo?
O ruivo abre um sorriso ladeado, expondo os dentes, se aproxima e pega o tubo, lendo-o.
Ele acaba rindo.
─ Hahaha. Não. Isso eu comprei na Amazon no mês passado, eu queria vermelho, mas veio errado. Por quê? É você quem quer pintar o cabelo de roxo?
─ Eu sempre quis ter o cabelo azul. Mas nunca pintei, porque se eu precisar procurar trabalho não vão me querer com o cabelo azul.
─ Depende do trabalho que você procurar. – Responde o ruivo.
─ Como assim?
E minha cabeca parou nesse momento, deixei de pensar. Como se eu estivesse jogando o tarot e estivesse meditando sobre o meu futuro.
Para uma moça jovem e bonita, que ainda nao esta destruida, poderia ser um leque infinito de possibilidades.
Tanto boas, como más.
─ Estamos em Barcelona, gatinha. Aqui há lugar para todos. – Ele abre um sorriso charmoso e agita sua perna, com as mãos sobre sua barriga, debruçado em sua poltrona.
─ Você parece positivo. – Sussurro.
─ Eu não sou positivo. Eu sou realista. – Retruca Casandro. ─ Tudo depende, claro, das suas aspirações. Se você quer ser a gerente de uma empresa de gás natural onde só tem gente padrãozinho e pau no cu, então acho que você não deveria mesmo pintar o cabelo de azul. Mas se você for mais feliz trabalhando num Club noturno, sendo cantora, cozinheira ou atendente de uma loja de roupas alternativas, vai fundo.
─ Vocês acham que eu consigo encontrar um trabalho como decoradora, mesmo sem haver acabado de estudar?
─ Tudo depende do seu talento e da sua capacidade de mentir. – Casandro ri irônico.
─ Mentir sobre as minhas habilidades?
─ Sobre a sua experiência, linda. – Completa Luíz.
Acabo rindo.
─ Vocês mentem muito para conseguir apresentações?
─ No começo nós tínhamos que mentir, sim. – Diz Casandro. ─ Nós dizíamos que já tínhamos tocado em lugares importantes de Madrid, dávamos referências falsas, essas coisas. Logo conseguimos nos apresentar em várias discotecas de luxo aqui em Barcelona, e já não temos que mentir. Mas no começo… tudo é lábia.
─ Entendo. – Murmuro. ─ Mas eu sou tímida…
─ Eu vou te ajudar se você precisar de algo. Eu sou o seu mestre, não? Os mestres ensinam.
Rio levemente.
─ E eu sou o seu mordomo. – Luíz pisca um olho.
─ Vocês não existem!
─ Nós existimos sim, princesa. Então aproveita. – diz o loiro.
Aproveitar.
─ Pode deixar. – Respondo. ─ Nós três vamos viver intensamente.
─ E sem cobranças. – Adiciona Casandro.
Apenas olho para ele, inquisitiva.
─ Vou responder as minhas mensagens no celular, se vocês não se importam.
─ Não, imagina. – Luíz responde.
─ Seu vestido já acabou de secar, vou tirar ele. – Avisa o ruivo, se levantando.
─ Por que vocês são assim comigo, mesmo sem eu ter feito nada de bom por vocês? – pergunto para Luíz, enquanto Casandro não está.
─ Malvina… Sabe… Há pessoas que você olha e sabe que pode confiar nelas. E outras onde acontece todo o contrário. Eu não preciso explicar o porquê. Eu e o Casandro simplesmente não queremos machucar você, e sabemos que você também não vai nos machucar.
─ Você sabe que eu sou boa, mesmo sem me conhecer?
─ Eu te conheço, quando olho nos seus olhos. – O loiro se aproxima, com um pequeno sorriso. Fico corada. ─ Eles brilham cheios de sonhos. – Sinto como ele toca meu rosto até a boca. Me encarando como se pudesse ver minha alma nua.
─ É isso o que eu sou? Uma frustrada?
─ Não. Uma garota que precisa de um cavalheiro e de um guia.
Sorrio.
─ É contraditório, não? Que estejamos falando de feminismo e, ao mesmo tempo, falando que eu preciso de um cavalheiro e de um guia.
─ Amigos soa melhor?
Rio baixinho.
─ Bem melhor. Eu serei vossa amiga. – Digo, com firmeza. ─ É uma pena que eu não tenha nada a oferecer.
─ Nós te ajudamos agora, você nos ajuda depois.
─ Hm. Agora soa mais justo e racional.
Luíz ri, divertido.
─ Malvina… – ele segura a minha mão. ─ Nós três somos artistas. O que temos em comum, é que ambos perseguimos um sonho, solitariamente, um sonho que só a alma individual de cada um de nós acredita ser possível. É isso o que nos une. É isso com que faz com que, sem precisar contar a nossa vida inteira uns para os outros, confiemos mutuamente uns nos outros. E como artistas que somos, estamos atentos em cada detalhe. Eu, por exemplo, vejo cada expressão sua. A maioria é de preocupação, e medo. Outras são desafiantes, como se você não gostasse de perder o seu tempo, e estivesse ansiosa.
Sorrio.
─ Você tem mesmo talento para ler a alma alheia, não é? – olho para baixo. ─ Parece que eu estou num filme. No Brasil seria impossível estudar numa Escola de Arte, onde todas as pessoas são assim diferentes e sensíveis como eu.
─ Nem todas. – Ele solta um risinho. ─ Mas algumas sim. Dá para encontrar pessoas bem parecidas com você sim. Isso é o melhor de tudo. É um privilégio, sem dúvidas.
─ É um privilégio. – Repito. ─ Um privilégio que vocês têm e outras pessoas não. Um privilégio que eu tenho agora.
─ E você não merece esse privilégio?
─ Eu me culpo às vezes. – Sorrio tímida. ─ E também… Há momentos em que eu sinto que não é o meu lugar.
─ Como assim?
─ Você conhece a Antónia?
─ Sim. – Casandro volta, se sentando e me entregando o vestido seco.
Tiro a camisola e o visto na frente deles, sem pudor. Afinal, né, a nudez é algo natural e eles já viram tudo de mim.
─ Ela fica zoando o meu sotaque, e as minhas roupas. Ela se acha superior a mim.
─ Ela é uma retardada. – Responde Casandro.
─ Mas isso me faz sentir insegura. Ela sempre está bem vestida, e parece não ter nenhum problema na vida. Isso me deixa tímida, eu fico pensando que as pessoas tem nojo de mim.
─ Sabe o que as pessoas tem de você, princesa? – pergunta o loiro.
─ O quê?
─ Inveja. – Responde Luíz.
─ Inveja do quê? Por quê?
─ Inveja de você não seguir as regras e mesmo assim ser aceita e ter amigos. – Responde o ruivo.
─ Mas eu sigo as regras.
─ Não. Você tenta. Mas não segue. – Rebate Casandro. ─ Ela provavelmente tem inveja de, mesmo seguindo as regras, mesmo cumprindo todo o padrão de beleza e comportamento que a sociedade e os pais dela exigem em casa… não ser reconhecida como a rainha. Não ser amada por todos.
─ Você é a rainha. – Completa Luíz, brincando.
─ Ela é uma racista maldita. – Solto meus demônios.
Os dois riem.
─ É exatamente o que eu disse. Ela é espanhola, loira, olhos claros e tem dinheiro. Por que uma brasileira ridícula como você recebe mais atenção do que ela? Ela é só uma invejosa. Na cabeça dela ela se esforçou muito para ser a Barbie que ela é. E você não fez nada. Simplesmente existe com o seu cabelo marrom, com seus olhos escuros, com o seu sotaque marcado e com as palavras que você pronuncia errado. Ela é perfeita. Você é imperfeita. Então por que você parece mais feliz e realizada sempre que ela te olha?
Esses caras são profundos. Abro um sorriso ladeado.
─ Porque eu tenho sonhos. – Respondo.
Luíz abre um sorriso.
─ Ela só quer ser aceita por todos e não consegue. É uma pobre alma. Você não quer ser aceita por ninguém, e todos acabam te amando. – Segue o ruivo.
─ Psicologia inversa? – digo, rindo um pouco.
─ Não sei. – diz ele.
Não é o que acontece com o próprio Casandro? Ele é todo fora dos padrões, mas todos querem algo dele, justamente por isso, por ele ser diferente. As pessoas estão cansadas da mesmice e do conservadorismo na verdade.
Começo a olhar o meu celular enquanto os meninos seguem falando das coisas deles, refletindo, se questionando.
É uma conversa de fundo bem interessante. Eu nunca pensei que eu encontraria pessoas com quem falar desses assuntos tão profundos. E a medida em que vou escutando-os, as coisas que eles discutem ficam ainda mais complexas, Luíz vai anotando frases num bloco de notas. Provavelmente se inspirando para criar uma nova letra.
Mãe: “Aonde você está, sua desgraçada? Quando você chegar em casa eu vou matar você.”
Eita.
Pff.
Lynn: “Estou na Escola de Arte. Tenho uma aula de recuperação hoje.”
Mãe: “Eu já te disse que em primeiro lugar sou eu e o seu irmão. A sua família. Onde você passou a noite ontem? Eu precisei de você.”
Lynn: “Eu dormi fora. Você como sempre não avisou que ia precisar de mim e agora me joga a culpa.”
Ela nunca avisa.
Desde os dezesseis anos eu tenho que deixar de viver. Engraçado é que quando estou em casa não acontece nada. As desgraças só ocorrem quando eu saio. Tem dias que eu penso “ok, não vou sair, vou ficar inteiramente disponível para vocês Sr. Matias e Sra. Eduarda”. E são nesses dias em que eles estão numa boa. As brigas são imprevisíveis.
Mãe: “Quando você vem?”
Lynn: “Às três da tarde estou aí. Um beijo.”
Mãe: “Nós vamos ter uma conversa séria.”
Lynn: “Ok.”
─ Bom, meninos. Vou indo. – Digo, recolhendo todas as minhas coisas.
Casandro me acompanha até a porta e me despeço de cada um com um abraço, antes de procurar o ponto de ônibus mais próximo.
Quando chego na Escola, vou diretamente olhar as minhas notas no muro. A maioria são um desastre, como sempre.
Vejo na lista o nome do Daniel, o irmão da Antónia, o dom perfeito. Ele tira dez em tudo. Acho que ele é um alienígena. Será que ele falsifica os resultados?
Segundo o que me disseram, eu tenho que ir vê-lo do grêmio estudantil para ele me ajudar com a recuperação.
Estou um pouco ansiosa e com certa vergonha do seu julgamento, mas ele ao parecer faz este tipo de tarefas em vez dos professores, por causa da sua excelência acadêmica. Ele ganha alguns benefícios cumprindo essa função.
Então procuro o grêmio, bato na porta e entro. Encontro o Daniel sentado numa espécie de despacho, lendo um livro.
Ele desvia o olhar e me fita com frieza. Parece que eu não mereço a sua atenção completa. Parece que a leitura é bem mais importante do que eu, por isso ele não se levanta para falar comigo, nem me recebe mais adequadamente.
Ele é tão imaculado e dentro dos padrões, com sua camiseta social, gravata, e cabelo perfeitamente cortado. Nossos estilos de vestir se chocam e não se misturam, como água com óleo. Somos totalmente opostos.
─ Olá, venho para a recuperação. – Digo.
─ Hm… – ele folheia alguns papéis que estão na sua mesa. ─ Nome?
─ Fonseca, Malvina Lynn.
─ Ok. – Ele segue procurando e me olha por um momento nos olhos, sério. Fico gelada.
Ele parece haver ficado nervoso, ou descolocado. Está me analisando.
─ Escuta. – diz o cara, que parece haver recuperado a compostura. ─ Vá à sala A16, no segundo andar, daqui exatamente 30 minutos. Eu vou acabar de ler este capítulo, tomar um café e ir ajudar você. Tudo certo?
─ Certo. – Respondo. ─ Perdão pelo incômodo.
─ Nos vemos em meia hora. – Ele responde, apenas.
Saio e fecho a porta.
E dou uma respirada profunda, liberando toda a tensão.
Que cara chato do caralho.
Vou para fora fumar um baseado e fico lendo um romance no celular até passar exatamente meia hora.
Logo subo as escadas e chego dois minutos tarde. Vejo Daniel em pé com uma ficha na mão e a apresentação do powerpoint preparada no telão. Ele está segurando o controle remoto do projetor. Nossa, o cara já estava aqui antes de mim. Foram só dois minutos de atraso. Me sento, sem graça, numa carteira perto dele, me sentindo a burra do pedaço.
─ Boa tarde, Lynn. – Ele diz. E aperta o play. ─ Eu vou explicar tudo, detalhadamente. Mas preciso da sua completa atenção, certo? – ele me fita, com seus olhos verdes, profundamente. Parece que não confia nada em mim. Assinto, sem graça. Coloco uma mecha de cabelo atrás da minha orelha, sentindo como minhas bochechas estão rosando e nem sei o porquê.
Seu cabelo tem um tom dourado natural, perfeito, combina com seus olhos verdes. Ele é tão jovem e forte. Nunca vi uma gravata tão bem colocada e milimetrada, e uma camisa social tão bem passada. Que horas que esse menino acorda para vir para cá? Estou me sentindo realmente mal. Talvez seja eu quem seja um completo desastre mesmo.
Ah, quer saber?
Vou provocá-lo até ele perder a paciência.
─ Certo, Daniel. – Murmuro, sensualmente.
Ele me olha desconfiado e abro um sorriso ladeado. Solto um risinho contido e olho para ele. Daniel suspira, discretamente, com as mãos dentro dos bolsos.
─ Na Língua Inglesa… – ele começa. ─ Há três verbos auxiliares. “Do”. – Hm, o jeito dele de dizer “do” é bem sexy. Sorrio. ─ “Have” e “Be”. Os outros verbos são verbos modais ou verbos léxicos. E é essencial diferenciar cada um deles para não cometer erros gramaticais.
Estou sozinha na sala e ele é tão distante, como se fossemos completos desconhecidos, nada de camaradagem. Sua prepotência me irrita.
Ele passa o powerpoint, que contém todos os usos dos verbos auxiliares, modais e léxicos, assim como suas colocações dentro da frase em inglês. Tento prestar atenção na sua explicação por um tempo. No terceiro slide, há uns exercícios para eu fazer.
─ Entendeu? – ele pergunta, me olhando. ─ Agora faz estes exercícios, e quando acabar me chama. – Daniel coloca as mãos nos bolsos da calça de novo e fica me observando de longe. Coro outra vez, agito o meu lápis e olho para baixo, copiando as frases. Eram vinte. Que chato. Tento resolvê-las o melhor que posso.
─ Sabe uma coisa que foge do seu controle, Danny… – digo, erguendo uma sobrancelha e abrindo um sorriso ladeado, com as vinte frases acabadas.
Olho para ele. Seus lábios ficaram roxos de nervosismo.
─ Hm? – ele murmura, se aproximando. ─ O quê?
─ Não. Nada. – Dou uma risada suave. Eu ia dizer que o fato dele ser muito lindo ia distrair todo mundo em qualquer lugar. Dando aula, falando com seus trabalhadores, etc. Provavelmente ele me daria um corte que eu voltaria para casa chorando. Então calei a boca.
─ Mm… Lynn… – ele suspira o meu nome. ─ Você já está distraída de novo, não é? – ele se aproxima da minha carteira, e me fita, inclinando seu corpo para olhar os meus exercícios, e logo o meu rosto. Apesar do seu semblante sério, sinto que se diverte um pouco.
─ O que eu faço, Danny? – murmuro. ─ Eu sou assim… Não consigo ser como você. – Me justifico. ─ Tão concentrada. Sempre estou no mundo da lua. – Solto um risinho leve, e feminino, levado.
Ele parece gostar do elogio e do fato de eu estar me rebaixando para ele.
─ Hm… Se você prefere acreditar nisto… – ele ergue uma sobrancelha, ainda com as mãos nos bolsos. Se apoia um pouco sentado na mesa da carteira que está vazia do meu lado direito, e me olha, com um sorriso pequeno. ─ Com trabalho duro todos vocês poderiam ser como eu. – É, até que ele não é tão antipático.
─ Eu acho que não. Alguns somos naturalmente mais distraídos do que outros.
─ Hm… Você pode ter razão nesse aspecto… – ele sussurra. ─ Algumas pessoas são mais evasivas e distraídas. Mas isso não quer dizer que vocês não sejam inteligentes. Só quer dizer que precisam de mais foco e disciplina.
Disciplina… Interessante.
─ Hm… – Sussurro. ─ No que eu deveria me focar? No fato de que… Você me lembra bastante alguém? Ou nos meus exercícios de inglês?
Ele engole em seco.
─ Nos seus exercícios de inglês, mocinha. Já posso vê-los?
Assinto.
Ele toma a minha folha e a olha, e depois marca com caneta vermelha as quatro que estão erradas.
─ Ué… ─ diz Daniel. ─ Quatro erros de vinte é uma porcentagem de 80% de acertos. Não entendo por que você não aprovou Inglês.
─ Provavelmente eu estava nervosa. – Concluo.
─ Hm… – ele murmura por longos segundos e logo abre um sorriso presumido. ─ Não há nada mais triste neste mundo do que uma pessoa que finge ser burra, quando é capaz de muito mais. – Daniel ri suavemente, e me olha.
─ Obrigada, Danny. Eu não finjo ser burra. Eu sou bem inteligente, só que eu penso demais e em muitas coisas. – Mantenho o meu sorriso. Minha mente ainda divaga.
─ É um rasgo normal aqui neste lugar. Exceto os que estamos estudando Arquitetura Efêmera. Nós normalmente não temos este problema, pode ser porque usamos mais o lado esquerdo do cérebro.
─ Sabe… – dou um risinho. ─ Eu tenho a sensação de já ter visto um garoto bem parecido com você.
─ Ah, sim? – ele abre um sorriso malicioso. ─ Isso é fácil de acontecer, Lynn. Afinal, quantos garotos loiros de olhos verdes há por aí, não? – ele solta um risinho desde a garganta, sem deixá-lo escapar pelos lábios.
─ Eu não vi a cor dos olhos dele. – dou uma piscadela, com um sorriso ladeado, o provocando. Cruzo minhas pernas por baixo da mesa.
─ Onde você viu esse “garoto parecido comigo”? – ele pergunta juntando as mãos sobre sua calça.
─ Perto da minha casa. – Dou um risinho.
─ Perto da sua casa?
─ Deixa para lá. – Eu rio outra vez.
Daniel fica intrigado.
─ Hm… – Ele apoia as mãos na mesa, e me olha com um sorriso ladeado.
─ Era você? – Sussurro.
─ Não sei do que está falando. – Ele expande o seu sorrisinho.
─ Misterioso. – Respondo. ─ Eu só queria ouvir um sim, ou um não.
─ Você viaja mesmo, Malvina Lynn. Você também não aprovou Desenho Técnico, não é?
─ Não. – Respondo e suspiro. Então começo a procurar os meus exercícios de Desenho.
─ E essa é minha especialidade. – Ele sorri. ─ Por que não? Foi falta de atenção também?
─ Deve ter sido, eu passo o dia inteiro divagando nas minhas fantasias. – Falo, provocantemente.
─ Hm. Hoje mesmo eu li que pessoas evasivas na verdade têm medo de confiar nos demais. Como eu quero que você aprove, já que isso vai beneficiar nós dois, quero saber o que é que eu tenho que fazer para você aprender esses exercícios de geometria?
─ Para confiar em você, eu preciso que você desfrouxe a sua gravata. Não confio em caras engravatados. – Sigo provocando, não o levando a sério.
─ Ué, por quê? – ele começa a rir com suavidade.
─ É formal demais. Se você descer do salto e parecer mais normal, eu vou entrar num ambiente psicologicamente mais confortável e aprenderei com mais facilidade.
─ Olha só, que convincente quando quer.
Abro um sorriso sensual.
Ele começa a afrouxar sua gravata azul escura, puxando-a com uma mão.
─ Assim está bom? – ele me olha, com uma sobrancelha suspensa, e um ar divertido. ─ Você já confia em mim?
─ Mais ou menos. Agora sente-se aqui do meu lado, e me ensine com carinho. Como se fôssemos da mesma família. – Sorrio.
─ Faz sentido. – Daniel puxa a cadeira da outra carteira e a coloca do meu lado.
─ O quê? – sorrio, sentindo sua presença mais próxima.
─ As suas exigências. – Ele completa. ─ Você precisa confiar em mim como se eu fosse da sua família. – Ele abre um sorriso ladeado.
─ Sim. – Murmuro, mas não coro dessa vez. Ele estava certo sobre mim. É tão analítico.
Ele se aproxima bastante e começa a ler os meus exercícios de geometria e a corrigi-los. ─ Está tudo errado. – Daniel gargalha.
─ Você está rindo de mim, Daniel perfeito? Porque é super inapropriado! – exclamo e ele ri mais ainda.
─ Desculpa. – Ele diz com a cara vermelha, mordendo o lábio para não seguir gargalhando. ─ É que você escreveu que 3+1 é 6. – Ele segue rindo.
Acabo gargalhando com ele.
─ Viu só? Sou mesmo um desastre! Uma distraída! – coro inteira.
─ Calma, Lynn. – Ele respira profundamente uma vez, controlando o riso. Seu rosto ainda está vermelho. ─ Vamos fazer isso que você disse então. Você imagina que eu sou o seu irmão mais velho. Isso te deixaria mais confiante? – ele ri suavemente.
Hm.
Fico inteira vermelha.
─ Olha… assim… – Ele toca a minha cabeça com suavidade, e faz um carinho leve com a ponta dos dedos. Logo me olha nos olhos. Abro um pequeno sorriso. ─ Viu? Pode confiar em mim. Eu não vou rir de você, Lynn. – Ele sorri, com doçura.
Não, claro que não.
─ Tá bom… Você é o meu irmão mais velho? – sussurro com um sorriso ladeado. ─ Você quer saber por que eu não me concentro, maninho? – inclino minha cabeça levemente em sua direção, com um olhar malicioso.
─ Sim, pode contar para o seu irmão mais velho. Não temos segredos. – Ele assente.
─ Você não sabe de nada, inocente! – dou outra risada, bem boba. Daniel não entende o quanto ele me deixa nervosa. E ainda mais com essa ideia tão sexy que ele acaba de ter.
O loiro suspira profundamente, mas acaba rindo.
─ Para de zoar, Lynn. – Ele abre um sorriso divertido e cutuca a minha cintura do meu lado. ─ Então, hm. Conta para mim. Por que você não se concentra?
─ Você quer que eu seja sincera? – olho Daniel nos olhos e cruzo minhas mãos, com os cotovelos na mesa, enquanto o observo com malícia.
─ Sim. – Ele assente.
─ Você me desconcentra. – Digo, e dou um risinho. Ele fica bem vermelho. Vejo como as pupilas dele começam a brilhar, enquanto ele olha para mim, apesar da timidez que nasceu nele. ─ Hmmm… – ele murmura, meio gozado, e logo ri outra vez, nervoso. ─ E além disso, ─ sigo, lambendo meus lábios, satisfeita por estar lhe deixando descolocado. ─ Eu tenho um vizinho tarado muito parecido com você. Insisto! Será que você não é ele? Tem certeza?
─ Você tem um vizinho “tarado” que se parece comigo? – ele me olha, com um sorriso ladeado, enquanto sua frase sai de seus lábios com um timbre mais erotizado.
─ Hm… – murmuro, olhando para baixo.
Mas ele vende drogas e não é um playboyzinho. Essa é a grande diferença.
─ “Hm” – ele me imita, e logo ri outra vez.
O olho de soslaio, corada.
─ Bom, você quer que eu te ajude ou não? – ele fica sério. ─ Antes eu disse que você é inteligente. Mas isso não quer dizer que você saiba usar essa inteligência. – Ele ri suavemente.
─ Daniel! – exclamo.
─ O quê? – ele murmura, me olhando com certa maldade. ─ Temos confiança agora, não?
─ Hm… – sussurro e suspiro. ─ Certo… Me ajuda. – Murmuro, chorosa. Deixo a minha cabeça se encostar no seu ombro. Daniel me olha, me analisando, e abre um sorriso ladeado.
Não me pergunte.
Eu também não sei quando foi que começamos a flertar.
Aliás, estamos flertando?
É tão sutil que não consigo dizer.
Era sutil.
Até agora.
─ Senta aqui. – Ele sussurra, com sua voz masculina e arrasta a cadeira pelo chão, se afastando da mesa. Daniel aponta para o seu colo. ─ Eu vou te ensinar. – Ele olha o meu rosto, após dizer isso de forma firme e com um semblante sério. Como ele conseguia manter os papéis? Ele parece levar a sério. Mas para mim é uma situação muito maliciosa.
Ou será que para ele também é maliciosa?
Bom…
Eu só vou saber se eu seguir suas instruções.
Me levanto, corada, ajeitando minha saia. Me sento sobre uma de suas pernas, ele as tem bem afastadas. Ainda sigo vermelha e incluso um pouco trêmula. Seguro a mesa com uma mão. Ele envolve minha cintura, e parece ignorar os sintomas físicos de nervosismo, de excitação sexual, que meu corpo mostra por estar perto dele; ele finge que não percebe? Sinto como Daniel me dá um abraço bem aconchegante, lento, paternal.
─ Você se sente mais segura, no meu colo? – ele murmura.
Estou muito vermelha.
Ele está sendo muito sensual.
Será que ele sabe?
─ Sim… – sussurro. Passo um braço por cima do seu ombro, e o abraço, e então Daniel arrasta a cadeira e ficamos mais perto do meu caderno outra vez.
─ Veja só… – ele sussurra com sensualidade; Daniel tem um timbre de garoto sábio, bem mais inteligente do que qualquer um, o timbre de alguém que é de confiança, e seguro de si. É verdade que estar em seu colo me deixa mais segura, por mais engraçado que soe dizer isso. ─ Preste atenção, certo? – ele pede perto do meu rosto. Daniel começa a refazer os meus exercícios, diante dos meus olhos, tomando mais tempo do que ele tomaria normalmente para fazê-los, para que dessa forma eu pudesse ver o processo. Sinto seus dedos se deslizarem com carinho por minhas costas.
Às vezes, ele murmura “hm?” com sensualidade e amabilidade, olhando o meu rosto, em alguns momentos do exercício, para ver se eu estava entendendo o que ele fazia.
A única coisa que eu sei é que a minha respiração começava a ser bem mais lenta do que o normal. E que o seu jeito de falar comigo, tão sensual, estava me excitando.
Daniel acaba de resolver os cinco exercícios e olha o meu rosto, enquanto ainda segura o lápis.
─ Você entendeu, Lynn? – ele pergunta, com seu tom de voz sério.
─ Acho que sim. – Sussurro, com o rosto inteiro corado.
Olhamo-nos olhos com olhos, mais tempo que o necessário.
─ Hm… – ele sussurra, quebrando levemente o silêncio proveniente da tensão sexual. ─ Então… Se você souber refazê-los, tenho certeza de que vai conseguir um bom resultado.
─ Eu vou tentar. – Murmuro, enquanto nos encaramos.
Subo minhas mãos por sua gravata, sentindo como elas estão levemente trêmulas, e a reajusto por puro nervosismo, sendo totalmente contraditória.
Quando minha visão volta para o rosto dele, vejo um sorriso ladeado se formar no canto da sua boca, pouco a pouco. Ah, ele sabe muito bem que esteve me provocando este tempo todo. Seus olhos verdes estão brilhando.
─ V-você… – murmuro, sem sentido, nervosa enquanto o rosto dele está chegando perto do meu.
Sinto sua mão quente tocar a minha saia por trás, com cautela, suavidade. Nossos lábios se tocam e as línguas se encostam já no primeiro contato. O ar quente e sutil que vem do nariz dele se pousa no meu rosto.
Ele alisa o meu traseiro com um par de movimentos horizontais, firmes e lentos, localiza uma nádega por cima do pano da saia de cada vez, pacientemente e, ao mesmo tempo, a intensidade do beijo aumenta.
─ Humhmm… – murmuro suplicante, e abro os meus lábios para recebê-lo. Após ouvir a minha voz, ele faz o beijo ser ainda mais profundo e ele aperta a minha bunda com a mão inteira, e com força. ─ Ai… – Gemo baixo.
─ Mmm… – escuto seu gemido grave e rouco contra meus lábios, que escapa da sua garganta demonstrando muita satisfação. Algo se aperta no meu interior por causa do timbre da sua voz. Ele chupa o meu lábio inferior lentamente, até soltá-lo. ─ Huhum… Você está tremendo… – ele consta com malícia, olhando minhas mãos sobre sua camisa, que denunciam tal nervosismo. – Por quê… hmmm? – ele olha meu rosto, sério, e morde o próprio lábio. ─ Você tem medo de mim? – ele sussurra lento, baixinho, arrastadamente.
─ N-não… – gaguejo, e desvio os olhos dos seus. ─ Você… É um pouco imponente, entende? – murmuro, e solto um longo suspiro, tentando me acalmar.
Daniel ri sensualmente.
─ Tudo bem… – ele alisa a minha bochecha. ─ Eu não vou comer você. – Abro um sorriso ladeado, enquanto o olho com timidez. Ele entende o sentido duplo e solta outra risada baixa, rouca e sensual. ─ Não aqui. – Ele sussurra.
Vejo sua língua vermelha se arrastando dentro dos seus lábios entreabertos. Por isso, lasco outro beijo úmido, lento e carinhoso sobre sua boca tão molhada e suave. Aliso seu cabelo loiro, sentindo a textura fina que ele tem, afável. A pele do rosto dele é igualmente macia.
─ Hhuhm… – rio corada. ─ Eu já imaginava. – Sussurro. Ele assente algumas vezes enquanto me olha nos olhos, contendo desejo, seu pescoço esticado para me olhar é super sensual. Vejo como ele morde um dos cantos do seu lábio inferior com sutileza e sorrio. Por isso, decido brincar um pouco. ─ Mas você tem certeza de que você não vai me comer aqui? – solto uma risada doce e delicada.
─ Olha o relógio, bad-girl… – ele murmura, e gira o rosto para a direção da parede. ─ Hoje a Escola inteira fecha mais cedo pelo feriado. Hm? – ele sorri de lado, e pisca um dos seus olhos, lambendo seu lábio inferior. ─ Você quer acabar com a minha reputação? – Daniel aperta as minhas coxas com força, uma em cada mão, e me encara ao perguntar. Seu timbre carrega malícia, diversão e excitação.
─ Idiota. Eu só estava brincando. Eu não ia dar para você aqui nessa sala, neste lugar proibido. – Reviro meus olhos.
Ele apenas dá uma risada, como se me conhecesse mais do que eu o conheço.
─ Sei… Desculpa. – Dani me olha, com olhinhos pidões. Acabo sorrindo. ─ Você é mesmo má… – reclama, com o rosto vermelho.
─ Eu sou mesmo má. E você é o “Danny Danger” sim. – Afirmo.
─ Quem é esse tal de Danny Danger e por que você insiste em dizer que sou eu? Escuta, eu não sou esse cara. E eu não quero você dizendo essas porcarias por aí. Meu nome é Daniel Ortega. – Ele fica nervoso e une as sobrancelhas, quase me tirando do seu colo.
Me levanto.
─ Eu não te julgo. – Digo, batendo uma palma, enquanto meu coração se acelera pela situação tensa. ─ Mas eu sei que você é ele. Mas não se preocupe, ok? Eu não vou contar para ninguém. Don Perfeito. – Recolho as minhas coisas e me preparo para sair dali. ─ Só me deixa em paz.
Quando estou a ponto de sair, lhe escuto:
─ Malvina, espera.
Me giro, olhando como ele está vermelho e até mesmo desesperado.
─ Você quer jantar comigo amanhã?
─ Em? Não precisa de nada disso. Não precisa tentar me subornar ou puxar meu saco. Eu já disse que não vou dizer nada para ninguém, eu não sou esse tipo de pessoa. Parece ser que você tem uma vida dupla, mas eu não tenho nada a ver com isso.
─ Não é isso. – Ele se aproxima, me olhando, e fica bem perto de mim. ─ Eu quero mesmo te conhecer melhor.
─ Por quê?
─ Bom… Você não conhece nem o Daniel, nem o Danny. E eu só conheço uma garota louca que descia de madrugada para transar com um estranho.
Solto um suspiro suave, e abro um sorrisinho irônico.
─ Eu acho que você é bem mais do que isso. Você tem caráter. É por isso que eu quero te conhecer melhor. – Ele completa.
─ Me conhecer melhor?
─ Você não quer? Eu sou pouco demais para você?
Agora o jogo virou, não é mesmo?
─ Claro que não. Eu gosto das pessoas pelo que elas são, não pelo que a vida obriga elas a fazerem, ou pelo dinheiro que elas têm.
─ Viu só? É por isso que eu quero saber mais sobre você.
─ Você me liga, Daniel. Meu celular está aí na ficha dos alunos burros. Tenho que ir para casa.
Fecho a porta, saindo, após considerar a minha última frase como a despedida.
Chego em casa às três da tarde. Não há ninguém. A minha mãe disse que queria conversar comigo. Então lhe envio uma mensagem.
Fico esperando-a chegar, ou me responder. A Eduarda me ignora por mensagens. Ela só voltou às 8pm, com o meu padrasto, os dois numa boa.
E eu preocupada…
Cinco horas de tortura psicológica e tensão. Ela bem que podia me avisar quando está bem.
Quando os dois estão em casa minhas capacidades motrizes diminuem. Sobretudo quando eles vão para o quarto dormir. Eu estou proibida de fazer qualquer barulho, inclusive de lavar as minhas roupas ou os pratos. Por isso morro de vontade de ir embora dessa casa. Não há liberdade para sair, para entrar, nem para se mover. É tudo muito esquisito e eles só lembram da minha existência quando eles precisam de mim. Óbvio que hora nenhuma ninguém vem perguntar como eu estou ou se preciso de algo. Me sinto uma intrusa. Além disso, topar com esse cara que vive de cueca passeando pelos cômodos é nojento. Até por que não suporto olhar para a cara dele. Minha mãe pode até perdoar, mas quando eu me lembro das brigas quero que ele morra. Tem uma que não consigo esquecer e limpar da minha cabeça. Ele bateu nela, grávida.
─ Você está em casa, eu nem te vi. – Diz minha mãe, entrando no meu quarto.
─ Estou desde as três da tarde. – Respondo, enquanto tento estudar com minhas notas todas na cama.
Na sala escuto a voz do Matias e do irmão dele, o Paulo, conversando sobre putas, drogas e negócios.
─ Preciso conversar com você.
─ Diga.
─ O Matias vai abrir um bar novo de garotas, e eu vou trabalhar lá de bartender.
─ E o meu irmão?
─ Ele fica com você, não é? – sua voz de altera.
─ Quais serão os seus horários?
─ Todos os dias, das sete da noite às cinco da manhã.
─ Fins de semana incluídos?
─ Óbvio.
─ Ou seja, eu vou ficar presa.
─ Eu já te falei mil vezes, Malvina. Enquanto você viver comigo você tem que me ajudar e cuidar do seu irmão. Você já não saiu ontem e ficou de gandaia e putaria com esses seus amigos lixos, que não prestam e não vão te trazer nada de bom para a sua vida?!
─ Da última vez que você foi trabalhar com ele, ele não te pagou. Ou você já se esqueceu? Quando você foi cobrar ele te bateu. E ele te disse a mesma coisa que você está falando para mim: “você vive nas minhas custas, então não deveria nem reclamar”.
Minha mãe fica em silêncio por alguns momentos.
─ É você quem decide, sua desocupada vagabunda.
Depois dessa, já não consigo me concentrar em estudar.
─ E se eu arrumar um emprego? Assim você não precisa dizer que eu sou uma carga financeira para você e eu posso arcar com meus gastos, e você não precisa trabalhar.
Já que às vezes ela se justifica dizendo que precisa me dar dinheiro.
─ Garota, você faz o que eu digo.
─ Ah, claro. Esqueci que você estraga todos os meus empregos. Fica difícil! Não é? Como da última vez, quando você foi na cafeteria onde eu arranjei trabalho dizer para o chefe que eu não precisava trabalhar e que você me dava de tudo.
Ela mostra uma cara bem nervosa.
─ Você só quer perseguir o Matias para ver se ele não vai se enrolar com nenhuma puta. É por isso que você quer trabalhar lá.
─ Cala a sua boca! – ela exclama. ─ Eu preciso ficar atrás dele sim, se não ele arranja outra mulher.
Eu sabia. Ela pode até mentir que é pro meu bem, mas não é.
─ Como queira. Saia daqui, estou estudando.
─ Eu odeio você, garota. Você é mesmo a origem de todos os meus problemas.
─ Claro, como você quer me usar…
Ela sai do meu quarto e bate a porta antes de que eu acabe a frase.
Me deixando tremendamente nervosa.
Suspiro profundamente e decido dormir, já que não consigo mais me concentrar. Quando acordo depois de algumas horas, eles já não estão em casa de novo, mas o meu irmão sim.
Olho pela janela, me sentindo realmente presa. Começo a buscar ofertas de trabalho no celular e enviar o meu currículo para o máximo possível de pessoas.
E mais tarde, tenho uma crise de identidade sozinha no banheiro, às três da manhã, quando o meu irmão já está dormindo, bem cuidado e alimentado.
Estou pintando meu cabelo de roxo, de um jeito super desajeitado de propósito. Também acabo de picá-lo inteiro. Minha mãe vai me matar por ter estragado o meu cabelo de princesa Rapunzel da torre.
“Eu te odeio, você é a origem de todos os meus problemas”.
A frase ressoa uma e outra vez na minha cabeça e acabo chorando.
Eu, que sou de pedra.
Esse tipo de declaração de amor, apesar de serem tão cotidianas, seguem me machucando.
Quando acabo de lavar o meu cabelo, vejo que a cor realmente funcionou. Eu o descolori, estraguei ele todo, está mais fraco e mais fino do que antes. Mas a cor está aí, um roxo claro vivo.
O meu celular começa a tocar e o atendo.
“Alô?”
“Oi, linda.”
“Oi, André.”
“Você não vai sair hoje?”
É sexta-feira e oficialmente Halloween. Todos os jovens e adolescentes estão por aí disfarçados, vivendo a vida nas discotecas. Todos que não tem um filho como eu. Hm. Agora entendo tudo. Minha mãe e meu padrasto devem ter saído para curtir o Halloween e deixado o meu irmão comigo. A vó dele não ajuda em nada.
Quem são os jovens da história? Eles, que já passaram dos quarenta, ou eu?
“Eu sou a Cinderela. Não posso, estou cuidando do meu irmão.”
“Hmm… Entendi. Olha, Lynn. Parece que você está mal.”
“Eu estou.” Respondo.
“Tem alguma forma de eu te ajudar?”
“Acho que não, André. Mas obrigada.”
“Tem certeza?”
“Tenho.”
“Talvez se você dissesse que você tem um namorado eles te dariam mais liberdade para sair.”
“Acho impossível, mas talvez sim. Se houver outra pessoa de fora julgando o que eles fazem, eles ficam com vergonha. Isso funcionava com o meu ex.”
“Por que você não diz para um dos caras da Escola ir à sua casa e fingir ser o seu namorado?”
André… Eu não digo por que não quero por nenhuma pessoa que eu gosto em risco. O meu padrasto é um cara perigoso e possessivo, tanto com a minha mãe, como com a empregada doméstica que sou eu.
“Sei lá.”
“Hm… Bom, passa boa noite” escuto vários risos no fundo, ele já deve estar na rua.
“Se divirtam por mim.”
“Pode deixar. Mas falta você, linda. Te amamos e vamos tirar muitas fotos.”
Abro um sorriso ladeado, invejoso.
* * *
Casandro tem mesmo razão. Encontrar um trabalho em Barcelona não é tarefa difícil quando não se é muito exigente.
Hoje é sábado e já tenho uma entrevista por conta dos currículos que mandei ontem. Então eu fui lá ver no que dava. E eu consegui trabalho, por incrível que pareça.
Mas quando fui explicar em casa que não poderia ajudá-los sendo babá de domingo a domingo, aconteceu uma briga onde eu fui xingada e rebaixada a lixo.
Por isso estou com a mala feita, aqui do lado de fora, sentada num parque público, decidida a vazar daqui.
Minha mãe está crente que eu vou voltar, e eu decidida a não fazer isto.
Mas eu vou precisar de um lugar para dormir alguns dias.
Merda, está começando a chover.
Acho que vou ligar para algum amigo vir me buscar. Não quero incomodar a Elisa sempre. Ela já foi boa demais comigo.
Para quem eu deveria ligar agora?